O Supremo, ao receber a denúncia contra Aécio Neves por corrupção passiva e obstrução de Justiça, cumpre seu papel institucional diante de acusações tão graves contra o senador. Sob tamanha suspeição, seria inaceitável livrá-lo de uma ação penal. A decisão unânime abre caminho para que o tucano responda pela sua conduta nada republicana registrada nas gravações de conversa com Joesley Batista, em março do ano passado.
A Justiça mantém assim seu compromisso com a isenção. A sociedade tem demandas bem definidas: exige que se investigue e se condene qualquer político envolvido em ilícitos, sem distinção. Caso se comprovem os crimes, o lugar de Aécio é na cadeia, onde já estão Lula, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha... A luta contra a corrupção deve estar acima de denominações partidárias e ideologias, como este jornal faz questão de ressaltar desde que a Lava Jato começou a mostrar resultados.
O tucano, que em 2014, numa eleição diputadíssima com Dilma Rousseff, viu-se às portas do Planalto, agora está sentado no banco dos réus. A Justiça é para todos...
Aécio também é investigado em outros oito inquéritos. Ainda não está condenado e tem nas mãos a chance de provar sua inocência. Como todos os julgados até agora, terá garantida a ampla defesa, balizada pelas normas constitucionais. Mas cercar judicialmente o senador é assegurar, mais uma vez, que a lei é para todos. Finalmente, essa máxima tem se tornado uma regra definitiva, não uma mera exceção. Há quem ainda insista na manutenção dos privilégios aos poderosos, mas a resistência que desde 2014 emerge da Lava Jato tem conseguido conter esses anseios com sucesso. Que continue assim.