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Ilustração baile funk clandestino Ilustração | Arabson
Reportagem especial

"Passam vendendo droga no guarda-chuva", diz frequentadora do Mandela

A jovem ouviu relatos de amigos que estavam no baile quando dois homens morreram e mais de 10 pessoas ficam feridas em janeiro: "Dependendo pra onde fosse, era pisoteado"

Gazeta Online

Publicado em 04 de Abril de 2019 às 09:23

Publicado em

04 abr 2019 às 09:23
Uma moradora de Vila Velha, de 24 anos, que não será identificada por questões de segurança, contou à reportagem do Gazeta Online por que frequenta bailes clandestinos, o que gosta nessas festas e as imagens que mais chamaram a atenção dela nesse tipo de local.
A jovem, que vive em um bairro de periferia, tem emprego fixo e vai às festas aos finais de semana. Veja o depoimento.
DIVULGAÇÃO
Eles chamam de Mandela mesmo. Começa a chegar gente entre meia-noite e meia e 1h. Já vem avisado. Uma semana antes eles vêm avisando qual vai ser o DJ que vai tocar. Divulgam em redes sociais, via WhatsApp, Facebook, um vai espalhando para o outro. O baile vai até a hora que não tem mais ninguém. Sempre tem o DJ, tem gente vendendo a bebida, mas a maioria leva a sua própria bebida.
POLÍCIA
A droga rola. Você está dentro da favela, quase sempre a polícia não vai. Só tá indo mesmo depois que aconteceu o tiroteio ali (em janeiro deste ano), porque não entra. De vez em quando passa um carro da polícia, mas não chega a entrar. Já é dentro de uma favela, geralmente em locais onde já têm ponto de tráfico, então a droga rola solta.
Na divulgação vem o nome do local, não baile do Mandela. Por exemplo: baile do QG ou baile do Cobi. Mas, no geral, todo mundo conhece como baile do Mandela. Eu sempre tive medo de ir no baile do Cobi de Baixo. Eles falam que lá é muito pesado.
ARMAS
Ilustração baile funk clandestino Crédito: Ilustração | Arabson
Normalmente, quando eu vou, sempre passa arma, sempre passa na nossa frente. Reconheci uma espada ninja. Tem armas pequenas, grandes. Tem de todos os tamanhos. Veja o que a polícia diz sobre os bailes.
GUARDA-CHUVA
Passam vendendo droga no guarda-chuva, com as drogas penduradas em cordinhas no guarda-chuva
Jovem de 24 anos
Ele vai passando, vai gritando e, quem quer, compra. Quem não quer, não compra. Quem já frequenta há muito tempo já sabe direto onde ir e com quem pegar. A maconha custa R$ 5 e a cocaína vai de R$ 10 a R$ 50. O crack é R$ 5. É muito barato, por isso o consumo é tão grande.
IDADE
Há pessoas de todas as idades. Criança de 10, 12 anos de idade, até senhora que chega no carrão. Você sabe que não é do lugar. E tem morador do bairro mesmo.
Morador do bairro são poucos os que se incomodam, porque a maioria vai. Quem se incomoda mais, geralmente, é gente da igreja. Muito morador frequenta.
Quem vem de fora é tranquilo. Entra e sai quem quer. As ruas têm saída, mas em uma parte fica a aparelhagem de som. Se houver uma confusão, fica mais difícil de sair. É muita gente em uma rua só. Nunca passei aperto.
TIROTEIO EM JANEIRO
Nesse tiroteio muitos conhecidos estavam no meio e falaram que foi horrível para correr. Não sabiam para onde correr, se jogavam no chão. Dependendo pra onde você fosse, era pisoteado. Foi complicado
Frequentadora de baile
Normalmente não tem briga. Os bandidos que estão lá no meio não permitem ter briga nem roubo, justamente para não chamar a atenção da polícia, porque é uma coisa que é ilegal, tem arma e droga no meio, eles evitam briga. Se tem briga, são pessoas de fora.
A música é o proibidão super alto. Alguns moradores ligam para o Disque-Denúncia, mas ninguém vai. Eles não entram no meio.
FREQUENTADORES DE FORA
Gente de bairro nobre frequenta. Muito carrão chegando, menina de salto. E olha que o lugar é meio difícil, mas vai toda arrumada como se tivesse indo para uma festa chique. Vai muita gente de classe alta.
ESPADA NINJA
O que mais me impressionou foram as armas. Eu nunca tinha visto arma. Quando eu vi a quantidade de arma e uma espada ninja, eu entrei em pânico e pedi para ir embora
Jovem de 24 anos
Aí o pessoal que eu conhecia disse que é normal, que eles não apontam a arma. Quando eu passei a ir, vi que eles não apontam arma para morador, nem ameaçam. Não vi coagindo ninguém. Nesses daqui o pessoal usa celular. Acho que no Cobi que não pode. Mas o pessoal (que tira foto) não mostra ninguém com arma.
CRIANÇAS E DROGAS
Menino de 10 anos com cigarro de maconha na mão, lança-perfume, cheirando. Eu fiquei abismada. Eu tenho filho. Aonde estão os pais dessas crianças? Sem condição.
Eu comecei a ir para me divertir com o pessoal. A gente fica mais afastado, dançando, a gente leva a nossa cerveja. É um local aberto, não paga para entrar, é perto de casa, você vai e volta andando. Agora o restante, a maioria vai pelo livre acesso de droga, compra e usa lá mesmo.
Pra gente que é morador, é uma distração. A gente não vai para usar droga
Moradora de Vila Velha
A gente vai na mercearia compra a bebida e leva. Você fica à vontade porque vê muita gente conhecida. A gente percebe se vai rolar uma confusão.
MUDANÇA
Nas últimas semanas não têm acontecido os bailes que eu costumo ir. Já tentaram fazer umas três vezes, mas não deu certo. 

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