Após anos de embates nas esferas administrativa e judiciária, Vila Velha liberou a construção de casas no Morro do Moreno. Embora as novas regras do Plano Diretor sirvam para regularizar uma situação presente, de atuais moradores e proprietários de terrenos, é essencial que a legislação não descuide dos impactos futuros que a ocupação da área pode acarretar. A população, principal beneficiária das trilhas, da fauna e da flora nativas, da água mineral e da vista da região deve permanecer alerta.
O maciço que dá as boas-vindas a quem chega à cidade merece ser preservado, seguindo estritas normais ambientais, para que não perca seu título de cartão-postal. Vila Velha deve aprender com os erros do passado, quando legisladores e ocupantes do Executivo permitiram a ocupação desordenada de seu território, com sérios prejuízos para a qualidade de vida da população.
Basta lembrar das constantes enchentes que invadem casas à beira de rios, da erosão marítima na Ponta da Fruta e da sombra que cobre toda a orla de pontos turísticos como Praia da Costa e Itapuã. São ônus quase impossíveis de serem revertidos depois que o mal está feito.
Poluição, ausência de áreas verdes, aumento de temperatura, dificuldade de acesso a bens e serviços e até violência integram também a longa lista de consequências negativas do crescimento descontrolado. As cidades do futuro são pensadas no presente.