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Geraldo Nascimento

Artigo de Opinião

É editor-chefe de A Gazeta e CBN Vitória
Geraldo Nascimento

A Gazeta faz 30 anos no digital: a aposta pioneira que conquistou o protagonismo

Essa longevidade mostra que o pioneirismo verdadeiro não é um evento isolado, fruto de sorte, mas uma postura contínua de adaptação e coragem
Geraldo Nascimento
É editor-chefe de A Gazeta e CBN Vitória

Publicado em 23 de Maio de 2026 às 11:20

Publicado em 

23 mai 2026 às 11:20

A Gazeta chegou ao mundo digital em 1996, numa época em que poucas redações sonhavam com presença online. Nasceu como Gazeta Online num gesto de aposta no futuro e acabou abrindo caminho para o jornalismo em tempo real no Espírito Santo. Três décadas depois, essa decisão inicial da Rede Gazeta se provou acertada e inovadora: o portal evoluiu, incorporou novas linguagens e tornou-se canal principal de informação para milhões de usuários capixabas. 


O marco de hoje não celebra apenas a longevidade de um site, mas a capacidade de uma redação de se adaptar a sucessivas transformações tecnológicas sem perder sua identidade. De uma equipe jovem e alegre no cantinho da redação, experimentando coisas novas, pavimentando o terreno, ao centro do jornalismo digital do Estado.


Quando o projeto nasceu, em 1996, a internet ainda era limitada, cara e pouco acessível para a maior parte do público. A conexão com o provedor ainda fazia um barulho esquisito e peculiar do modem e as pessoas “entravam na internet”. Mesmo assim, a aposta foi clara de levar o jornalismo da marca para o ambiente digital antes que isso se tornasse uma exigência do mercado. A decisão colocou A Gazeta entre os nomes pioneiros dessa transição no Estado e também no país. Para se ter uma ideia, o site nacional UOL nasceu um mês antes do então Gazeta Online, em abril de 1996. O que parecia uma experiência de futuro acabou se tornando parte do cotidiano de quem vive no Espírito Santo.

Página inicial do Gazeta Online em 1996
Página inicial do Gazeta Online em 1996 Arquivo/A Gazeta

Uma aposta pioneira

No início, o desafio não era apenas técnico. Era também cultural. Explicar para a redação, para a empresa e para o público que a notícia deixaria de estar restrita ao papel e passaria a circular em outro ritmo, com atualização contínua e acesso no instante em que era produzida. Essa mudança exigiu aprendizado, investimento e disposição para testar caminhos que ainda não estavam prontos e muitos nem desenhados.


O valor desse movimento aparece com nitidez olhando para trás. A Gazeta não entrou no digital apenas para “estar na internet”; entrou para descobrir como o jornalismo poderia funcionar ali, com maior velocidade, mais interatividade e novas possibilidades de linguagem. Isso ajuda a explicar por que o site ganhou relevância muito além de uma simples vitrine do jornal impresso.

Do experimento ao hábito

Com o passar dos anos, o que era novidade virou rotina. O site deixou de ser uma extensão do impresso e passou a ocupar o centro da operação jornalística, com atualizações ao longo do dia e cobertura pensada para quem acompanha as notícias pelo computador e, depois, pelo celular. 


A reformulação de 2019 foi um marco com a transição definitiva para formatos digitais e a aposentadoria da edição diária em papel que consolidaram o site, com a TV Gazeta e a CBN Vitória, como o núcleo da operação informativa da Rede Gazeta. Além de reposicionar a marca para uma lógica mais conectada aos hábitos do público, o que vem fazendo até hoje.


A Gazeta conseguiu unir o repertório de um veículo histórico com a agilidade exigida pelo consumo de informação em tempo real. O resultado foi uma plataforma mais dinâmica, capaz de acompanhar o ritmo da vida cotidiana sem abrir mão da credibilidade construída há quase 100 anos.

Formato atual de A Gazeta no desktop e no celular
Formato atual de A Gazeta no desktop e no celular Arte: Haelly Dragnev

Relação com o capixaba

Um dos traços mais fortes dessa trajetória é a proximidade com o leitor do Espírito Santo. A Gazeta não se limitou a informar. Buscou participar da conversa pública do Estado, cobrindo temas que impactam diretamente a vida das pessoas. Essa presença constante ajudou a consolidar a percepção de que o site não é apenas “sobre” o Espírito Santo, mas participa da rotina capixaba.


Esse vínculo se fortaleceu com a ampliação dos canais de acesso e distribuição, da versão transpositiva dos primeiros anos à adoção de formatos multimídia e redes sociais, newsletters além de plataformas de áudio e vídeo. Isso tornou a informação mais direta, mais rápida e mais acessível. Em vez de depender de uma única forma de consumo, o conteúdo passou a chegar por múltiplas portas, acompanhando a mudança de comportamento do público.

Alcance em todo o Estado

A força de A Gazeta no digital também está na abrangência geográfica. Nesses 30 anos, o site deixou de ser um endereço centrado na Grande Vitória para se afirmar como referência estadual, alcançando leitores de diferentes regiões do Espírito Santo, de Norte a Sul. Isso é importante porque amplia o papel do veículo e ajuda a conectar a população do Estado em torno de assuntos comuns.


Com essa presença mais ampla, o site passou a ser uma espécie de ponto de encontro informativo, reunindo notícias, análises e serviços em uma plataforma de acesso permanente, 24 horas, 7 dias por semana, desde 23 de maio de 1996.


Os 30 anos de A Gazeta no digital mostram que o pioneirismo verdadeiro não é um evento isolado, fruto de sorte, mas uma postura contínua de adaptação e coragem. O site sobreviveu a mudanças profundas no consumo de notícias, atravessou reformulações e segue relevante porque entendeu cedo que tecnologia e jornalismo precisam caminhar juntos.


Hoje, o aniversário simboliza mais do que um número redondo. Representa parte da história de um veículo que mostra ao Espírito Santo como a notícia pode circular de maneira mais rápida, mais próxima, com credibilidade e profissionalismo. Mudou a nossa forma de entregar o conteúdo, mas não a nossa essência, o nosso compromisso com a informação. E talvez esse seja um dos maiores legados desses 30 anos que projeta também o futuro: mostrar que inovação faz muito sentido quando continua servindo às pessoas e, no nosso caso, trabalhando para melhorar a vida do capixaba.


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