*Chequer Hanna Bou-Habib
Conheci o Albuíno quando me mudei com minha família para Vila Velha, em 1963. Ele morava com a avó, em Jaburuna. Na casa dela podíamos ler sobre a porta de entrada "Lar de Sofia" (antigamente, as pessoas, principalmente as mais humildes, tinham por hábito pregar uma placa com o nome do proprietário da casa na porta de entrada).
Tínhamos quase a mesma idade, e o garoto magrelo já abrira para si as portas da Universidade Federal do Espírito Santo para o curso de engenharia. Isso depois de ter sido aprovado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em São Paulo e desistido do prestigioso curso decepcionado com a discriminação que sofria naquele instituto militar.
Os moradores mais antigos de Vila Velha vão se lembrar. Albuíno era tido como uma das pessoas mais inteligentes da cidade. Quem, no anos 60, conhecia aquele garoto, apostava num futuro brilhante.
Para custear seus estudos era professor à noite e eu mesmo fui seu aluno de matemática em 1966. Engenheiro reputado como inteligentíssimo, e de elevado poder criador, sua carreira na então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) foi brilhante. Fundador da empresa de consulta em projetos ferroviários Enefer, que existe ainda hoje, ali trabalhou por vários anos.
Tendo abraçado a política foi secretário de Estado no Espírito Santo e depois governador. Na universidade, como na Vale, na Enefer ou no Estado sua inteligência privilegiada será sempre a sua marca. E, em sua família, a figura de pai exemplar ficará intocada.
*Foi colega de Albuíno em Vila Velha e na Vale