
Jorge Luiz Pontini Carretta*
Uma manhã de terça-feira, 12 de junho, Dia dos Namorados. Carros param, e a Terceira Ponte, responsável por ligar cidades e municípios, é interditada, um rápido silêncio antes de o desespero tomar conta do vão central. As mensagens nos aplicativos de comunicação disparam: é tentativa de suicídio!
De forma discreta, sem estardalhaço, as primeiras viaturas da Rodosol, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar começam a se posicionar no local para uma operação de resgate que durou cinco horas.
No ranking da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil já ocupa o oitavo lugar com mais suicídios. Infelizmente, o país não conta com nenhum plano estratégico que possa mudar esta triste realidade de pessoas que comentem qualquer tipo de atentado contra a própria vida. O fato ocorrido na Terceira Ponte foi inédito tanto pelo tempo do resgate, passando pela interdição de uma das principais vias da Região Metropolitana, até o sucesso da operação montada.
O fato ocorrido colocou em xeque também a paciência e a empatia da população capixaba. Nos grupos e conversas de mensagens eletrônicas, a vítima que foi resgatada com êxito pulou da ponte ou foi morta diversas vezes
De fato, os órgãos governamentais, o poder público e a própria concessionária precisam intervir de forma política ou técnica para que seja tomada uma solução definitiva no que diz respeito à proteção da Terceira Ponte.
Deve ser esquecido ou colocado de lado, pelo menos por um instante, as vontades políticas e eleitorais no que diz respeito à instalação de telas ou barreiras de proteção no local. Nesse caso, não importa mais de quem é a ideia ou o projeto, mas sim a atitude que deve ser tomada para a proteção da vida.
Esta ação pode fazer com que o Espírito Santo se torne referência para o Brasil em políticas públicas ou planos estratégicos de proteção à vida.
O fato ocorrido colocou em xeque também a paciência e a empatia da população capixaba. Nos grupos e conversas de mensagens eletrônicas, a vítima que foi resgatada com êxito pulou da ponte ou foi morta diversas vezes. Criaram-se várias “fake news”, como a de que a vítima também seria um policial militar que havia terminado um relacionamento. Mas o tal policial nem no Estado estava!
É preciso ter mais empatia e paciência. Todos temos tarefas e compromissos, e é óbvio que o trânsito atrapalha a todos. Mas não podemos converter este sentimento em ódio. É preciso converter em paciência e confiança na vida alheia.
Poucos devem saber, mas felizmente temos profissionais civis e militares extremamente cheios de empatia e confiança, pessoas discretas, pouco conhecidas e percebidas, gente que não faz estardalhaço, mas que dão conta da missão quando o assunto é salvar uma vida, a vida alheia!
*O autor é servidor público formado em Relações Internacionais e Ciências Políticas com ênfase em Diplomacia pela Universidade de Curitiba