A paixão pela composição das cores serviu de inspiração para um jovem fotógrafo capixaba em terra paulistanas. Natural de Cariacica, na Grande Vitória, Felipe Quintini, de 24 anos, fez da tinta sobre a pele sua forma de expressão artística na fotografia. O trabalho foi desenvolvido com grandes atores do teatro musical brasileiro.
Felipe começou a fotografar aos 19 anos com produções autorais de moda e de clipes de bandas. No seu currículo está duas coberturas do São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda da América Latina, mas. Mas hoje, além das modelos das passarelas, sua lente passou a registrar a arte das pinturas no corpo humano, com o ensaio fotográfico “Indistinto”.
“São nos meus ensaios artísticos que consigo verdadeiramente me expressar. Eles são meu refúgio, minha válvula de escape, em que consigo crescer como profissional”, disse o fotógrafo.
Os ensaios de “Indistinto” aconteceram no período de um mês, na sala de seu apartamento na capital paulista. O projeto era modesto fruto de sua admiração pelas obras do pintor americano Pollock, do movimento expressionista abstrato. As referências que saíram das telas para a pele de sete atores do teatro musical, personagens na qual Felipe encontrou estética, emoções e sensações que procurava.
A escolha dos atores para o projeto foi feita previamente com a observação da atuação deles nos palcos. O ensaio tem a participação das atrizes, Kiara Sasso, considerada pelo público e pela crítica especializada como um dos nomes de maior peso no teatro musical brasileiro; Giulia Nadruz, que dublou e cantou a “Bela” do filme a Bela e a Fera; e Bruno Gadiol, ator da novela Malhação e semifinalista na 5ª temporada do The Voice Brasil.
“Quando convidei os sete atores, boa parte estava em cartaz, enquanto outros se preparavam para estrear novos trabalhos. Cada ensaio durava três horas, em média. Eram 30 minutos para pintar, 30 para secar e mais 2 horas para fotografar e filmar”, explicou Felipe. O vídeo está disponível no Gazeta Online.
A fotografias são de rosto. O fotógrafo explica que as cores ganham destaques nas reações dos atores. Fato interessante para a interpretação do público. “Logo no início do processo de pintura era engraçado, a tinta gelada batia nos modelos e eles faziam cada expressão, mas rapidamente o corpo se acostumava e eles se entregavam por completo a proposta” afirmou.
Felipe pretende fazer uma exposição aqui no Espírito Santo com as fotografias do ensaio. E não descarta novos trabalhos com diferentes técnicas e elementos. Ideias do artista fotográfico não faltam.
O que define esse trabalho? Como se inspirou? Quais suas referências?
A paixão pela composição das cores. Vejo cor em todos os lugares e elas me sugerem formas, expressões e principalmente sentimentos, que clamam por serem revelados. Há dois anos senti uma enorme vontade de fotografar essas cores sobre a pele, entendendo o corpo como uma tela, até porque, há arte em todo corpo.
Seu trabalho é focado na fotografia de moda. Você considera o trabalho com as tintas mais artístico?
Sim, mais artístico! Na fotografia de moda também há arte, mas ela está voltada para o produto dos estilistas, maquiadores, cenógrafos e da fotografia também. Ou seja, todos os elementos exercem um papel coadjuvante, onde juntos se tornam uma coisa só. Enquanto nos ensaios autorais, nesse pelo menos, as tintas, a fotografia, minha expressão e sentimentos são os protagonistas.
No ensaio “Indistinto”, quantos profissionais estiveram envolvidos? Como foi feita a escolha dos modelos e atores?
O processo de escolha foi relativamente fácil, pois os escolhi previamente, mesmo sem que eles soubessem. Eu simplesmente os observava atuando nos palcos do teatro musical e já ia preparando minha lista que, somada a outros atores já conhecidos por mim, compuseram o meu casting.
Por que da escolha das expressões faciais?
O rosto humano é altamente revelador. Basta observar a face exposta (limpa) de uma pessoa que conseguimos arriscar alguns palpites. Se está feliz, preocupada, com medo, com raiva, etc... Assim sendo, seria possível que uma face oculta por um aparato qualquer, a tinta por exemplo, fosse capaz de revelar tais sentimentos humanos, sobrepondo-se à confusão ou a beleza que as cores podem gerar.
É interessante observar a reação do público ao ver o ensaio Indistinto. Enquanto uns destacam as cores, outros destacam as expressões faciais. Isso está totalmente relacionado com a capacidade de interpretação do ator, as possibilidades que as tintas proporcionam e ao momento em que o clique é feito.
Todos aceitaram a tinta? Como foram as reações?
Felizmente todos curtiram a ideia de se ver completamente cheios de tinta em fotografias. Logo no início do processo de pintura era engraçado, a tinta gelada batia nos modelos e eles faziam cada expressão! Mas rapidamente o corpo se acostumava e eles se entregavam por completo a proposta. Um show de interpretação de cada um.