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Vitor Vogas

É Casa ou PH? Em atos e palavras, governador eleito repete o atual

Assim como Paulo Hartung, Casagrande tem mostrado cuidado extremado com a manutenção do equilíbrio fiscal do Estado e buscado rebaixar expectativas de investimentos no primeiro ano de governo

Publicado em 30 de Novembro de 2018 às 01:00

Públicado em 

30 nov 2018 às 01:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Renato Casagrande e Paulo Hartung Crédito: Reprodução

Da série: é Casa ou PH? "A gestão fiscal é fundamental para que a gente possa alcançar a sensibilidade social e o ambiente de competitividade". A frase é de Casagrande. Mas bem poderia ser de Hartung. No plano de governo do socialista, um dos seis eixos é "responsabilidade fiscal e social" (juntas).

Essa ideia de que a responsabilidade social não vive sem a fiscal está na base deste terceiro governo de Hartung que está prestes a se encerrar. Para Hartung, a responsabilidade fiscal é justamente o que possibilita a responsabilidade social, já que um Estado quebrado não tem condições de prover à população aquilo que se espera dele. Essa ideia está expressa inclusive em artigos assinados por Hartung em publicações nacionais.

Nesse campo dos cuidados com as contas públicas, é curioso como, nesta fase de transição de governos, Casagrande tem repetido em grande parte exatamente o que fez Hartung na transição de 2014 para 2015 (quando os papéis dos dois eram contrários): rebaixando expectativas e refazendo o Orçamento Estadual deixado para o ano que vem.

"Eu não posso pisar no acelerador e depois ter que chegar no meio do ano e desacelerar, em termos de custeio, de pessoal, de investimentos. Então tenho que ser conservador na elaboração do orçamento. Farei e apresentarei na Assembleia Legislativa um orçamento muito semelhante em termos de expectativa de receita e de despesa ao orçamento aprovado no final do ano passado e que orienta os investimentos deste ano no governo do Estado. A incerteza me leva a ser cauteloso", declarou Casagrande a uma plateia de empresários, no último sábado (24).

"Também preciso reduzir expectativas. Porque pode ser que alguém que esteja terminando quatro anos de governo pendure e cole expectativas no orçamento para o ano que vem."

Foi exatamente o que fez Hartung na virada de 2014 para 2015: reviu e refez o Orçamento deixado por Casagrande para 2015. E rebaixou em cerca de R$ 1,2 bilhão a expectativa de receita, a qual ele considerava superestimada na peça original (estava mesmo superestimada, como ficaria provado no decorrer daquela exercício financeiro).

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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