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O vendedor Josafá conta que clientes ficaram com medo mesmo após a greve Ricardo Medeiros | GZ
GREVE DA PM | 1 ANO DEPOIS

Um ano depois da greve da PM, comércio ainda amarga prejuízo

Saques, arrombamentos e o tempo de portas fechadas provocaram uma perda de R$ 300 milhões

Publicado em 01 de Fevereiro de 2018 às 20:09

Publicado em

01 fev 2018 às 20:09

Sullivan Silva | [email protected]

Raquel Lopes | [email protected]

Além dos 219 assassinatos em um dos meses mais sangrentos do Espírito Santo, a greve da Polícia Militar deixou rastros também na economia capixaba. Somente no comércio houve uma perda de R$ 300 milhões. Muitos comerciantes até hoje trabalham para pagar empréstimos feitos na tentativa de recuperar os prejuízos. Fevereiro de 2017 teve o cenário de uma guerra urbana não declarada no Estado. Com ruas vazias, o comércio registrou uma onda de arrombamentos, saques e roubos. Lojas foram invadidas e teve até ladrão roubando ladrão. Também tiveram pessoas que se aproveitaram do clima de insegurança e algumas, com medo de serem responsabilizadas, devolveram as mercadorias.

O vendedor Josafá conta que clientes ficaram com medo mesmo após a greve Crédito: Ricardo Medeiros | GZ

“Foram cerca de R$ 20 mil em prejuízo com o roubo de mercadorias e para refazer a loja: tivemos balcão, portas e vidros quebrados. Houve também o prejuízo com a redução dos clientes, eles tinham medo de vir à loja. Alguns, quando chegavam, pediam para serem atendidos com a porta fechada. Tivemos que contratar um segurança depois”, disse o vendedor de uma loja de celulares Josafá Gonçalves Souza.

A loja de celulares em que o vendedor trabalha na Reta da Penha, na Capital, foi arrombada na madrugada do dia 8 de fevereiro do último ano. Com o carro, de ré, seis homens destruíram a porta e roubaram diversas mercadorias, como aparelhos de celular. Eles abandonaram o veículo preso às ferragens. “O alarme disparou e alguns vizinhos que são clientes ligaram para nós, mas durante a madrugada não pudemos fazer nada”, conclui Josafá.

PERDA

Somente no comércio foram R$ 300 milhões de prejuízo. A estimativa é da Federação do Comércio e Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES). O valor não inclui as depredações e os assaltos. Pelo menos 300 lojas foram saqueadas e depredadas e o prejuízo calculado nesses casos gira em torno de R$ 30 milhões. Só na Capital, 200 estabelecimentos sofreram ataques desde o início da greve. As lojas mais visadas foram as que vendiam eletrodomésticos, joias e roupas.

''Na época, os bandidos levaram praticamente a loja inteira, em Campo Grande, Cariacica. Foram nove dias de porta fechada'', diz Rodrigo da Silva Passos, gerente de loja Crédito: Sullivan Silva | AG

Segundo o diretor da Fecomércio José Carlos Bergamin foi um ano difícil para o comércio. Ele explica que o empresário já enfrentava problemas devido a crise econômica e tive que conviver quase um mês com lojas fechadas. Alguns ainda sentem os reflexos. “Houve perda na economia do Estado devido a greve, principalmente na Grande Vitória, que corresponde a dois terços da arrecadação. Os comerciantes ainda sentem os prejuízos, principalmente os que tiveram as lojas depredadas e precisaram fazer empréstimo para se reeerguer. Alguns nem conseguiram e tiveram que fechar as portas de vez. Mas entramos em 2018 animados, vencemos a recessão e o fim de ano já foi melhor”, disse.

O carro do estudante Vinícius Guidone foi roubado perto da Reta da Penha, em Vitória, no último dia de greve, 22 de fevereiro Crédito: Vitor Jubin i| AG

O economista Eduardo Araújo informou que o desempenho do comércio foi o que mais impactou no resultado no PIB no Estado. Com base nas estatísticas da pesquisa mensal do comércio do IBGE, foi registrado no mês de fevereiro uma perda de 21% no volume de vendas. E nos meses de março e abril continuou caindo: 5% e 6% respectivamente. Essa comparação é com base nos meses do ano anterior. “Foi uma perda de R$ 610 milhões na economia, que representa 0,5% do PIB tomando como parâmetro a última pesquisa de contas regionais do IBGE. Em 2017, a expectativa é de que o PIB cresça 1,8%, mas poderia ter crescido 2,3%”,disse.

INVESTIGAÇÃO

Uma investigação aberta na 26ª Promotoria Cível de Vitória, em maio de 2017, foi aberta para apurar os danos e os prejuízos causados não só à imagem do Estado, mas também à população. E neste caso estão incluídas as situações das pessoas que sofreram prejuízos em decorrência da falta policiamento.

Saques ao comércio, assaltos, furtos, roubos de veículos, perda de consulta médicas, voos... Os boletins de ocorrência e notas fiscais dos gastos das pessoas que passaram por essas situações poderão ajudar no ressarcimento. Ao final da investigação, quem tiver os documentos poderá se habilitar para solicitar indenização por suas perdas.

 

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