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Cooperativa Mirim / Divulgação
Educação empreendedora

Projeto ensina cooperativismo na prática para alunos em Linhares

Desenvolvido há um ano, o projeto conta com 84 alunos cooperados e foi, inclusive, vencedor de um prêmio nacional que reconhece as melhores práticas da educação empreendedora em todo o país

Leonardo Goliver

Publicado em 30 de Outubro de 2019 às 16:13

Publicado em

30 out 2019 às 16:13
Criada há um ano, a Cooperativa Mirim é um projeto interdisciplinar que oferece aos alunos uma oportunidade de aprender na prática empreendedorismo e cooperativismo Crédito: Leonardo Goliver
Aprender a produzir e vender pipocas gourmet e palha italiana não foi uma tarefa muito difícil. Entender o que é cooperativismo foi muito mais fácil quando colocado em prática. Foi com essa iniciativa que uma escola cooperativa localizada em Linhares, na região Norte do Espírito Santo despertou o interesse dos alunos pelo assunto e ensinou os benefícios de quando se trabalha em prol de um resultado coletivo.
A ideia foi proposta pela Organização das Cooperativas Brasileiras no Espírito Santo (OCB/ES) com o objetivo de incentivar novas práticas no ambiente escolar. Após uma imersão em um projeto semelhante desenvolvido no Rio Grande do Sul, nasceu a COOPEMCEL: Cooperativa Mirim da Cooperativa Educacional de Linhares, no dia 3 de outubro de 2018. Atualmente, são 84 cooperados com idades entre 11 e 15 anos, que vivenciam diariamente as rotinas de uma empresa criada por eles. São diversos desafios e decisões que ensinam, a cada tarefa, a importância do trabalho em equipe.
De acordo com o professor orientador do projeto, Vinicius Ferreira Santi, a iniciativa é desenvolvida com alunos das séries finais do ensino fundamental. Por lá, além de produzirem o produto final que será comercializado, os cooperados também estudam sobre marketing, educação financeira, gestão democrática e empreendedorismo.
“A gente percebeu que quando os meninos entraram no projeto, poucos sabiam o que era cooperativismo, mesmo estando inseridos em uma escola cooperativa. E aí, a partir do momento que a gente começou a estudar, a gente viu que com a base cooperativista, que é essa questão da ajuda mútua, do trabalho em equipe e do pensar no outro, os meninos conseguiram potencializar ainda mais o trabalho, entendendo o que é realmente o cooperativismo”, ressalta Vinicius.
Entre os cooperados está a pequena Letícia Pignaton Leite, de apenas 11 anos. Em pouco tempo, ela já percebeu a diferença: “Antes eu trabalhava muito sozinha, eu queria mandar e agora eu aprendi mais a trabalhar em equipe. O projeto está me ajudando muito a aprender mais sobre o cooperativismo e outras coisas que vão me ajudar muito no futuro”, comenta entusiasmada.
O Rhuan Dorigueto dos Santos, de 15 anos, também embarcou nessa aventura. Ele é cooperado e membro ativo da cooperativa. “O principal motivo de eu ter entrado na Cooperativa Mirim foi a oportunidade de aprender mais sobre o ramo empresarial que a gente não consegue aprender em qualquer lugar. Esse é um dos diferenciais do nosso plano de estudo”, explica.
Questionado sobre como o projeto contribui para a vida dos cooperados, Rhuan conta que na prática a iniciativa ajuda também a pensar no futuro. “Um dos vários benefícios é apreender sobre a administração monetária, que nós sabemos que no século atual nós temos um certo problema quanto ao público jovem administrar o seu próprio dinheiro. Na Cooperativa Mirim, como nós estamos administrando uma empresa que realmente mexe com dinheiro, a gente consegue administrar bem e acaba levando isso para a nossa vida, o que nos ajuda muito”, acrescenta.
Que o projeto é cheio de desafios e aprendizado, isso já ficou claro. Mas para o Arthur França, que aos 14 anos vai assumir a presidência da cooperativa em 2020, a responsabilidade parece não assustar o pequeno empreendedor.
“A responsabilidade de ser presidente é que, além de ser presidente, você acaba sendo um pouco de cada coisa. Você participa da comissão fiscal, é um pouco de tesoureiro, você acaba fazendo parte de tudo. Para mim, participar dessa cooperativa é algo muito bom porque é uma forma de estar em sociedade, é fazer novos amigos e se divertir. Aqui a gente trabalha, mas também sempre tem aquela parte de se divertir”, relata.
No dia a dia os cooperados aprendem sobre cooperativismo, empreendedorismo e executam diversas atividades sobre a rotina empresarial Crédito: Cooperativa Mirim / Divulgação

RECONHECIMENTO

A iniciativa deu tão certo que o trabalho desenvolvido na escola ganhou novos horizontes. O projeto Cooperativa Mirim venceu na categoria Regional do prêmio Sebrae de Educação Empreendedora e conquistou também a categoria Nacional da premiação. O troféu foi recebido pelo professor orientador do projeto em um evento que aconteceu em Florianópolis
"O prêmio do Sebrae apareceu como uma oportunidade para gente divulgar o projeto Cooperativa Mirim. Eu costumo dizer que ganhar o prêmio mostra que estamos no caminho certo, ou seja, que o trabalho desenvolvido pelos alunos e pela coordenação é um trabalho que está gerando bons frutos. É realmente um esforço. A gente trabalha com alunos do sexto ao nono ano e existem outras coisas que competem com o fato de vir aqui na escola, trabalhar e envolver eles. Então ganhar um prêmio desse é o reconhecimento de que realmente os alunos estão conseguindo alcançar os objetivos do projeto"
Vinicius Ferreira Santi - professor orientador
O professor orientador do projeto, Vinicius Ferreira Santi, de 30 anos, representou os alunos na cerimônia do prêmio Sebrae de Educação Empreendedora realizado em Florianópolis Crédito: Arquivo Pessoal
O concurso visa identificar, estimular e reconhecer as melhores práticas da educação empreendedora em todo o país. Além do troféu, o projeto também recebeu como premiação certificado e a oportunidade de apresentar a ideia em um evento de visibilidade, bem como a participação em uma Missão Técnica Nacional.
No primeiro ano de atividade a Cooperativa Mirim conquistou além do prêmio nacional, verba para novos investimentos, tudo fruto do trabalho realizado pelos cooperados que agora será dividido entre eles.
“Hoje a Cooperativa Mirim tem um saldo em caixa, a partir das vendas, a partir das campanhas que os cooperados realizam, e aí agora na assembleia eles vão resolver o que os cooperados vão fazer com esse lucro. Eles têm duas opções: ou eles investem na própria cooperativa, ou eles dividem o valor entre os cooperados. O fato de investir na cooperativa, é questão de comprar alguma coisa em prol da cooperativa ou até mesmo proporcionar alguma coisa para os cooperados, então é isso que eles vão votar na assembleia do próximo dia 11 de novembro”, pontua o professor.
A cada ano o grupo de cooperados se renova. Após a conclusão do ensino fundamental, alguns alunos deixam a cooperativa e outros membros passam a integrar a equipe, mantendo sempre o fluxo contínuo de aprendizado. “O projeto ele não para. É um projeto contínuo, então a cada ano se renova, a gente tem uma diretoria antiga que está saindo agora em novembro e uma nova diretoria que está entrando para o ano de 2020, e aí a gente sempre está tendo essa renovação. A cada ano que passa a gente está pensando em propostas novas. Para o ano que vem existe uma proposta de uma metodologia nova para o projeto em parceria com algumas instituições financeiras e acredito que novidades vão vir por aí”, finaliza Vinicius Ferreira Santi.
Os cooperados produzem pipocas gourmet e palha italiana como objeto de aprendizagem. Toda a verba arrecada com as vendas são administradas pela Cooperativa Mirim que decide o que fazer com o lucro do projeto Crédito: Cooperativa Mirim / Divulgação

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