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Vitor Vogas

A risada reveladora de Max Filho

Max Filho foi sondado pelo presidente da Câmara de Cariacica, César Lucas (PV), em uma padaria de Vila Velha. Mas o presidente estadual do PV, Fabrício Machado, diz não haver convite oficial

Publicado em 01 de Março de 2018 às 21:51

Públicado em 

01 mar 2018 às 21:51
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Crédito: Amarildo
Às vezes uma risada vale mais que mil palavras. Foi assim, por exemplo, quando perguntamos a César Colnago (PSDB), em janeiro, em meio a sua maratona pelo Estado como governador em exercício, se ele estava em ritmo de campanha. Colnago respondeu com uma reveladora gargalhada. Agora é a vez de Max Filho (PSDB, por enquanto). Indagado pela coluna ontem se ele é mesmo pré-candidato ao governo, o prefeito de Vila Velha respondeu assim:
“Ouvi da senadora Rose de Freitas a seguinte expressão: ela tem a determinação de ser candidata a governadora. Ela tem uma missão pessoal e intransferível. A determinação que ela tem eu não tenho. Mas tenho a disposição de ser candidato. A determinação eu não tenho... ainda”, afirmou Max Filho. E deixou escapar uma risada.
Resta evidente que, no que depender de Max, ele será mesmo candidato a governador do Estado. Cada vez que ele conversa com a coluna, essa certeza parece mais clara. Nos bastidores, como tem pouco mais de um mês para se viabilizar, o prefeito corre contra o tempo em uma série de diálogos e movimentações intensas. Na noite da última quarta-feira, em reunião na Prainha com integrantes do seu grupo político, Max declarou publicamente, pela primeira vez, essa “disposição” de disputar a cadeira hoje ocupada pelo governador Paulo Hartung (PMDB) e também cobiçada por outros como a própria Rose (PMDB) e o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
Questionado pela coluna, Max confirmou ter anunciado aos aliados que é pré-candidato ao governo. “Sim. Sou pré-candidato. Até 7 de abril eu posso ser. Há prazos na legislação eleitoral que precisam ser respeitados. Depois de 7 de abril, eu não saindo da prefeitura, fico inelegível.”
Além da vontade manifesta, Max fornece outros sinais de que seu caminho é a renúncia ao cargo de prefeito seguida por candidatura ao governo. O primeiro e mais importante deles: Max já começa a sublinhar virtudes do seu vice, Jorge Carreta (PSDB), e a destacar realizações do curto período em que Carreta esteve no leme da administração de Vila Velha, como prefeito em exercício, durante as férias do titular em janeiro. Max faz isso, logicamente, para dissipar as dúvidas naturais de que Carreta não esteja preparado para governar a cidade. Afinal, tem pouca experiência administrativa, nunca se elegeu para nada além de vice de Max e, antes de chegar à prefeitura, era assessor de gabinete do atual prefeito na Câmara dos Deputados. Se Carreta está preparado ou sendo preparado por ele? Max responde com estas palavras:
“A coisa está entrando no piloto automático. Quando saí de férias agora em janeiro, aconteceram coisas importantes na gestão de Carreta. Foi feita, depois de muitos anos, a nova licitação do contrato de coleta de lixo e a licitação de áreas verdes da cidade. As duas fecharam durante a interinidade do Carreta. Olha que coisa boa! Ontem (quarta) ele participou da reunião do nosso grupo.”
Além disso, Max faz questão de salientar que tem mobilizado suas bases, ouvido muita gente, inclusive vereadores e, vejam só, até o presidente da Câmara Municipal, Ivan Carlini (DEM). Segundo Max, ao lado de outros sete vereadores, Ivan também tomou parte na reunião de quarta-feira e manifestou apoio aberto à eventual candidatura do prefeito ao governo, caso Max decida renunciar.
“Ivan manifestou apoio da Câmara ao prefeito se eu decidir ficar e se decidir sair. E, na eventualidade de uma saída minha, já manifestou apoio ao Jorge Carreta”, relatou o próprio Max Filho. “Estamos ampliando o processo de escuta”, completou o prefeito. O palpite da coluna é que Max é mais candidato que nunca.
Max/Rose/Audifax/Gilson
Outro sinal forte de que os planos de Max Filho apontam para o Palácio Anchieta é que, nos últimos dias, ele tem se reunido em ritmo acelerado com líderes políticos do Estado fora do campo de adesões ao governador Paulo Hartung. Max diz ter estado em volta da mesma mesa, na semana do carnaval, com Rose de Freitas, Jorge Carreta, o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e o prefeito de Viana, Gilson Daniel (Podemos).
Pé na estrada
Por fim, há a movimentação intensa de Max nos últimos dias, até em municípios fora da Grande Vitória. Ontem à noite, no momento em que atendeu a coluna, o prefeito se dirigia de carro para Aracruz, para participar do evento de lançamento da pedra fundamental do setor de imagem do Pronto Atendimento do SUS, capela ecumênica e reinauguração do PA.
Todos querem sua lasca
Ele explicou que, como deputado federal, destinou emenda de R$ 1,033 milhão a essa obra no Orçamento da União. O evento também constava da agenda oficial de compromissos do governador Paulo Hartung. “Não era evento do governo estadual?”, perguntamos ao prefeito. “É mais do governo federal, obra feita mais com recursos federais”, retrucou Max.
Plano Majeski abortado
Na prestação de contas de Sergio Majeski na noite de quarta-feira, Luiz Paulo revelou, em discurso, que o PSDB teria trabalhado para lançar Majeski governador se o grupo deles tivesse vencido a convenção estadual do partido em novembro passado. Agora ambos estão de saída do ninho tucano. Em outro momento, Luiz Paulo (pré-candidato a deputado federal pelo PPS) brincou que, se Majeski fosse candidato ao mesmo cargo, até ele, talvez, votaria no colega.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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