debug-template

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Arte

José Augusto Loureiro relembra sua história e fala de sua nova exposição

"Tempo - Espaço" reúne 20 obras feitas em acrílica sobre tela com os típicos traços do artista: manchas, listras e ranhuras

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 21:32

Publicado em

29 jan 2019 às 21:32
A arte é uma constante na vida de José Augusto Loureiro. Os quase 20 anos que separam sua última exposição, na III Bienal de Artes Visuais do Mercosul, da atual “Tempo - Espaço”, em exibição no Galpão 09, foram dedicados às artes cênicas e reforçaram sua identidade visual baseada em obras simples e contundentes. “Por ter absorvido muita informação durante todo esse tempo, imaginava que meus trabalhos precisavam de muitos elementos, de mais complexidade. Depois de um mês desenvolvendo obras, eu tinha nas mãos um monstrinho”, brinca o artista ao revelar certa preocupação com sua primeira tela depois do período sabático. “Fiquei uma semana sofrendo com essa percepção até que um dia acordei e notei que tinha outras ideias mais simples. Assumir essa simplicidade nas obras foi como me reconectar àquilo que fazia antes”.
A nova exposição de José Augusto reúne 20 obras feitas em acrílica sobre tela com os típicos traços do artista: manchas, listras e ranhuras. Ora com traços suaves, ora com pinceladas vigorosas, as texturas ganham evidência sobre o fundo liso das obras. Em alguma delas, curvas que lembram o Morro do Penedo chamam a atenção pelas cores fortes e pela familiaridade do formato. Além das telas, o artista também expõe quatro peças em madeira com aplicações que remetem a brinquedos lúdicos e a elementos náuticos. “Minhas pinturas e meus objetos são simples e têm a ver com minha infância em Santa Teresa. Eu fazia meus brinquedos de madeira, inventava objetos para brincar, e as obras são um reflexo natural desse período”, explica.
O encantamento com a natureza é algo que o artista traz consigo desde sua primeira infância na serra capixaba. “Eu ainda me encanto muito com a natureza, isso sempre me cativou. Quando falam em viajar para grandes cidades, gosto de ir por causa de museus e de espetáculos teatrais, mas eu gosto mesmo é de beira de rio, de praia, de vegetação”, conta o artista. O apego ao simples se reflete em suas obras por si mesmas, em oposição à complexidade evidente quando se pensa numa metrópole. Assim, conhecer um pouco sobre José Augusto é um exercício que completa suas próprias obras.
O fazer artístico
Quando questionado sobre a manutenção da arte no século 21, José Augusto Loureiro reflete sobre a relação arte-artista. “A arte sobrevive porque essa relação se baseia tanto na verdade entre esses dois elementos e quanto na doação de si é à própria arte. E isso é o que faz que outras pessoas cresçam a partir de seu trabalho”. De fato, uma obra baseada apenas em técnica se rende à generalidade. “O que seria de uma obra de Van Gogh, por exemplo, se não fossem suas angústias, suas experiências e tudo aquilo que ele viveu?”, complementa o artista.
Obra de José Augusto Loureiro Crédito: Divulgação
Se de um lado a personalidade do artista é requisito necessário para que uma obra ganhe completude, de outro, o direcionamento em excesso do fazer artístico é questionado por José Augusto. “A arte, hoje em dia, está muito dependente de uma bula. Muitas vezes se escreve mais sobre a arte de alguém do que aquilo
que ela é em si. O ideal seria o espectador conhecer sobre a vida do artista, ver suas obras, saber como ele chegou àquilo. As teorias do fazer artístico são importantes, mas não sei se é tão interessante entregar tudo tão ‘mastigado’ como muitas exposições fazem atualmente”, reflete.
O ‘mastigado’ citado por Loureiro se refere exatamente ao direcionamento interpretativo que algumas exposições dão tanto em relação às obras quanto aos artistas. Ao fazê-lo, o viés da livre interpretação do espectador sobre a obra de arte se perde e ela assume um aspecto limitante. Como afirma a máxima, “a arte não responde. Pergunta”, e é em torno dessa liberdade - de pinceladas e de interpretações - que gira o trabalho de José Augusto Loureiro.
Uma vida dedicada à arte
Com 73 anos de idade, José Augusto Loureiro completa 60 anos dedicados às artes cênicas e plásticas. Foi por volta dos 13 anos que ele começou a fazer seus primeiros trabalhos com artes plásticas. “Desde pequeno eu frequentava exposições. Eu me arrumava todo para ver as mostras e as pessoas achavam estranho ver uma criança ali, mas eu gostava muito daquilo tudo”, conta. Aos 18 anos, fez sua primeira participação no teatro como protagonista e dali em diante não parou.
Obra de José Augusto Loureiro Crédito: divulgação
No serviço público estadual, Loureiro foi convidado a fazer parte da equipe criadora da Galeria Homero Massena, onde trabalhou por 37 anos. “Lá eu era pintor de parede, eletricista, mecânico, interferia nas montagens de exposições junto aos artistas. Ao mesmo tempo em que estava trabalhando, eu estava imerso
num universo que gostava”. Nesse mesmo período, Loureiro começou a cursar Artes Plásticas na Ufes e participou de sua primeira exposição, numa Semana de Arte em Santa Teresa ao lado de outros colegas da universidade. “Quando ingressei na Ufes, eu já tinha a cabeça formada sobre aquilo que queria fazer na arte. Além disso, ainda que tivesse aproveitado muitas disciplinas, outras eu não absorvia, como geometria e matemática”, conta José Augusto sobre a decisão de abandonar o curso.
O Galpão 09, que recebe sua exposição “Tempo - Espaço”, na Reta da Penha, é o mesmo espaço que durante muito tempo deu vida ao Teatro Galpão, comandado por ele. Ali, o ambiente parece reforçar o diálogo entre seu ofício nas artes plásticas e cênicas. “Se fosse para resumir ofício numa palavra, ela seria ‘simplicidade’. No teatro, sou um ator comedido, não chamo muita atenção. Não sou um ator de gestos muito largos, por isso gosto de papéis menos expansivos e lido bem também com o cinema”, destaca José Augusto ao falar de sua busca por personagens introvertidos. E é justamente essa coerência entre sua personalidade e sua paixão que faz sua arte permanecer por essas seis décadas no tempo e no espaço.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados