
Denilton Cunha*
O assédio está presente no cotidiano de muitas organizações. Perseguir com insistência, importunar, fazer piadas machistas, colocar apelidos, causar isolamento do colaborador de propósito para que ele peça demissão etc. Estas são algumas formas de assédio moral e podem ocorrer nos ambientes corporativos e nos órgãos públicos.
Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, pelo menos 42% dos brasileiros já sofreram algum tipo de assédio no trabalho. Estima-se que desde a crise econômica de 2015 o índice de assédio pode ter aumentado tendo em vista as demissões e a consequente cobrança de gestores diretos e indiretos por desempenho de múltiplas funções, muitas vezes diferente da contratada.
Também ocorre assédio com as mulheres. Segundo informações de “O Globo”, uma em cada três mulheres no mundo está sofrendo ou vai sofrer assédio no trabalho. A ascensão profissional para mulheres que almejam carreira executiva é ainda mais dura: é mais longa, com salários menores e com forte tendência a passar por assédios.
A Islândia foi o primeiro país do mundo a igualar os salários de homens e mulheres. A meta da lei que entrou em vigor no início de 2018 é igualar os salários entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo até 2020.
Não há vantagem em realizar brincadeiras desprovidas de bom senso e cobranças vexatórias no ambiente de trabalho. Só há prejuízo. E uma das principais consequências é a baixa produtividade.
Outra consequência direta do assédio moral é a desmotivação. Há casos de colaboradores que se afastam do trabalho por depressão causada por assédios sofridos ao longo do tempo por causa de determinada característica física, orientação sexual, cor da pele, origem cultural etc. Isso vai causando aos poucos constrangimento e desmotivação.
Há também os prejuízos para a saúde física como o aumento da pressão arterial, palpitações e dores generalizadas. Se afastada do trabalho, a vítima também enfrentará dificuldades afetivas em suas relações com familiares e amigos.
Para as empresas também haverá prejuízo, pois será necessário recrutar, treinar e contratar novo colaborador. Depois espera-se o período de adaptação. Isto causa ruptura processos, perdas de ritmo de produção e perda de tempo para readaptação.
O caminho mais recomendado é a prevenção ao assédio moral dentro das corporações. Cabe às empresas mostrarem aos diretores, executivos, gestores e a todos que ocupam cargos de liderança que o prejuízo por um assédio cometido é para ambos os lados. Perde o colaborador, mas perde principalmente a empresa.
*O autor é coach de carreira e consultor empresarial