A mobilidade urbana é um dos maiores desafios atuais das administrações públicas nas grandes cidades. Seja na Amsterdã das bicicletas, seja na Londres dos metrôs pontualíssimos, seja na Tóquio dos multimodais, moradores e turistas não estão livres de atrasos e superlotação. Mas quando observa-se a situação do transporte público na Grande Vitória, chega-se à dimensão de o quanto a região está longe de oferecer eficiência e dignidade para as 650 mil pessoas que dependem dos coletivos diariamente.
Reportagem deste jornal na segunda-feira (17) mostrou a dura rotina enfrentada pelos usuários do Sistema Transcol, com filas longas nos pontos, ônibus lotados e banheiros quebrados nos terminais. O medo também é passageiro constante, com a onda de arrastões. Em episódio recente, ocorrido há menos de um mês, o jovem Deivid Jercey, de apenas 18 anos, morreu atingido com um tiro no peito, sem chance de resgate. Promessas, há várias, como a instalação de mais câmeras nos veículos em 2019 e a reforma de terminais – foram anunciados R$ 7,1 milhões em obras em maio, mas o prazo venceu neste mês, e a população permanece no sufoco. A interdição do Terminal de Itaparica, há cinco meses, só piora a situação.
Não apenas no Transcol, mas também nos sistemas municipais, as reclamações se acumulam: são viagens que atrasam ou não acontecem; frotas que são reduzidas; pontos de ônibus inadequados, que não protegem nem da chuva nem do sol; coletivos sem o mínimo conforto, especialmente neste verão escaldante dos trópicos; superlotação, sujeira e insegurança.
No ano que vem, o Transcol completa 30 anos de existência. O sistema que interligou cinco municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória com uma tarifa única, desafogando as vias arteriais, representou um avanço na locomoção dos capixabas, sem dúvida. Mas a efeméride em torno das três décadas do serviço deve inspirar uma nova evolução, com planejamento e investimento real em qualidade, em conforto e em ligação com novos modais, descongestionando o transporte rodoviário. Sem eficiência, conforto e segurança nos coletivos, de nada adiantam discursos ou ações superficiais para que as pessoas abandonem os carros – ponto nevrálgico para a solução do problema de mobilidade urbana em qualquer cidade.