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Vitor Vogas

Amaro Neto ou Ricardo Ferraço?

Em coletiva no Palácio na última terça, PH estava levinho, levinho. Quem o viu nos dias seguintes o percebeu ainda mais leve. Será que a candidatura à reeleição estava pesando sobre os ombros?

Publicado em 12 de Julho de 2018 às 22:35

Públicado em 

12 jul 2018 às 22:35
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Crédito: Amarildo
Amaro Neto (PRB), Ricardo Ferraço (PSDB) ou César Colnago (PSDB)? Na roda da fortuna eleitoral, um dos três deverá ser candidato a governador no lugar de Paulo Hartung (MDB), com amplo favoritismo, hoje, para os dois primeiros. Por isso, a coluna hoje avalia as chances, os prós e os contras de cada um dos dois favoritos para a vaga.
Parte dos integrantes do grupo político de Hartung que estão a tomar essa decisão manifesta preferência pelo nome de Ferraço, enquanto outra parte se inclina para Amaro.
Entre os integrantes da base governista, é ponto pacífico que, em termos de competitividade (ou “densidade eleitoral”, como eles gostam de dizer), Amaro é quem sai maior na largada, com melhores índices de intenção de voto. Isso, logicamente, em razão de sua maior popularidade, sobretudo na Grande Vitória, proporcionada pelo programa de TV apresentado por ele.
Além disso, para defensores da solução Amaro Neto, o deputado simboliza muito mais do que Ferraço a ideia de ruptura com as elites políticas e se apresenta como o “novo” com mais facilidade. “Se você coloca o Ricardo, fica muito parecido com a ideia de que foi o Paulo Hartung quem o escolheu. Quanto mais dissociado do modelo tradicional de fazer política, melhor”, elabora um amarista. Por essa lógica, quanto mais dissociada a imagem do candidato em relação a Hartung, mais chances ele terá de êxito.
Por outro lado, pesa bastante contra Amaro a falta de experiência política e principalmente administrativa de quem tem no currículo apenas um mandato de deputado estadual por terminar e jamais exerceu nem sequer um cargo como gestor público. É um ponto que certamente será explorado por adversários caso seja ele o substituto do governador. O famoso “chegou outro dia e já quer se sentar na janelinha”. Ou, para ser mais preciso, no assento do condutor.
Esses itens que representam lacunas na ficha de Amaro são preenchidos por Ricardo Ferraço. Aliás, os dois são perfeitos opostos tanto nos prós como nos contras.
O senador possui justamente a experiência, a bagagem e o preparo que hoje faltariam ao deputado. Por outro lado, é bem menos popular, especialmente na Grande Vitória. Filho de Theodorico Ferraço (DEM), Ricardo também é muito mais associado à ideia de status quo e de elites políticas tradicionais. E é muito mais identificado politicamente com Paulo Hartung, de quem foi secretário de Agricultura e vice-governador de 2007 a 2010. Resta saber se essa afinidade com Hartung será um ativo ou um passivo.
Com relação à atração de apoios, com certeza é uma vantagem. Pode-se dizer que toda a classe política e empresarial que estaria com Hartung não terá a menor dificuldade em transferir esse apoio automaticamente para Ferraço. Por sinal, integrantes do bloco governista destacam justamente a capacidade de agregação do senador, sem dúvida maior que a de Amaro. Por outro lado, toda essa identificação com Hartung pode ser um ponto negativo dentro da perspectiva da busca de uma “novidade eleitoral” e na medida em que pode afastar de Ferraço os votos consolidados do eleitorado anti-Hartung.
Mas a vaga pode acabar caindo mesmo é no colo de Colnago. Consciente da hesitação dos dois primeiros – cuja “preferência” ele respeita –, o tucano pôs as asas de fora e está animado para bicar a vaga. Diga-se de passagem, mais animado que Ferraço e que Amaro. Por isso, será objeto de análise mais detida na sexta-feira.
Certeza virou engano
Assim como toda a torcida do Flamengo, César Colnago estava convencido de que Hartung seria candidato à reeleição. O vice chegou a dizer várias vezes ao governador que ele (Hartung) não teria escolha: seria obrigado a se candidatar. Hartung chegou a sinalizar para Colnago que poderia não disputar. Mas o vice, como quase todos, não deu crédito.
Surpresa
Colnago soube da decisão de Hartung somente na segunda-feira de manhã, em reunião com aliados na residência oficial, convocada pelo governador no sábado. Ali já se especularam nomes. Nesse primeiro momento, Colnago não se colocou. Deu a preferência para Amaro e Ferraço, por serem eles pré-candidatos ao Senado.
Pensando melhor
Diante da relutância de Amaro e de Ferraço, Colnago mudou de ideia e entrou definitivamente no páreo. Ele continua respeitando a preferência de ambos, pois chegaram primeiro. Mas, se nenhum dos dois topar assumir a cabeça da chapa, o tucano pega a vaga na hora.
Barata-voa turbo
O receio maior de Colnago é que, chegando o período das convenções, Ferraço e Amaro mantenham candidatura ao Senado, sem que o grupo possua um plano C para o governo. “Seria um barata-voa ainda pior do que agora”, projeta fonte com trânsito na Vice-Governadoria.
“Vou me colocar”
Na manhã de quarta, após expor sua decisão a um líder espiritual, Colnago foi ao Palácio Anchieta e a comunicou pessoalmente a Hartung: “Vou me colocar”. Depois, reuniu-se com Amaro na Assembleia e falou por telefone com Ferraço. Ontem de manhã, os três conversaram a sós, no gabinete do senador em Vitória.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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