debug-template
Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Capa

Nova geração de designers não quer loja e atrai cada vez mais clientes

Todos são novos nomes da moda e do design capixaba, mas não pensam em ter loja física. Apostam, principalmente, no perfil no Instagram para bombar nas vendas e conquistar cada vez mais clientes e não querem outra coisa

Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida

Publicado em 28 de Junho de 2019 às 18:17

Publicado em

28 jun 2019 às 18:17
Paulo Kunsch e Vitor Medeiros fazem braceletes a partir do latão e do cobre. Marina Figueiredo aposta nas peças de decoração para casa. Já Bruna Braconi cria kimonos para noivas. O que eles têm em comum? Todos são novos nomes da moda e do design capixaba, mas não pensam em ter loja física. Apostam, principalmente, no perfil no Instagram para bombar nas vendas e conquistar cada vez mais clientes e não querem outra coisa.
Eles fazem parte do novo perfil de empreendedores do país. Henrique Hamerski, professor de empreendedorismo e marketing da Faesa e consultor de negócios, explica que eles estão muito inspirados na nova leva de empresas que tem surgido como Airbnb, Uber, Netflix e Ifood. “Uma pesquisa publicada no Globar Entrepreneurship Monitor (GEM), em 2016, coloca o empreendedorismo como o quarto maior desejo do brasileiro, só ficando atrás de comprar um carro, ter a casa própria e viajar pelo Brasil. E a mesma pesquisa revelou que a faixa etária mais representativa na intenção de ter o negócio próprio é a dos 25 aos 34 anos”, explica.
Por isso, apostar na internet é o caminho principal. “A internet possibilita uma série de vantagens como ter custos fixos mais baixos, não é preciso ter um ponto comercial e inclusive a estrutura pode até ser mais enxuta”, explica Hamerski. Outra vantagem da internet é ter acesso a mercados mais distantes geograficamente e conseguir ter um controle melhor do público, inclusive direcionando melhor a comunicação.
O professor ressalta, no entanto, que, apesar de ter uma série de vantagens, não é fácil abrir um e-commerce. “É muito importante saber o que o público está querendo, e o que os concorrentes estão oferecendo para tentar ocupar um lugar que ainda não esteja preenchido na mente do consumidor. Hoje existem uma série de ferramentas e facilidades para se abrir um comércio eletrônico. Por isso, é importante, além de conhecer o mercado que vai atuar, saber também o que existe disponível para podermos fazer bom uso das ferramentas e não ficar para trás nesse mercado. O bacana dessa categoria de moda e acessórios é que ela é a 7ª de maior faturamento e a 2ª em número de pedidos pela internet”, diz Hamerski.
Desde o começo do negócio, Vivian Cypriano Chiabay aposta na internet para exportar suas peças de design, muitas com foco no Espírito Santo Crédito: Marcelo Prest
Peças de decoração
A arquiteta e urbanista Vivian Cypriano Chiabay é uma das que surfa na onda de sucesso de vendas pela internet, com as suas peças de design. “Desde o começo foi assim e só tem aumentado. A internet é uma ferramenta que ‘democratiza’ a visibilidade, a loja grande e a loja pequena estão praticamente no mesmo patamar. Quanto mais se investe em divulgação, se tem maior visibilidade. Pelas plataformas digitais conseguimos alcançar um público de forma muito ampliada, não existindo barreiras territoriais, o que nos permite crescer ainda mais”, explica.
Ela, que ficou conhecida por criar mandalas, ampliou sue negócio e hoje também produz painéis florais, folhas, mapas, peças geométricas, painéis abstratos e de paisagens, além de objetos decorativas de estante. “Alguns processos do desenvolvimento começam a mão, num formato de croqui, mas confesso que não seria capaz de inserir tantos detalhes numa peça apenas no lápis e papel. O mouse é meu novo lápis, ele ajuda a viabilizar essa quantidade de detalhes todas que gosto de inserir nas peças. Deixo a criação final pra fazer nos programas de computador, e depois cortamos em materiais diferentes como o mdf cru, o laminado (que parece uma laca), o acrílico e até materiais metálicos”.
Vivian conta que vende para o mundo todo, mas, em ordem de quantidade o Espírito Santo continua liderando o ranking. “Não só por nossa localização, mas também porque desenvolvemos algumas peças com a iconografia daqui. Eu amo esse Estado, sou a tal capixaba da gema, e sempre que posso, faço uma peça inserindo a temática local”. Depois está Brasília, Belo Horizonte e São Paulo, além de Estados Unidos, Austrália e Europa. “A internet não tem fronteiras. É legal demais receber mensagens em turco por exemplo elogiando a peça. Se não entendo, traduzo pelo Google e a conversa flui”, conta rindo.
Andréa de Pinho Crédito: Bernardo Coutinho
Acessórios inspirados na arquitetura
Foi como hobby que a designer de interiores Andréa de Pinho começou a desenhar os acessórios que fazem o maior sucesso entre as mais antenadas. “Até que fui convidada para fazer uma coleção para uma conhecida marca de moda praia e as mulheres adoraram. A partir de então decidi empreender neste setor, dedicando-me à criação de peças de forma profissional”, conta ela.
Não é de se estranhar que o formato geométrico - que muito lembra as formas da arquitetura - estejam presentes nas peças de Andréa. A inspiração vem dos seus anos de trabalho na área. “Meu processo de criação se dá a partir da inspiração no mundo da arquitetura, do design e da arte. E uso como matéria-prima o latão, a prata e pedras naturais”.
Apostando no estilo contemporâneo e minimalista, ela cria braceletes, brincos, colares e anéis em diversos formatos. “Percebi no mercado uma falta de acessórios de design mais apurado e com estilo”, conta.
Andréa normalmente faz duas coleções principais por ano, mas conta que também gosta de criar novas peças ao longo do ano, em períodos diferentes dos da coleção. É no seu home office que ela cria essas peças. “O meu foco é no comércio online e em eventos em lojas parceiras. No mundo atual a internet e as redes sociais constituem o principal canal de interação” , explica sobre como apostar nas vendas. E vai além. “No momento não pretendo ter loja física e sim uma marca que possa estar presente em diferentes pontos de venda pelo Brasil”.
Bruna Braconi Santos Crédito: Ricardo Medeiros
Um quimono de casamento mudou tudo
Bruna Braconi Santos, 30 anos, renunciou a carreira corporativa para empreender no universo da moda. Formada em Comércio Exterior, com pós-graduação em Administração de Empresas, ingressou em um programa de trainee e seguiu carreia em São Paulo. Depois de um tempo voltou a Vitória e se reinventou.
“A Booboo começou de uma forma bem despretensiosa, apesar do desejo de trabalhar com varejo de moda ser antigo. Em 2016, abandonei minha carreira e comecei a fazer cursos voltados para moda. Uma amiga que iria casar me pediu para que eu criasse quimonos para ela e suas madrinhas, substituindo os famosos robes que são utilizados no dia de noiva. Daí em adiante, após o casamento veio toda a procura pelas peças não só para noivas como também para uso casual”, conta ela, dizendo que o objetivo da marca é desmitificar um único perfil de noiva e criar peças que valorizam a individualidade de cada uma.
As peças são feitas em crepe, chiffon, toque de seda e viscose. A marca faz basicamente quimonos, mas aposta em algumas variações – como kaftans, chemises e acessórios, como lenço e bolsas – para atrair a atenção de suas consumidoras. “Todo processo de criação é baseado em três pilares: versatilidade, atemporalidade e autorialidade. A partir desses, começamos o processo de busca por referências, tendências e matéria prima. Fazemos uma mistura das principais tendências mundiais com o universo das noivas, colocando sempre um toque de casualidade até dar a cara da marca”, conta a empreendedora.
O Instagram também é um grande aliado da marca, fazendo com que bons negócios sejam fechados na base de uma curtida de foto. “Moradores da Grande Vitória podem ir ao nosso estúdio e olhar as peças de perto. Mas boa parte das vendas são feitas pela internet. O próximo é levar o conceito da nossa marca para outros estados”, conta Bruna, cheia de entusiasmo.
Os músicos Paulo Kunsch e Vitor Medeiros Crédito: Fernando madeira
Braceletes que são joias atemporais
Os músicos Paulo Kunsch e Vitor Medeiros fazem sucesso na cidade criando acessórios produzidos em latão, cobre e prata. “As peças são produzidas uma a uma artesanalmente em um processo que envolve uma série de vivências desde técnicas da metalurgia à forja. Tudo feito à mão com auxílio de ferramentas, como martelo e bigorna”, conta Paulo, que trabalhou por 10 anos na indústria metalúrgica da família.
Ele tinha o projeto de uma linha de t-shirt, até ver braceletes e se encantar. “Depois de fazê-lo, sem nenhuma pretenção, além do desejo de ter pra mim, apresentei ao Vitor o conceito de bracelete ‘cuff’, durante uma viagem da turnê em que tocávamos juntos. Ali nasceu a The Mono Projects”.
Os braceletes são a marca registrada da marca e o tempo de produção é bem variável, podendo levar até 2 horas, dependendo do acabamento e customização. “Utilizamos alguns metais bem conhecidos na área industrial e também a prata que é um metal mais conhecido no mundo da joalheria. Em ambos não são utilizados nenhum tratamento de superfície, pois defendemos a ideia de que o metal, assim como cada um de nós tem suas fases, e é um ser mutável. As características de cada peça, com o trabalho do tempo trazendo a oxidação, conferem uma espécie de impressão digital, cada uma com sua unicidade”, explica Vitor. Além disso eles gravam frases e nomes nos braceletes, tornando-os peças únicas.
Paulo, que acaba de voltar após uma temporada em São Paulo, onde fez aulas de ourivesaria no Ateliê escola do Designer de Joias Lucas Shirts, conta que aprendeu técnicas de joalheria com o objetivo de utilizar esse novo conhecimento para novas criações da marca. “Temos uma variedade de peças, de braceletes a gargantilhas. Uma coisa é certa: de joias a objetos para o lar, a Mono pode transitar bem”. Para a dupla a internet é um facilitador. “Foi a maneira que encontramos de entrar no mercado e validar o produto”, diz Vitor.
A arquiteta Marina Figueiredo Crédito: Fernando madeira
O universo da decoração a um clique
A arquiteta Marina Figueiredo, de 28 anos, nunca gostou de atuar na área. “Sempre fui muito inquieta, desde criança gostava de brincar de vendedora e sabia que um dia montaria meu próprio negócio”, conta. Não deu outra. Há dois anos nasceu a 103.Store, durante a reforma do seu primeiro apartamento. “Criei um perfil no Instagram para compartilhar a reforma e percebi que muitas pessoas perguntavam onde eu tinha comprado, ou como tinha feito tal coisa. Sempre fui muito boa de garimpar peças e fazer bons achados, e tive um insight de criar a loja online”.
Sabe aquelas peças que fazem o maior sucesso na rede social Pinterest? Marina vende. De peças supercool para a cozinha a lightbox (sensação na decoração), todos os produtos fazem sucesso. “A maior parte dos produtos vêm da Ásia, mas a curadoria é feita toda por mim. Procuro sempre por produtos funcionais e estilosos ao mesmo tempo. Além disso, o preço é muito importante e um diferencial da marca”, ressalta Marina.
Ela conta que, quando teve a ideia, não teve dúvidas de que era isso que gostaria de fazer. “Acredito que tenha mercado para todo tipo de produto, e trabalhar com algo que você tenha intimidade e amor fica muito mais fácil e prazeroso”.
As fotos, sempre muito bem produzidas na rede social, chamam a atenção de seus clientes, em sua maioria mulheres recém-casadas ou com casa nova. “Cerca de 90% das nossas vendas são feitas em nosso site. Comecei a loja com pouco investimento e por isso optei pelo mundo online. Além disso, acredito que as vendas online sejam o futuro do comércio”.
Empolgada com as possibilidade, ela diz que agora quer focar no público capixaba, para que ele conheça a marca, já que apenas 2% dos consumidores são do Estado, e assinar uma linha de itens para cozinha.
 

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados