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Vitor Vogas

Ana Amélia contra o voto figadal

Em visita ao ES, a senadora procurou apresentar o ex-governador de São Paulo como opção viável de centro, posicionada entre os extremos como uma alternativa ao eleitor

Publicado em 18 de Setembro de 2018 às 22:29

Públicado em 

18 set 2018 às 22:29
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Apresentando Geraldo Alckmin como um “pacificador”, a senadora Ana Amélia (PP-RS), vice na chapa do candidato tucano à Presidência, fez corpo a corpo com eleitores capixabas no Centro de Vitória na tarde de ontem. Ela destacou características de Alckmin como equilíbrio, moderação e credibilidade para defender que ele tem o perfil certo para governar o Brasil neste momento marcado por conflitos e por radicalismo político entre petistas e bolsonaristas.
A senadora procurou apresentar o ex-governador de São Paulo como opção viável de centro, posicionada entre os extremos como uma alternativa ao eleitor que não deseja votar nem no candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), nem no da esquerda petista, Fernando Haddad. Ambos lideram, nessa ordem, a pesquisa Ibope divulgada ontem – respectivamente, têm 28% e 19% –, enquanto Alckmin caiu para 7% das intenções estimuladas de voto nesse último levantamento do instituto.
Ana Amélia pisou em Vitória cinco dias após o próprio Alckmin. Na última quinta, durante sua passagem por aqui, o tucano afirmou que acredita ser essa uma “campanha de chegada”, ou seja, que ele crescerá bastante nestas últimas semanas de campanha. Para isso, Ana Amélia aposta no bom senso e na racionalidade dos eleitores, que, segundo ela, vão pensar bem no futuro do país e de suas famílias na hora em que botarem a cabeça no travesseiro para decidir em quem votar.
“Eu não acredito que vai haver uma decisão pelo coração ou pelo fígado. Nós temos que decidir com a consciência e com a responsabilidade de que temos que decidir o futuro deste país, que não pode ficar dividido entre ‘nós’ e ‘eles’, entre radicalismos de um lado ou de outro”, declarou a vice de Alckmin.
Além de senadora, Ana Amélia é jornalista por formação. Nessa condição, foi instada pela coluna a avaliar a performance de Alckmin em termos de comunicação na campanha. O tucano é conhecido por seu carisma limitado, pelo jeito contido de falar e pelo estilo sereno, às vezes excessivamente sereno, que não empolga muito o grande público – algo que o prejudica, na medida em que precisa conquistar eleitores indecisos. A própria Ana Amélia foi mais contundente e mais vibrante que Alckmin nas respectivas entrevistas em Vitória.
Para a senadora gaúcha, porém, Alckmin não pode nem deve mudar de tom, justamente porque seu estilo seria o mais adequado para o Brasil neste momento em que o país precisa de pacificação.
“Ele não pode mudar o seu tom de voz. Ele não pode ser diferente. Porque as pessoas estão vendo candidatos que gritam, vociferam para defender as suas ideias, atacam, agridem. Mas não é esse o Geraldo Alckmin que todo mundo conhece. É o homem da paz, é o homem da moderação, é o homem do equilíbrio...”
No momento, ele pratica esse equilíbrio sobre a corda bamba nas pesquisas.
Contarato no radar
Sinal amarelo aceso na coligação que reúne Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (PSDB). A coluna averiguou que o clima é de preocupação e atenção redobrada ante o crescimento de Fabiano Contarato (Rede). Com base em informações internas, o delegado passa a ser encarado como potencial ameaça na corrida ao Senado. Não só a Ferraço, mas também a Magno Malta (PR).
A reação planejada
Casagrande já aparece em inserções ao lado de Ferraço pedindo votos para ele. A nova ordem é intensificar atividades de campanha conjuntas e de massa. Para a semana que vem, preparam um amplo comício para o qual serão convidados todos os vereadores das 78 cidades.
Sinais!
Na propaganda eleitoral levada ao ar na última segunda, como parte da estratégia para reforçar sua imagem de candidato que não faz parte da política tradicional, a campanha de Aridelmo Teixeira (PTB) procurou associá-lo aos protestos de rua de 2013. Em seus 31 segundos de TV, seis jovens se alternam na tela para dizer o texto: “Estão dizendo por aí que a gente não vira este jogo. Dá pra acreditar? (...) Logo a gente, que lutou tanto pra mudar a velha política”. E por aí vai.
Fortes sinais!
O primeiro jovem é filho da chefe da comunicação da campanha, a marqueteira Bete Rodrigues. Só pode ser sinal de contenção de gastos.
Plenariômetro
Adivinhem? Por falta de quórum, a sessão plenária da Assembleia acabou ontem com 35 minutos de duração.
Falha de digitação
Na segunda, publicamos que o PSB foi cassado em 1985. O correto é 1965.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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