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Acervo Pessoal
Vai doar no Natal

"Papai Noel nunca achou nosso endereço", diz costureira que reforma bonecas

Após ter infância humilde, com apenas uma boneca, Chiquita restaurou 101 bonecas para doar como presente de Natal

Laila Magesk

Editora-adjunta

Publicado em 10 de Dezembro de 2018 às 15:18

Publicado em

10 dez 2018 às 15:18
Ausência que se retribui com amor. O Natal na casa simples onde a costureira Chiquita morava era sem presente. "Papai Noel nunca achou o nosso endereço. Colocávamos um chinelo velho com capim na janela, mas ele não passava. Nossa casa só tinha uma janela e uma porta". Hoje, aos 66 anos, ela consegue transformar o Natal de crianças com histórias parecidas com a dela, sem condições de ganhar um presente. Em 2018, a costureira restaurou 101 bonecas para doação.
É o terceiro ano que Francisca Monteiro Alves, conhecida como Chiquita no bairro onde mora, em Cariacica, faz esse trabalho. "Estou desde janeiro fazendo as bonecas. Nem sabia que tinha tanto. Me surpreendi quando juntei com as outras".
Chiquita conta orgulhosa que as bonecas não têm aparência de usadas. "Tenho muito tecido dos anos que trabalho como costureira. Quanto mais eu gasto os retalhos, mais aparece. Multiplica. Tem coisa que eu nem sabia que tinha. Também ganhei alguns retalhos".
Boa parte das bonecas é totalmente transformada.
"Sessenta por cento das bonecas vêm do lixo. As pessoas jogam dentro do meu portão porque sabem que faço esse trabalho. Quando vem sem olho, eu aproveito a perna, o braço. Faço tudo para aproveitar"
Chiquita, costureira - Cargo do Autor
E o resultado fica bonito mesmo, com direito a embrulho de presente. "Dou banho, tiro o enchimento velho e faço um novo do mesmo tamanho. Elas vêm muito sujas. Quando estão riscadas de caneta, uso uma pomada para espinha e deixo no sol para retirar", ensina.
Francisca Monteiro Alves restaura bonecas para doação Crédito: Acervo Pessoal
INFÂNCIA POBRE
O trabalho voluntário traz uma satisfação especial à costureira. A mais velha de sete irmãos, Chiquita teve apenas uma boneca. 
"É muita alegria poder restaurar as bonecas. Não tive isso. Não fica nenhuma pra mim. Me sinto quando eu era criança e não tinha. Tive uma infância muito pobre. Minha mãe nos criou sozinha. Só lembro que ganhei uma boneca na minha vida, que minha avó me deu. Era tipo uma massa rosa. Quando fui no córrego lavar, a boneca foi escorregando e fiquei sem"
Chiquita, costureira - Cargo do Autor
Como foi a única, ela nunca esquece. "Eu lembro muito bem dela. Era uma bonecona pesada, feia, mas era uma felicidade só".
Depois que a boneca se foi pelo rio, Chiquita fazia das espigas de milho seus brinquedos. "Hoje é muito bom ter essas campanhas, no meu tempo de infância isso não existia", afirma.
Neste ano, ela já terminou o trabalho e entregou as bonecas que serão doadas em três instituições diferentes. No próximo sábado (15), uma parte será entregue no Projeto Social Gabriel Dellane, em Novo Horizonte, Cariacica. Pela primeira vez, ela irá acompanhar uma entrega. "Quero ver a carinha das crianças".
ALEGRIA DAS CRIANÇAS
A pedagoga Carla Pimentel, que coordena um dos projetos envolvidos no trabalho, conta como a ideia surgiu. "Uma irmã da comunidade Santa Ana, em Cariacica, há três anos sugeriu que fizéssemos algo com brinquedos usados, já que não tínhamos condições de atender muitas crianças com brinquedos novos, Dona Chiquita se dedicou a limpar e costurar vestidos perfeitos para essas bonecas. O grupo de jovens Resgate, que é da comunidade, faz essa distribuição".
"Geralmente as crianças que atendemos estão em área de risco social. É indescritível a reação. Algumas se emocionam tanto que é imediato o choro, parece que na era da tecnologia ainda existe espaço para um toque de simplicidade e carinho"
Carla Pimentel, pedagoga - Cargo do Autor
Francisca Monteiro Alves restaura bonecas para doação Crédito: Acervo Pessoal

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