
Vinícius Figueira*
Quando nossos olhos percorrem as linhas da entrevista dada pela “Mãe do Theo”, um dia após o sepultamento do filho, vítima de complicações a partir da infecção causada por uma bactéria, após surto em uma creche de Vila Velha, logo eles são lubrificados por lágrimas de comoção por tamanha manifestação de fé e serenidade.
A “Mãe do Theo” deixa para os capixabas uma lição de profundidade, por ser incapaz de questionar a morte do seu pequeno. Ela se conteve ao contemplar a partida, iluminada por uma força sobrenatural, que a fizesse compreender que a morte tem poder de cura, tem o poder de aliviar todo e qualquer sofrimento. Logo, a morte também é uma forma de Deus amar.
A “Mãe do Theo” exprime para todos nós o tamanho do amor materno incondicional, capaz de implorar, se possível fosse, uma troca de dor para ver o filho aliviado.
A “Mãe do Theo” revelou que nenhum questionamento antropológico será capaz de responder ou cicatrizar o “corte umbilical” provocado pela morte, mas a capacidade de acolher a realidade, nua e crua, dolorosa e sofrível.
A “Mãe do Theo” ensina que ter olhos para o belo que circundou a vida do seu filho, revelado no cuidado dos educadores, sempre será o necessário e o essencial para que ele fique eterno em sua vida.
A “Mãe do Theo” nos educa que não é encontrando culpados para as intempéries da vida que resolveremos os problemas do cotidiano, mas acreditando que tudo tem seu tempo.
A “Mãe do Theo” nos ensina que somente uma vida cheia de Deus é capaz de preencher os vazios criados pelas situações que nos tiram algo que achamos que nos pertence.
A “Mãe do Theo” nos fez compreender que o milagre é uma forma de o mistério fazer parte da nossa vida, ou ainda que “o mistério está é na tua vida” (Mário Quintana);
Finalizando a entrevista, chegamos à conclusão de que a “Mãe do Theo” transpirou divindade em cada palavra proferida, em cada expressão, em cada ponto. A força da “Mãe do Theo” nos faz mais fortes quando nos sentirmos fracos.
*O autor é publicitário