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Amit Shah

Com nova vitória de Modi, líderes antimuçulmanos ganham espaço na Índia

Um dos líderes é Amit Shah, 54, apontado como o estrategista da vitória avassaladora da coalizão do primeiro-ministro

Publicado em 23 de Maio de 2019 às 21:47

Publicado em 

23 mai 2019 às 21:47
Amit Shah, 54, apontado como o estrategista da vitória avassaladora da coalizão do primeiro-ministro Crédito: Youtube
Com a nova vitória do premiê Narendra Modi nas eleições indianas, analistas dizem que o país está entrando em uma era de nacionalismo hindu, na qual os líderes políticos de destaque têm um discurso virulento contra (a minoria religiosa) dos 170 milhões de muçulmanos da nação.
Uma destas figuras é Amit Shah, 54, apontado como o estrategista da vitória avassaladora da coalizão do primeiro-ministro. Natural do estado de Gujarat, o mesmo de Modi, Shah liderou o partido vencedor (BJP) pelos últimos cinco anos.
Durante a campanha, ele fomentou o sentimento nacionalista ao acusar a oposição de agradar aos muçulmanos da Bengala Ocidental com financiamento a clérigos e a escolas religiosas que teriam transformado o Estado em uma réplica do vizinho Bangladesh, país de maioria islâmica e fonte de imigrantes ilegais.
No mês passado, o político iniciou uma campanha contra imigrantes muçulmanos, comparando-os a cupins. Em paralelo, apoiava medidas de cidadania para minorias budistas, hindus e sikhs oriundos dos vizinhos Afeganistão, Bangladesh e Paquistão.
O trofeu de Shah deve ser um cargo no alto escalão do novo governo.
Já Sadhvi Pragya Thakur, 49, ganhará um assento na câmara baixa da cidade de Bhopal tendo um passado contencioso. Ela foi acusada de ser a mentora de um atentado em setembro de 2008 em uma região muçulmana no pequeno município de Malegaon, a oeste do país.
Junto a outros oito suspeitos, Shah teria detonado dois explosivos presos a uma motocicleta, matando seis pessoas -todos muçulmanos- e ferindo cem. O veículo estava registrado em seu nome.
Thakur foi presa logo em seguida sob acusações de terrorismo.
Nos anos seguintes, ela protocolou diversos pedidos de fiança para a Justiça, mas só conseguiu sair em 2017, alegando questões de saúde e após a maior parte das acusações contra ela ter sido descartada.
Seu principal argumento para a corte era sofrer de um tipo agressivo de câncer de mama, do qual afirma ter se curado. "Eu era uma paciente de câncer e me curei ingerindo urina de vaca e 'panchgavya'", disse recentemente à televisão India Today. O composto, uma mistura de urina, leite e esterco bovino com os derivados ghee e coalhada, é usado em rituais hindus e na medicina aiurvédica.
No entanto, a candidata omite que passou por três cirurgias nos anos seguintes ao diagnóstico, até que finalmente teve as duas mamas removidas pelo médico S.S. Rajput em 2017.
Nisar Ahmed Sayyed Billal, o pai de uma das vítimas do atentado, entrou na justiça de Mumbai para tentar barrar a candidatura, mas a corte argumentou que não tinha jurisdição para impedir que Thakur concorresse.

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