
Luiz Carlos Menezes*
O Brasil ainda não conseguiu decolar no turismo. Apesar de contarmos com 7.000 km de praias, clima tropical, belíssimas montanhas, o maior rio navegável do mundo, a singular biodiversidade do Pantanal, cidades encantadoras como Rio de Janeiro e Salvador, carnaval incomparável e outros grandes atrativos, ainda não soubemos tirar o devido proveito econômico deste nosso imenso potencial turístico.
Primeiro lugar em atrações naturais no Relatório do Fórum Econômico Mundial sobre competitividade no turismo, nosso país, no quesito prioridade em investimento no turismo, ficou colocado num decepcionante 106º lugar. E na listagem do número de visitantes por país no mercado global, tivemos a insignificante participação de 0,5% em 2017. Somente Cancun, no México, recebeu mais turistas do que todo o Brasil em 2015 (50% a mais).
E o turismo doméstico? Também vamos muito mal. Ao contrário da maioria dos países do primeiro mundo, que tiram máximo proveito econômico do turismo no verão, o inicio das aulas em 1º de fevereiro no Brasil subtrai um mês inteiro desta nossa alta estação. As perdas são incalculáveis e atestam o nosso total descaso com o turismo. Dizer que os poucos dias de aula de fevereiro são importantes para os alunos é mera falácia. Fosse assim os estudantes americanos, com ano letivo 20 dias menor, seriam menos preparados.
No meu tempo de estudante, as aulas iniciavam em 1º de março e os alunos não eram menos preparados. Fevereiro, com menos dias úteis, muito calor e semana do carnaval, já se mostrou inadequado para aulas; e pouco produtivo. Um casuísmo que deveria ser revisto. Uma alternativa seria manter o número de dias de aula do calendário atual, com extensão do ano letivo até meados de dezembro e a volta às aulas em 1º de março (como anteriormente). Todos ganhariam: o turismo, os estudantes, a economia.
O Brasil, hoje com 12,6 milhões de desempregados e outros tantos subempregados, precisa que o governo encare o desafio de resgatar pelo menos parte desse atraso. Um passo importante seria modificar este nosso anacrônico calendário escolar, restituindo ao turismo o mês de fevereiro, indevidamente subtraído pela “criatividade” da nossa arcaica máquina burocrática.
Que o governo Bolsonaro - que colocou esta atividade como uma das suas prioridades - adote medidas concretas para alavancar o imenso potencial econômico do nosso turismo, setor multiplicador de atividades de comercio e serviços, gerador de empregos e impostos.
*O autor é engenheiro civil, empresário, conselheiro da Ademi-ES e do PDU de Vitória