Na conversa que teve com os residentes, a apresentadora do Boa Noite ES, Dani Abreu, deu uma verdadeira aula de como escrever e falar para um público diverso e que já não está diante de uma única tela.
Com 30 anos de TV, ela afirma que não basta ter audiência. É preciso conquistar a atenção do telespectador a todo instante, exigindo dos profissionais uma dose maior de empenho e criatividade na forma de fazer jornalismo diário.
Defensora de uma linguagem direta, simples e objetiva, Dani Abreu disse que, em um mundo cada vez mais tecnológico e repleto de informações que chegam em diferentes formatos, é mais difícil segurar o público em frente à TV. “Você tem que facilitar para o telespectador, porque se ele não entender ou não se interessar pela forma que a gente dá a notícia, não vai mais prestar atenção nas próximas reportagens”, alerta.
Em setembro, a TV Gazeta completa 50 anos de história e, para construir essa trajetória, foi necessário se transformar junto com a sociedade. Funcionária desde 1996, quando a TV tinha 20 anos, Dani observa que o novo telejornalismo busca se aproximar cada vez mais das pessoas. “O texto de TV mudou muito. Trinta anos atrás, havia uma exigência maior pela linguagem formal. Hoje, apesar de continuar sendo indispensável falar corretamente, existe uma relação mais simples com o telespectador”, afirma Dani. Liberdade que, segundo ela, permite um tom mais coloquial, gerando maior identificação com as pessoas. “Importante ressaltar que, por lidarmos com um público heterogêneo e diverso, precisamos buscar um equilíbrio na forma de nos comunicar, para que essa proximidade não soe piegas”, pondera.
Outra característica que ilustra bem a evolução da TV é produzir um telejornal com a colaboração do público, feito sob o ponto de vista de quem está dentro dos acontecimentos do dia a dia. “Já teve jornal que a gente fez inteiro de forma colaborativa. Na enchente de 2013, ninguém conseguia chegar à redação e o jornal precisava sair. Eu botei um biquíni, coloquei uma bermuda e vim trabalhar com água pela cintura. O jornal todo foi feito com vídeos e informações que a gente recebeu das pessoas”. Mais uma vez, Dani chamou atenção para o equilíbrio, mesclando colaboração e produção jornalística.
*Este conteúdo foi produzido por Tiago Taam, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora Giuliane Calvi.