
Henrique Geaquinto Herkenhoff*
Muito se fala sobre a utilidade das câmeras eletrônicas para a segurança pública. É, realmente, muito mais barato monitorar os locais à distância, mas elas não trabalham sozinhas: ainda é necessário alguém assistindo em busca de algum fato anormal ou comportamento suspeito, o que não sai de graça e quase todo o tempo é extremamente tedioso, comprometendo a atenção desse vigilante. As agências de segurança externa norte-americanas já dispõem de algoritmos que permitem o monitoramento automático informatizado, mas eles não estão disponíveis no mercado, então não é possível dispensar o ser humano por trás das lentes, com os custos e falhas envolvidos.
Por outro lado, as câmeras não atendem às ocorrências, não fazem abordagens, não produzem ostensividade e sensação de segurança. Elas podem apoiar o patrulhamento preventivo, reduzindo o número de policiais necessários para cobrir a mesma área, mas não substituí-los. De qualquer forma, o custo e a natural desatenção do monitorador humano em situações ordinárias tornam o videomonitoramento não tão vantajoso, exceto no controle do tráfego ou no policiamento de grandes aglomerações de pessoas, principalmente em eventos públicos e nas áreas de intenso comércio de rua.
A desatenção dos monitoradores é tão grande que têm sido frequentemente surpreendidos bisbilhotando a vida privada alheia; isso quando não são instruídos a procurar caixas d’água sem tampa e outras questões sem nenhuma ligação com a segurança pública. O grande desafio é manter o ser humano focado, por horas intermináveis, dia após dia, em imagens nas quais aparentemente não acontece nada.
Em compensação, as câmeras, públicas ou privadas, – que para isso podem até ser fixas e sem acompanhamento, reduzindo brutalmente o custo – têm sido um tesouro para as investigações criminais, fornecendo abundante material e substituindo as testemunhas, que às vezes não querem colaborar com a Justiça. No entanto, o aproveitamento desse potencial depende de efetivo na Polícia Civil. Utilizando programas de OCR, as câmeras também podem identificar foragidos automaticamente, assim como fazem com as placas de veículos, mas para isso precisaríamos organizar de um banco eletrônico de fotografias de procurados. Tudo fácil de falar e difícil de fazer.
O uso público e privado das câmeras de segurança deve e está aumentando, mas não substituirá, ao menos por enquanto, o ser humano.
*O autor é professor do mestrado em Segurança Pública da UVV