
Fernando Caio Galdi*
Escrevo este texto antes de saber o desfecho do primeiro turno das eleições de 2018. Contudo, não tenho dúvidas de que, além do resultado da corrida presidencial, a configuração resultante da Câmara dos Deputados e do Senado Federal vai influenciar sobremaneira o necessário ajuste econômico para colocar o Brasil de volta na rota do crescimento. Sejam eles quem forem, os novos governantes terão imensos desafios. Se quiserem cumprir minimamente suas promessas de diminuir o desemprego, melhorar a saúde, a segurança e a educação, precisarão, antes de tudo, ajustar as contas do governo.
Não será um ajuste fácil. O próximo governo herdará um elevado endividamento (em agosto deste ano, a dívida bruta do governo geral estava em torno de 77% do PIB) e assumirá com déficit estimado em 139 bilhões para 2019, com trajetória crescente e explosiva se nada for feito. Esse desequilíbrio fiscal, somado à baixa produtividade e à falta de investimentos, tornam o cenário ainda mais desafiador. Reformas importantes precisarão ser aprovadas dentro de um ambiente de polarização política resultante da recente eleição e, portanto, o comportamento do novo Congresso Nacional será essencial.
É essencial que nos posicionemos e comecemos a cobrar o ajuste das contas de nossos representantes na Câmara e no Senado, para que seus posicionamentos sejam em prol do Brasil, e não o antigo e conhecido revanchismo político
Entre as reformas necessárias na área econômica, temos a previdenciária, a tributária, a do funcionalismo público e as privatizações, além de mudanças que levem para uma maior abertura comercial, melhoria do ambiente de negócios, maior competitividade no crédito e redução de benefícios fiscais.
De maneira a suplantar esses desafios, nossos eleitos precisam pensar coletivamente no Brasil e não no próprio umbigo. Sei que isso soa como utopia, mas essa é a realidade nua e crua. Caso o coletivo não se sobressaia, apontaremos para um caminho muito difícil que provavelmente nos levará a segurar a lanterna do desenvolvimento mundial pelas próximas décadas.
Assim, após este primeiro turno, é essencial que nos posicionemos e comecemos a cobrar o ajuste das contas de nossos representantes na Câmara e no Senado, para que seus posicionamentos sejam em prol do Brasil, e não o antigo e conhecido revanchismo político.
O ano de 2019 deverá ser o ano das reformas. Temos que nos conscientizar disso. Somente a união da sociedade brasileira, com a respectiva cobrança de nossos eleitos, poderá nos levar ao caminho correto. Devemos cobrar que nossos representantes estudem e entendam quais as mudanças que direcionam para o ajuste efetivo das contas públicas, e que barrem eventuais atos que sejam populistas e comprometam ainda mais as finanças do governo. Não será uma tarefa fácil ou popular, contudo é o único caminho que pode nos levar à salvação.
*O autor é doutor em Ciências Contábeis pela USP, professor da Fucape, sócio da AlphaMar Investimentos e comentarista da CBN Vitória