
Marcela Tessarolo*
A suposta morte de um empresário capixaba ganhou destaque no noticiário nos há alguns dias. Áudios divulgados pelo WhatsApp viralizaram com disputas narrativas que variavam entre suicídio na Terceira Ponte e assassinato em bairro de Vila Velha. Era fake news (em português, notícia falsa), a desinformação do nosso tempo.
O termo fake news se popularizou nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2016. Seu uso se tornou tão indiscriminado que os estudiosos preferem chamar a notícia falsa de desinformação, que se diferencia pela intencionalidade de causar dano ou não.
Para muitos norte-americanos, a “criação e propagação de notícias e informações inventadas estão causando dano significativo à nação e precisam ser interrompidas”. É o que revelou resultado de pesquisa do Pew Research Center sobre os problemas mais críticos da sociedade norte-americana.
As notícias inventadas aparecem em quinto lugar, com 50% das citações, ficando atrás do vício em drogas (70%), a acessibilidade a tratamentos de saúde (67%), o sistema político norte-americano (52%) e a diferença entre ricos e pobres (51%). Curioso notar que a preocupação com as notícias inventadas está à frente do terrorismo e da imigração ilegal, por exemplo.
Os políticos são apontados como os que mais propagam informações inventadas mas, para os americanos, os jornalistas são a solução e responsáveis por resolver o problema. A pesquisa ouviu 6.127 adultos norte-americanos, de 19 de fevereiro a 4 de março deste ano e foi divulgada no último dia 5.
No Brasil, parcerias entre as universidades, jornais e agências de checagem de fatos são tentativas de combate à propagação de informações falsas. Destaque para o Monitor do WhatsApp, ferramenta desenvolvida por grupo de pesquisa da Ciência da Computação, da UFMG, que tem o objetivo de trazer transparência para o espaço midiático e mitigar possíveis danos.
Em tempos de mudanças no ecossistema de notícias, com o polo de emissão de conteúdo liberado, a checagem de uma informação antes da divulgação se torna imperativo. Investigue antes de encaminhar mensagem de WhatsApp que o “amigo do amigo” jura que seja verídico. Só a mudança de comportamento dos usuários comuns evitará que notícias falsas sejam propagadas, como a da suposta morte do empresário capixaba.
*A autora é pesquisadora, mestre em Comunicação e Territorialidades (Ufes) e doutoranda em Comunicação (UFMG)