Megaoperações esporádicas têm desmantelado ações do narcotráfico transnacional, como a Antigoon, que atingiu o Porto de Vitória na semana passada. Uma pessoa acabou presa no Estado. Mas é preciso ir mais a fundo. Especialistas afirmam que as apreensões de drogas costumam ser só a ponta do iceberg.
A repressão ao tráfico internacional só terá êxito com mais controle e fiscalização nos portos. A vulnerabilidade dos complexos portuários é um atrativo para quadrilhas multinacionais, mobilizando um mercado ilegal que corrompe funcionários e empresários do setor de importação, escancarando as portas para que a cocaína produzida nos países que fazem fronteira com o Brasil ganhe o mundo. A Europa, principalmente.
É uma sucessão de falhas: a droga entra no país com facilidade, dada a fragilidade das fronteiras terrestres nas regiões Norte e Centro-Oeste. Tampouco há barreiras para que chegue ao litoral. Os obstáculos precisam existir e só serão possíveis com mais sinergia entre as polícias Federal, Militar e Civil, o que deveria ser rotina. Também é imprescindível o investimento em inteligência, para aumentar a capacidade de antever os passos dessas quadrilhas, muito bem articuladas e financiadas. Seus múltiplos tentáculos em setores do empresariado, da política e até mesmo da polícia dificultam a sua derrubada. Esse é de longe o maior desafio.
O Espírito Santo já tem problemas suficientes - não só de segurança pública - a serem superados. Não pode permitir que seu complexo portuário, ainda tão carente de investimentos para deslanchar, esteja à mercê do crime organizado. É preciso agir antes que se entranhe ainda mais.