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Supervisora de vendas foi vítima duas vezes do golpe do boleto bancário Ricardo Medeiros
Alerta

Os golpes que mais fazem vítimas no Espírito Santo

Boleto adulterado e anúncios falsos na internet são alguns exemplos

Elis Carvalho

Repórter de Cotidiano

Publicado em 18 de Novembro de 2018 às 19:56

Publicado em

18 nov 2018 às 19:56
Golpe do falso sequestro, golpe do boleto bancário, golpe do amor, golpe do bilhete premiado... Essas são algumas entre tantas formas de estelionato que diariamente fazem vítimas no Espírito Santo. Parte dessas fraudes são velhas conhecidas da polícia e, por isso, criminosos variam na forma de agir para não serem facilmente identificados. Já outras formas de enganar são recentes e estão crescendo com o aumento do uso da internet.
De acordo com o delegado Breno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), golpes na internet tornaram-se cada vez mais comuns porque a ferramenta passou a ser muito usada, inclusive para resolver questões que envolvem dinheiro, como pagamentos, por exemplo.
“O golpe do boleto bancário, por exemplo, tem aumentado muito. Principalmente porque as pessoas passaram a fazer pagamentos pela internet. Em 2017, só no Brasil, foram cerca de 400 milhões de casos de golpes do boleto. Vão desde a simples emissão de boleto falso até vítimas perdendo muito dinheiro”, afirmou.
O golpe funciona da seguinte forma: o hacker instala um vírus no computador da vítima que identifica quando ela abre um boleto bancário. Ao abrir, o vírus modifica a linha digital do boleto. “A pessoa acredita estar pagando boleto verdadeiro, mas o destino final é uma conta que o golpista escolheu”, explicou Andrade.
Embora o brasileiro prefira, atualmente, pagar contas via boleto bancário, essa não é a forma mais segura, segundo o delegado.
“A forma mais segura é usar o cartão de crédito. Mesmo que clone o cartão, ao fazer a comunicação ao banco a chance de restituir o dinheiro é bem maior. Pelo boleto bancário não há garantia. É bom desconfiar se a única forma de pagamento for o boleto”, completou.
"PASSEI O MAIOR APERTO. NÃO SABIA DESSE GOLPE"
Supervisora de vendas foi vítima duas vezes do golpe do boleto bancário Crédito: Ricardo Medeiros
Sem sequer saber da existência do golpe do boleto bancário, uma supervisora de vendas de 49 anos, moradora de Vitória, foi vítima por duas vezes em um único dia, perdendo mais de R$ 2 mil.
Como caiu no golpe?
Eu moro de aluguel e o dono da apartamento envia os boletos de pagamento por e-mail. Há alguns meses, ele enviou o boleto de R$ 1 mil e quando fui imprimir, o destinatário estava com o nome de outro banco, de outro Estado. Mas na hora eu nem percebi. Imprimi e paguei.
E como foi o segundo golpe?
Foi no mesmo dia. Minha patroa me enviou por e-mail um boleto pra eu pagar no valor de
R$ 1.084. Quando imprimi, o banco destinatário também era outro. Mais uma vez eu não percebi. Como na agência bancária pagaram o boleto normalmente, nem desconfiei. 
E como descobriu que tinha sido enganada?
Só quando comecei a ser cobrada porque o dinheiro não caiu nas contas de destino. Mandei foto dos boletos pagos, fui na agência onde fiz o pagamento, mas eles não souberam dizer o que tinha acontecido. Aí procurei a polícia e soube que era um golpe comum, mas que eu nunca tinha ouvido falar.
Como fez para resolver essa situação?
Até hoje não descobriram quem foi o golpista e eu acabei ficando no prejuízo. Tive que pedir dinheiro emprestado para pagar tudo de novo. Depois, chamei um técnico de informática que limpou os vírus do meu computador e instalou um antivírus. Passei o maior aperto. É chato demais ser cobrado por algo que você pagou. A gente nunca imagina que esse tipo de coisa vai acontecer com a gente. Mas foi falta de atenção minha. Eu imprimi e não olhei o nome do destinatário no boleto. Agora vou ficar muito mais atenta.
NOVAS TÁTICAS
Outros golpes considerados mais novos são o do amor, do preço baixo e do emprego. No primeiro, a vítima é enganada por um perfil falso, pensando estar em um romance pela internet com a pessoa perfeita. Segundo a polícia, esse é o crime que mais tem crescido na internet.
“Os criminosos costumam procurar mulheres de meia idade, separadas ou viúvas, que vivam em um contexto de carência afetiva. Normalmente, dizem ter uma profissão de prestígio, como engenheiro, advogado ou militar. Após meses envolvendo as vítimas, eles inventam alguma história para pedir dinheiro emprestado, prometendo que irão devolver. Há alguns meses, uma senhora tentou sacar
R$ 200 mil da conta para enviar para um suposto namorado, morador de Londres, na Inglaterra. O gerente do banco desconfiou e falou que tudo indicava ser golpe. Mas nem sempre há tempo de impedir”, contou o delegado.
OLHO GRANDE
No golpe do preço baixo, golpistas criam falsos anúncios de venda, com ofertas tentadoras. O bandido faz a vítima depositar um sinal da compra para garantir a venda, mas depois de receber o dinheiro, desaparece.
Já no golpe do emprego, vagas são anunciadas na internet e as vítimas são influenciadas a pagar por supostos cursos preparatórios. Após pagarem, descobrem que não há curso nem emprego.
FALSO SEQUESTRO E BILHETE PREMIADO SÃO OS MAIS COMUNS
Entre os golpes mais antigos, mas que ainda fazem muitas vítimas, estão o do bilhete premiado e o do sequestro. Segundo a Delegacia de Defraudações e Falsificações (Defa), os golpes ainda fazem muitas vítimas porque os bandidos apelam para o emocional, em um grande teatro. Além disso, eles arquitetam variações para o mesmo tipo de golpe.
No golpe do bilhete premiado, a vítima é abordada por um golpista, quase sempre idoso, aparentando ser humilde e ingênuo, que diz ser o ganhador de um prêmio e pede ajuda para fazer o saque. Como recompensa, promete dar uma quantia à vítima. Para isso, a pessoa precisa dar um sinal, como uma garantia que é de confiança. Após o saque, a vítima é roubada.
Já no falso sequestro, os bandidos telefonam fingindo ter sequestrado um familiar da vítima. Fazendo terror psicológico, prendem a pessoa na linha telefônica até ela depositar a quantia exigida.
CUIDADO
A polícia orienta jamais fazer depósitos ou enviar dinheiro para desconhecidos. Se o golpe for por telefone, o ideal é desligar o aparelho e entrar em contato com familiares.
Além disso, é sempre importante desconfiar de promessas absurdas, como o emprego dos sonhos, a recompensa de um desconhecido ou a promessa de casamento de alguém que você só conhece pela internet. Caso perceba que está sendo abordado por um golpista, a orientação é procurar a polícia imediatamente.
OS PRINCIPAIS GOLPES E COMO FUNCIONAM
Carro quebrado
Uma das mais comuns, a fraude é realizada pelo telefone. O criminoso liga fingindo ser um parente distante que acabou de quebrar o carro na estrada e está sem dinheiro para pagar o guincho. Sem perceber, muitas vítimas acabam “entregando” informações sobre o parente distante. Usando essas informações, o bandido consegue fazer o golpe parecer ainda mais real. Por fim, ele pede para a vítima depositar o dinheiro, garantido que a quantia será devolvida.
Bilhete premiado
Um dos golpes mais antigos, continua fazendo vítimas frequentemente. Tudo acontece como um grande teatro: vítima é abordada por um idoso, aparentemente humilde, que afirma ter recebido um prêmio e pede alguma ajuda, como informação de endereço do local de saque, por exemplo. Depois outras duas pessoas aparecem oferecendo ajuda para levar o falso ganhador do prêmio ao lugar indicado. O golpista idoso pede para a vítima ir junto, por confiar mais nela. Ao ir sacar a quantia, deixando a vítima do lado de fora, o idoso volta afirmando que aquele é o último dia para saque, mas que está sem os documentos. Ele diz que só conseguirá sacar se tiver uma pessoa de confiança, com documentos, para ser seu procurador, e pede isso à vítima. Mas, como garantia de que a pessoa não vai ficar com todo o dinheiro do prêmio sozinha, o golpista pede uma garantia, como o saque de uma quantia. Outras vezes, oferece uma quantia do prêmio como recompensa pela ajuda, mas também precisa de dinheiro como garantia. Em junho deste ano, uma idosa de 83 anos perdeu R$ 95 mil na Praia do Canto, em Vitória.
Motoboy
Os golpistas fingem ser da operadora do cartão de crédito da vítima. Eles ligam para o telefone fixo da pessoa e perguntam se reconhecem uma compra feita em outro Estado. Assim que a vítima responde que não, afirmam que provavelmente o cartão foi clonado. Eles pedem para que a vítima ligue para o número que está atrás do cartão, mas afirmam que essa ligação só pode ser feita por meio de um telefone fixo. É quando a vítima desliga, coloca o telefone no gancho e logo em seguida já faz a ligação. Do outro lado, os golpistas não desligam e a chamada acaba ficando presa. Eles usam gravações fingindo ser do banco e, após conversa com a vítima, confirmam que o cartão foi clonado. Os bandidos pedem para a vítima digitar a senha, que é capturada por eles. Depois, pedem para que o cartão seja quebrado, mas preservando o chip. Por fim, afirmam que um motoboy do banco vai até a casa da vítima recolher o cartão danificado. Com a senha e o chip do cartão em mãos, eles fazem várias compras.
Sequestro
Velho conhecido, mas ainda fazendo muitas vítimas. O criminoso liga dizendo que sequestrou um parente da vítima, normalmente filhos. Com uma pessoa ao fundo gritando por socorro, muitas vezes a própria vítima passa informação sobre os filhos, como nomes, por exemplo. Usando essas informações, os bandidos exigem que a vítima deposite um dinheiro na conta deles para o resgate, sempre fazendo ameaças de morte. Para evitar que a pessoa do outro lado da linha fale com parentes ou peça ajuda, eles exigem que a vítima fique no telefone com eles o tempo todo. Nesse golpe, uma idosa de 85 anos perdeu quase R$ 300 mil em dinheiro e joias, na Grande Vitória, em outubro deste ano.
Boleto bancário
Tornando-se cada vez mais frequente, o golpe é aplicado por hackers, que invadem o computador da vítima para checar se ela tem o costume de imprimir boletos bancários no computador. Percebendo isso, eles enviam um vírus, que pode estar disfarçado em um envio de e-mail com arquivo para a pessoa clicar. Com o vírus instalado no computador da vítima, o bandido identifica o momento em que ela vai imprimir o boleto e muda os dados do código de barras e o número. Quando a vítima vai ao banco fazer o pagamento, o dinheiro é depositado em outro banco, em alguma conta que o golpista terá acesso.
Exame médico
Normalmente é aplicado contra pessoas que têm parentes internados em hospitais. Um bandido se passa por funcionário do hospital e liga para a vítima dizendo que o familiar internado precisa realizar exames com urgência. Para isso, pede uma quantia em dinheiro. Apesar de ser aplicado por telefone, o bandido demonstra que tem conhecimento sobre a vida da vítima. Os casos se tornaram tão comuns que hospitais passaram a fixar cartazes e a informar pacientes que não fazem esse tipo de contato por telefone.
Preço baixo
Quem já procurou um carro para comprar na internet pode ter notado veículos anunciados com preços bem abaixo do mercado. Esse é um dos crimes mais comuns registrados pela Polícia Civil. Os bandidos fazem um anúncio falso de um automóvel com preço baixo. Quando a vítima entra em contato, o criminoso afirma que precisa de um sinal em dinheiro para garantir a venda, alegando que existem outros compradores interessados.
Identidade
Conhecido pela polícia como furto de identidade, o golpe acontece quando os criminosos clonam documentos, pegam dados que as vítimas perdem na internet, fazendo currículo ou de alguma outra forma. Eles fazem um documento falso, vão até uma loja ou um banco e conseguem financiar ou fazer empréstimo.
Emprego
Aproveitando momentos de crise, criminosos criam falsas vagas de emprego na internet usando nomes de empresas grandes. Para conseguir a suposta vaga, é necessário fazer alguns cursos de capacitação que são pagos. Após os cursos, a promessa é de vaga garantida com todos os benefícios que o emprego dos sonhos poderia oferecer. A vítima paga pelos cursos, mas ao procurar a empresa para fazer as aulas descobre que foi enganada.
Amor
Golpe do Amor Crédito: Ilustração | Arabson
O golpe do amor não é aplicado de um dia para outro. Os bandidos, normalmente estrangeiros, criam perfis falsos em sites de relacionamentos e redes sociais fingindo serem pessoas maravilhosas, que buscam namoro ou casamento. Após envolverem os alvos em longas conversas, que duram meses, eles ganham a confiança das vítimas. Prometendo relacionamento sério, inventam alguma história para pedir dinheiro emprestado, sempre garantindo que irão devolver.
 

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