O massacre ocorrido na Escola Raul Brasil, em São Paulo, reacende o debate acerca da educação. Afinal, qual é o seu papel em nossa sociedade?
Numa sociedade cada vez mais intolerante, é inegável que a educação é essencial para rearticular valores éticos e morais. A escola é o lugar onde se internaliza os valores universais da dignidade humana. Contudo, na atualidade, essa instituição, de modo geral, perdeu seu espaço privilegiado para o mundo globalizado da internet e das redes sociais. De fato, nesse mundo atual, tudo se tornou descartável, sejam as amizades, sejam a moral e a ética, e inclusive o próprio conhecimento, pois os valores do mundo consumista ensinam que as pessoas devem esquecer hoje o que aprenderam ontem. Ou seja, esse círculo fechado implica que cada pessoa apenas utilize o saber prático em detrimento da acumulação do conhecimento.
Atualmente, a crise na educação é evidente em todo mundo, pois não só o conhecimento tornou-se descartável, mas também o pensamento crítico. Políticos, e outros indivíduos da sociedade civil, por meio de debates inconsistentes, e também pelas redes sociais, estão tentando desacreditar a educação de um modo geral, especialmente o ensino público.
Assim, as universidades são constantemente atacadas como se fossem redutos parasitários, ou ideológicos, e o mesmo acontece com as escolas públicas. Desse modo, os profissionais da educação ganharam o estereótipo de doutrinadores ideológicos antes o de formadores críticos. Diferentemente do que muitos pensam, o espaço escolar é uma caixinha de supresa, no qual a relação ensino-aprendizagem acontece entre o aluno e o professor. E esse espaço deve ser democrático, e plural.
Num mundo completamente fluido, é preciso que a escola desenvolva a prática de conviver com as diferentes opiniões, sejam elas políticas, culturais, religiosas ou sociais. Essa é a base de uma escola eminentemente democrática. Na verdade, é preciso construir dentro do ambiente escolar um pacto de boa convivência entre as mais diferentes formas de opiniões existentes.
Esse princípio afasta os conflitos e institui um pacto positivo para o desenvolvimento da sociedade. Dessa forma, afasta os extremismos políticos, religiosos e culturais.
Garantir o respeito às diferentes opiniões é garantir o respeito à diversidade. Assegurar que a educação escolar seja crítica é fundamental para uma boa prática democrática. É preciso fazer que o estudante se veja como detentor de direitos sociais, políticos, religiosos e civis, importantes para a construção de uma sociedade democrática e livre. Parafraseando o sociólogo Zymunt Bauman, se queremos uma sociedade menos conflituosa, “é pela escola que devemos recomeçar”.