O deputado estadual Amaro Neto em sessão na AssembleiaCrédito: Lissa de Paula/Ales
Legenda atual do deputado estadual Amaro Neto, o Partido Republicano Brasileiro (PRB) é considerado o braço político-eleitoral dos donos do Grupo Record e dos líderes da Igreja Universal do Reino de Deus. Na última quarta-feira (1º), atendendo a uma determinação do presidente nacional do PRB e ex-executivo da emissora, Marcos Pereira, Amaro decidiu trocar a candidatura ao Senado por outra, menos cobiçada, à Câmara Federal.
Para a coluna, o deputado confirmou um comentário forte nos bastidores: o seu ingresso no partido, em março, passou diretamente por uma proposta dos dirigentes para que ele tenha um programa ou algum tipo de inserção na programação nacional da emissora, na linha do deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP).
Conforme Amaro revelou à coluna, a proposta foi reforçada, na última quarta-feira, pelo próprio Marcos Pereira, durante a conversa decisiva dos dois em Brasília, no gabinete da liderança do PRB na Câmara dos Deputados. A possibilidade de um espaço na grade nacional foi um dos argumentos usados por Pereira para convencer Amaro a desistir da candidatura ao Senado.
"O Marcos me disse que, como senador, eu teria dificuldade (em conciliar o mandato e um programa de TV na emissora). Já como deputado, isso seria chancelado. (...) Ele só ponderou que, como federal, eu teria mais tempo para fazer alguma coisa como o Russomanno", conta Amaro.
O deputado faz questão de ressalvar, no entanto: "O Amaro político é o Amaro político; o Amaro apresentador é o Amaro apresentador".
Confira abaixo a entrevista do deputado:
Sua decisão de trocar um lugar no Senado por outro na Câmara passou pela Record? É verdade que a emissora ofereceu ao senhor um bom contrato para apresentar um programa em Brasília?
A minha conversa com o PRB tem um quê de Record também. Mas isso foi conversado na minha entrada no partido (em março). E foi reforçado ontem (na quarta-feira, dia 1º). O Marcos me disse que, como senador, eu teria dificuldade (em conciliar o mandato e um programa de TV na emissora). Já como deputado, isso seria chancelado.
Qual é a proposta exatamente?
Uma participação, alguma coisa. Uma entrada na rede nacional. Acredito que posso contribuir para o jornalismo da emissora, como já contribuí com outras. Ainda não tenho contrato com a Record. Tenho uma promessa de facilitar o trabalho com a Record em Brasília, em Goiás, em São Paulo, onde for. Ele (Marcos Pereira) só ponderou que, como deputado federal, eu teria mais tempo para fazer alguma coisa como o (Celso) Russomanno.
Como senador, fica mais difícil?
Fica. Porque, no Senado, são só 81. Eu participaria de muitas comissões. Na Câmara, eu não vou participar de tantas comissões, principalmente sendo deputado em primeiro mandato… Mas quero destacar, como sempre fiz questão de deixar claro: o Amaro político é o Amaro político; o Amaro apresentador é o Amaro apresentador.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.