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Anchieta: o santo que promoveu a paz entre conquistadores e nativos

O reconhecimento público do humanista tem forma ampla na sociedade, muito antes de a Igreja coloca-lo entre os santos

Publicado em 19/06/2019 às 14h27

Padre José de Anchieta

Kleber Galvêas*

No Brasil, especialmente no litoral que vai de Pernambuco até São Paulo, Anchieta é nome comum de homens, academias literárias, escolas, grêmios estudantis, empresas diversas, veículos de comunicação, teatros, bibliotecas, museus, palácios, estradas, ruas, bairros, cidades... O reconhecimento público do humanista tem forma concreta e ampla na sociedade brasileira, muito antes de a Igreja coloca-lo entre os santos.

Homem extraordinário, influenciou a formação do nosso país, e o desenvolvimento de diversas áreas da cultura nacional.

O pai de Anchieta pertencia a uma família nobre de Guipuzicoa, que faz parte da região dos Bascos. Desavenças com Carlos V levaram-no a emigrar para Tenerife, Ilhas Canárias. Lá encontrou uma viúva, com a qual se consorciou e que veio a ser a mãe de Anchieta.

Um dos homens mais cultos do Ocidente no século XVI, foi Anchieta quem pela primeira vez descreveu cientificamente plantas e animais da América; a função da bolsa dos marsupiais; os canais e glândulas de veneno das serpentes; e classificou o tapir, ou anta, entre os equinos. Superdotado, em dois anos, foi feito jesuíta e, com 19, veio para o Brasil. Dois anos aqui foram suficientes para que escrevesse a primeira gramática da língua Tupi. Autor teatral, poeta, cronista, orador brilhante, lecionou e dirigiu colégios que criou na Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Colaborou decisivamente na fundação de cidades e das capitais de três desses Estados.

Chefe de Guerra, nomeou Tibiriçá capitão, e, liderando os Guianás, expulsou para Ubatuba os Tamoios que os sitiavam. Diplomata destemido, apresentou-se com as mãos amarradas (“payé – guaçú”) e permaneceu como refém dos Tamoios até conseguir a paz. Foi quando escreveu extenso poema dedicado a Nossa Senhora.

Para combater Villegagnon, engajou Arariboia e seus bravos na Prainha de Vila Velha. Cena pintada por Levino Fanzeres em grande tela, como contribuição do Espírito Santo às comemorações do Centenário da Independência, em 1922. (Existente no hall da Assembleia Legislativa, Vitória)

Gozando de imenso prestígio no Brasil, que estava ajudando a construir, Anchieta valorizou o elemento autóctone, nos influenciando para que a relação entre conquistadores e nativos fosse mais humana e menos ideológica, de integração e não de segregação, como ocorreria principalmente na América do Norte, Venezuela, Uruguai e Argentina.

*O autor é pintor e escritor

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