Publicado em 28 de março de 2025 às 19:44
A decisão do Tribunal Superior da região da Catalunha, na Espanha, de revogar por unanimidade a condenação do ex-jogador de futebol Daniel Alves por agressão sexual, nesta sexta-feira (28/3), é mais uma reviravolta de um processo judicial iniciado ainda em 2022.>
O tribunal aceitou recurso feito pela defesa de Alves e, na decisão desta sexta, fala em "falta de confiabilidade no depoimento da denunciante" e em "insuficiência de provas".>
Em fevereiro do ano passado, o ex-jogador da seleção brasileira havia sido sentenciado a 4 anos e meio de prisão pelo Tribunal de Barcelona.>
A acusação envolve uma mulher de 23 anos que, segundo a corte, teria sido abusada por Alves no banheiro de uma discoteca em Barcelona na madrugada de 31 de dezembro de 2022.>
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Entenda as reviravoltas do caso, que ainda pode ter novos desdobramentos, já que cabe recurso da decisão perante a Suprema Corte da Espanha.>
Pouco antes das 4h, Daniel Alves pediu a um garçom que convidasse três mulheres à área VIP da boate Sutton, em Barcelona. >
Conforme imagens colhidas a partir de câmeras de segurança, o grupo dança por cerca de 15 minutos, até que Alves convida uma delas para uma suíte com banheiro, local onde teria ocorrido a agressão.>
Depois de 16 minutos no interior do banheiro, o ex-jogador deixa o local, seguido pela moça. A caminho da saída, e acompanhada das amigas, ela começa a chorar.>
Acolhida pela equipe de segurança da casa noturna, a mulher relata a suposta agressão e a boate inicia o protocolo para casos de violência sexual. >
A polícia é chamada, colhe o depoimento da mulher, que é então encaminhada a um hospital para exames.>
A denunciante confirma à polícia seu depoimento inicial: que entrou no banheiro voluntariamente, mas se arrependeu, e Alves não deixou ela sair.>
O jogador teria tentado forçá-la a praticar sexo oral e depois a agredido e penetrado de forma violenta.>
Os policiais reuniram testemunhos, analisaram as câmeras de segurança e colheram amostras biológicas. Eles então se prepararam para realizar a prisão do ex-atleta, que voltava do México.>
Após ser preso, Alves de contradiz pelo menos três vezes: primeiro diz que não conhecia a jovem; depois que estiveram juntos no banheiro, mas nada aconteceu; e, finalmente, que ela tentou praticar sexo oral nele.>
A juíza destaca essas contradições e a firmeza do relato da vítima. >
Diante dos "indícios muito mais do que suficientes" de crime e do risco de fuga, ela decide pela manutenção da prisão, sem direito a fiança. >
No mesmo dia, o clube Pumas, do México, rescinde o contrato do jogador.>
A pedido do jogador, ele é conduzido para novo depoimento e novamente muda sua versão dos fatos, admitindo pela primeira vez que houve penetração – isso, após a polícia ter encontrado amostras de sêmen dele dentro da vagina da mulher.>
Mas ele diz que houve consentimento, e que mentiu para que sua esposa, a modelo Joana Sanz, não soubesse de sua infidelidade.>
Em entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, Alves diz que tem a "consciência tranquila".>
Ele não pede desculpas à mulher, mas diz que a perdoa por ter distorcido os fatos ocorridos entre eles. >
"O que aconteceu lá dentro é algo que só ela e eu sabemos", diz o jogador.>
A juíza Anna Marín encerra a investigação e processa Alves ao concluir que existiam provas suficientes de um crime.>
Ela impõe fiança de 150 mil euros (cerca de R$ 900 mil à época) para cobrir uma possível indenização à vítima e adverte que, se ele não pagasse, seus bens poderiam ser penhorados.>
O Ministério Público espanhol pede a pena de nove anos de prisão por crime de agressão sexual com penetração (crime equivalente no Brasil ao estupro) e o pagamento de uma indenização de 150 mil euros à vítima pelas "consequências físicas e psicológicas" e pelos danos morais sofridos pela jovem.>
A defesa da denunciante aumenta o pedido para 12 anos de prisão.>
Uma montagem em vídeo contendo imagens da mulher envolvida no caso aparece nas redes sociais.>
Ele é compartilhado por pessoas próximas a Alves, incluindo a mãe dele. O vídeo tenta desacreditar a versão da jovem e revela também seu nome completo, até então preservado.>
A advogada da mulher, Ester García, denunciou o fato, e um tribunal de Barcelona abriu uma investigação.>
O julgamento é realizado nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro. >
O Ministério Público e a advogada da vítima pediram que fosse realizado a portas fechadas, mas o pedido é rejeitado, e os magistrados decidem que apenas o depoimento da denunciante será resguardado.>
Na última das três sessões, a promotora, Elisabeth Jiménez, defendeu a "credibilidade absoluta" da vítima diante das diversas versões apresentadas pelo jogador.>
Daniel Alves é condenado a 4 anos e 6 meses de prisão e a pagar uma indenização de 150 mil euros pela agressão sexual à jovem de 23 anos nos banheiros da boate Sutton, em Barcelona.>
Os magistrados da 21ª Seção acreditam no relato da mulher sobre os fatos e consideram provado que o ex-jogador do Barcelona a penetrou sem consentimento.>
A divisão de apelações do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha anulou por unanimidade a sentença que condenou o jogador por agressão sexual.>
O tribunal aceitou recurso apresentado pela defesa de Alves e, na decisão, fala em "falta de confiabilidade no depoimento da denunciante" e em "insuficiência de provas".>
A decisão gera críticas na Espanha e no Brasil. Ainda cabe recurso. >
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