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Vitor Vogas

Novato quer presidir a Câmara de Vitória

Com seis meses de antecipação, o vereador Mazinho dos Anjos (PSD) lança candidatura para comandar o Legislativo da Capital

Publicado em 17 de Fevereiro de 2018 às 01:33

Públicado em 

17 fev 2018 às 01:33
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Praça Oito - 19/02/2018 Crédito: Amarildo
Com seis meses de antecipação, o vereador Mazinho dos Anjos (PSD) está lançando, em primeira mão, candidatura à presidência da Câmara de Vitória no biênio 2019/2020 (a eleição interna será realizada em agosto). “Sim, sou candidato. Estou me colocando à disposição dos colegas para tentar fazer o consenso em torno do meu nome”, declara ele.
A entrada para valer de Mazinho no processo promete movimentar a Câmara nos próximos meses – até porque a presidência, hoje ocupada por Vinícius Simões (PPS), também é cobiçada pelo vereador Leonil (PPS), líder do prefeito Luciano Rezende (PPS) na Casa.
Trata-se de um passo ousado por parte do vereador de 36 anos, no exercício do primeiro mandato. Ousado e, talvez, um pouco precipitado. Não a candidatura em si, mas a antecedência com que ele passa a assumi-la publicamente. Parece um caso típico de queima de largada, o que pode fazer dele um cavalo paraguaio na corrida rumo ao centro da Mesa Diretora.
A partir do momento em que Mazinho se expõe dessa maneira e dá publicidade a seu desejo de ser presidente, coloca-se naturalmente na condição de vitrine e fica sujeito a tomar tijoladas de eventuais adversários pelos próximos seis meses. “Não tem problema”, minimiza ele. “Não tenho apego à presidência e não preciso ser presidente de qualquer maneira. Estou me colocando à disposição se eu puder contribuir para manter o ambiente harmônico e de muito diálogo, como foi o primeiro ano do presidente Vinícius.”
Apesar do elogio a Vinícius, uma gestão Mazinho dos Anjos decididamente não representaria continuidade da atual. Ele mesmo leva a essa conclusão. Avalia, por exemplo, que o Legislativo hoje está “desmoralizado” na relação com o Executivo e na discussão dos projetos enviados pela prefeitura, como o do novo Plano Diretor Urbano (PDU). “As pessoas acham que essa minuta é inalterável porque foi discutida na prefeitura e porque veio de lá. A Câmara é que é o lugar certo de se discutir e debater, mas as pessoas não têm essa importância por causa da desmoralização do Legislativo.”
Supondo que consiga viabilizar-se e que seja mesmo eleito para comandar a Casa, Mazinho assegura que sua postura na presidência será a mesma mantida por ele neste seu início de mandato: “Será uma postura de colaboração com a prefeitura no que for bom para a cidade. E o que eu entender que precisa ser melhorado, vou apontar e dizer o que precisa ser melhorado. Acho que o prefeito não é contrário a isso, não. A pior coisa que existe é gente só te bajulando”.
Dizendo-se bem relacionado com todos os colegas, tanto da base como da oposição, Mazinho estima que, hoje, teria o voto de dez dos 15 vereadores (para se eleger presidente, são necessários oito). “Acho que hoje, se eu conversar com um por um, só não teria o apoio do PPS. Aliás, dos cinco do PPS, que são os quatro vereadores do partido (Vinícius, Leonil, Waguinho Ito e Denninho Silva), mais o Wanderson Marinho (PSC), que está muito junto do PPS”, calcula o postulante.
Ocorre que, justamente por não ser do PPS e por vir exercendo mandato bastante independente em relação ao Executivo, Mazinho pode vir a enfrentar dificuldades no caminho para se viabilizar, vindas da prefeitura e/ou do próprio PPS, que pode lançar um integrante da tropa de choque de Luciano e com o carimbo de aliado do prefeito para esvaziar a candidatura do vereador de primeira viagem. Objetivamente, basta Luciano dar dois ou três telefonemas, na hora H, que essa “maioria” com que Mazinho diz contar pode se desmanchar no ar.
Mazinho admite que, a priori, Luciano obviamente terá preferência por um nome do PPS, mas relativiza isso. “É claro que ele tem um compromisso com o candidato dele, o Leonil. Mas não o vejo fazendo uma movimentação contrária ao meu nome.” Por enquanto, pode ser que não. Mas, uma vez que o vereador se apressa a sair na chuva ácida, pode se molhar (e queimar) antes da hora.
Mazinho e Luciano
Será que Mazinho não teme ter a candidatura minada por não pertencer ao PPS nem considerar-se membro da base de Luciano, além de manter postura crítica à administração? “Aí vou remeter ao passado”, rebate o vereador, evocando o histórico partidário que o aproxima do prefeito. “Para você ter uma ideia, tenho uma relação com o PPS mais antiga do que o Vinícius Simões e o Fabrício Gandini. Já fiz campanha para o Luciano a vereador no ano 2000. Eu tinha 19 anos. E me filiei ao PPS, a pedido do Luciano, por conta dessa relação. Fiquei no PPS de 2001 até 2010, 2011, por aí.”
Prefeito vacinado
Bem, se é para remeter ao passado, é preciso recordar o seguinte: nos dois primeiros anos da legislatura (o biênio 2013/2014), com Gandini na presidência da Câmara, Luciano passeou por ali. Já no biênio seguinte (2015/2016), a situação para o prefeito virou um desastre durante a presidência de Namy Chequer (PCdoB), que não controlou a base em um período de forte instabilidade e tensões pré-eleitorais. Precisamente por causa desse trauma, é razoável supor que Luciano, dessa vez, fará questão de emplacar um presidente que faça parte de sua tropa de choque.
“Hora da gratidão”
Mazinho não pensa assim. Defende que é hora do “agradecimento” e da “divisão do poder”. “Acho que não. Aí é que está. O perfil da Câmara atual é muito diferente do perfil da Câmara passada. E ele pôde sentir isso nesse primeiro ano de legislatura (2017). Acho que agora é o momento de o prefeito mostrar realmente agradecimento a essa base que o apoiou e dividir as forças de poder. Que não seja o Mazinho, mas seja de repente alguém de outro partido que é da base dele.”
Política no sangue
Nascido Edmar dos Anjos, Mazinho leva a política no sangue. É sobrinho do deputado estadual Enivaldo dos Anjos (também do PSD). Chegou a estagiar no Tribunal de Contas do Estado quando o tio era conselheiro lá.
Empreendedorismo
Além de vereador, Mazinho é empresário e tem MBA em Gestão de Negócios pela Fucape. Na casa dos 20 anos de idade, participou de inúmeras associações e federações de jovens empreendedores. Em defesa de uma “agenda liberal e empreendedora”, tem mantido atuação muito crítica, por exemplo, ao projeto do PDU e ao que entende por “barreiras” impostas pela Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec) à atividade dos empresários no município.
Cruzada contra a Sedec
Em sua apresentação no site da Câmara, está dito textualmente: “Mazinho quer atuar principalmente na proposição de estudos e projetos de desburocratização das secretarias e órgãos da prefeitura que dificultam a vida do empreendedor, como a Sedec, a Secretaria de Meio Ambiente e Vigilância Sanitária”.
Advocacia
O vereador também exerce a advocacia em um escritório do qual é sócio. É formado pela FDV (onde presidiu o DCE e hoje faz pós em Direito Civil). Na eleição da Mesa, vai ter que exercitar os dotes de advogado. Se quiser sobreviver no páreo, mais do que persuadir os pares, terá que convencer o prefeito. “Exatamente”, confirma o vereador.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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