
Sandro Roberto Campos*
Conforme recente artigo publicado em A GAZETA, em 28 de abril, ousamos respeitosamente discordar da íntegra do seu teor. As “pequenas” unidades policiais são a esperança para muitas comunidades e fortalecem e integram a polícia no exercício de seus papéis.
Mas o que significa ser partidário da filosofia de polícia comunitária? Trata-se, conforme conceito de Robert Trojanovicz e Bonie Bouqueroux, de filosofia e estratégia organizacional que busca a aproximação das forças policiais para que juntas possam identificar, priorizar e solucionar problemas criminais e não criminais.
A filosofia é internacionalmente consagrada, como constatam Jerome Skolnick e David Bayley, autores renomados com farta literatura que baliza seus aspectos ao redor do mundo. Asseveram que há quatro elementos principais a serem observados: a reorientação do patrulhamento, foco, responsabilização nas comunidades e a descentralização do comando.
As unidades policiais citadas entram nesse contexto. Descentralizadas e próximas das comunidades, geram referências e pontos de apoio aos demais processos de policiamento. No Japão, desde 1874, os postos policiais denominados Kobans e Chuzaishos estão disseminados em todo país, sendo uma das maiores referências do mundo em polícia comunitária.
A fixação e a descentralização do efetivo são eficazes para que as polícias mantenham-se em contato permanente às comunidades. Do contrário, como alega o autor, acabamos optando pela “viaturização”, afastados das comunidades e atendo-se tão somente aos chamados via rádio e ao tempo resposta. O autor do artigo apontou dificuldades numéricas de contingente e sua “solução” passa por uma política reducionista que gera nocivos impactos e substituem as relações presenciais pela virtualização.
Recentemente, a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ) publicou a Diretriz Nacional de Polícia Comunitária que aponta a necessidade da fixação do efetivo e a territorialização do policiamento. Um avanço contemporâneo para todo o território nacional. Mas movimentos contrários ainda insistem em manter o convencional para tratar de assuntos complexos.
Enfim, ser partidário da filosofia de polícia comunitária significa apoiar aos anseios das comunidades e manter-se próximo a estas. A distopia gerada em função da distância sugerida pelo autor demarca aspectos tradicionais e longe das vicissitudes contemporâneas que exigem soluções criativas e com foco no real epicentro dos problemas criminais: o dia a dia da população.
*O autor é major da PMES e chefe da Divisão de Polícia Comunitária