
Paulo Vitor Bruno Onezorge*
Muitos jovens brasileiros nascidos entre as décadas de 80 e 90 - a famosa geração Y (ou Coca-Cola) - pouco se interessam pelo assunto reforma da Previdência. Para esses, ainda há uma longa distância entre o dia de hoje e a tão sonhada aposentadoria.
Essa geração possui em sua natureza o ritmo acelerado do empreendedorismo. Iniciou o seu contato com o mundo “globalizado” não mais por meio de séries de TV internacionais ou pelos ídolos que levantaram suas bandeiras no frenético som do rock n’roll, mas, sim, pelas queridas redes sociais. Esses brasileiros, apesar de jovens, podem estar incorrendo em grande equívoco, ao não buscarem discutir esse tema que fulge a cada raiar do sol.
A Previdência Social envolve não apenas o direito a uma renda em nossos anos finais de vida, mas abarca uma série de direitos trabalhistas que impactam diretamente no custo da máquina pública. E sabe quem paga a conta? Você.
Um regime de Previdência que se preze deve ser autossustentável. Isso quer dizer que os que definem contribuir o fazem em prol do todo, e não apenas dos seus próprios interesses. Assim, de forma sustentável, a “poupança” gerada mantém toda a estrutura. O interesse coletivo prevalece.
Ocorre que, no atual modelo, poucos contribuem, muitos usufruem e um pequeno grupo de privilegiados aproveitam toda essa farra. O resultado de tudo isso? Déficit, ou seja, prejuízo. Nesse caso, cabe ao Estado tapar o buraco.
Para fechar a conta, tributos e mais tributos são cobrados, os preços de produtos e serviços sobem, e a inflação, que em nosso mundo de fantasia não pode ocorrer, aumenta. E agora? Quem poderá nos defender? Muitos pensam que a resposta é “o governo”, como se fosse ele um deus, que pode, imediatamente, resolver todos os problemas, intervir, manipular o sistema, dar algumas pedaladas e consertar tudo.
É dessa forma que chegamos ao ponto em que estamos. Enquanto não nos interessamos pela discussão e continuamos planejando a próxima viagem ao exterior ou pensando em qual novo negócio abrir, os legisladores discutem o preço que pagaremos por tudo isso. Fica aqui uma chamada à reflexão sobre o peso de nossos próximos diálogos.
*O autor é mestre em contabilidade gerencial e tributária