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Palestra

Presidente do Fortaleza dá receita de sucesso ao futebol capixaba

Em palestra no ES, Marcelo Paz revela que credibilidade e salários em dia são fundamentais para montar um time forte

Publicado em 19 de Março de 2019 às 20:43

Publicado em 

19 mar 2019 às 20:43
A palestra de Marcelo Paz, presidente do Fortaleza Crédito: Cássio Neves/Divulgação
Atual campeão da Série B do Campeonato Brasileiro, com um forte apelo em marketing e redes sociais, um robusto programa de sócio-torcedor, uma rede de produtos licenciados e com membros da diretoria remunerados. Este é o Fortaleza, presidido por Marcelo Paz, que deu uma palestra aberta ao público na tarde desta segunda-feira (18), no auditório do Conselho Regional de Contabilidade do Estado (CRC-ES), em Bento Ferreira.
Organizada pelos vereadores de Vitória, Mazinho dos Anjos (PSD) e Sandro Parrini (PDT), a iniciativa contou mais de cem inscrições, e teve a presença de dirigentes de clubes, profissionais do futebol amador e profissional, além do presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), Gustavo Vieira.
Com foco em ajuste financeiro, que aumenta a credibilidade do clube perante o mercado, Marcelo Paz dá a sua dica de como os clubes capixabas podem alavancar receitas e conseguir montar times mais competitivos no cenário nacional.
"O camisa 10 de qualquer time é o salário em dia. Não adianta você querer pagar o que não tem, contratar pra dar satisfação pra torcida, demitir porque a torcida está pedindo a cabeça do jogador, trazer o fulano de tal porque foi bom não sei quando. Responsabilidade nas contratações, no orçamento do clube, na hora de contratar e de demitir. Isso é fundamental em qualquer empresa, qualquer gestão."
Confira os principais pontos da palestra
Forte apelo em marketing
- O nosso trabalho de marketing começou com seis, oito pessoas com uma verba X. Hoje a equipe tem 12 pessoas, todos remunerados, trabalhando full-time no clube, pensando no Fortaleza 24 horas, interagindo com o torcedor 24 horas. No ano passado nós crescemos 48% nas redes sociais, passamos da casa de 1 milhão de seguidores. Fizemos várias peças publicitárias pra fortalecer o sócio-torcedor.
Dirigentes remunerados
- Não se trabalha sozinho. Profissionalização é remunerar mas é remunerar gente qualificada para aquele setor. O diretor jurídico tem que ser um excelente advogado, o diretor de patrimônio tem que entender de como vai fazer o patrimônio melhorar, o diretor administrativo tem que ter formação administrativa, e assim vai. Assim nós buscamos fazer e chegamos na remuneração. Você tem que chamar pessoas qualificadas e empoderar, acreditar nessas pessoas, na competência técnica de quem você contratou. Não adianta você contratar e ser aquele cara que não deixa ninguém trabalhar.
Auditório ficou lotado para a palestra com o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz Crédito: Richard Pinheiro/GloboEsporte.com
Responsabilidade financeira
- Pés na grama, pés no chão. O camisa 10 de qualquer time é o salário em dia. Não adianta você querer pagar o que não tem, contratar pra dar satisfação pra torcida, demitir porque a torcida está pedindo a cabeça do jogador, trazer o fulano de tal porque foi bom não sei quando. Responsabilidade nas contratações, no orçamento do clube, na hora de contratar e de demitir. Isso é fundamental em qualquer empresa, qualquer gestão. A nossa folha na Série C foi em torno de 600 mil reais, na Série B começou com 850 mil e terminamos com 1 milhão e 200 mil, e a folha da Série A estamos atualmente em torno 2 milhões, podendo chegar a 2.500. E se entrar mais dinheiro a gente vai aumentar essa folha porque o importante é manter o time na Série A, que isso faz todo o carro andar.
Programa de sócio-torcedor
- A gente tem que fazer dessa marca (escudo) gerar receitas, gerar dinheiro. No programa de sócio-torcedor saímos de 7.500 para mais de 26 mil sócios. Um salto absurdo. Mais de um milhão por mês de receita com sócio-torcedor, tratando bem, dando brinde, dando promoção e entrando de graça no estádio, além de cuidar do sócio-torcedor. A gente tem que fazer os que não são sócios comprarem a camisa, o calção, o chaveiro, consumir o clube. É fazer a receita entrar, é gestão. O programa de sócio-torcedor cresceu 241% de setembro de 2017 até o final de 2018.
Transparência
- Quando a gente erra, a gente diz "erramos, realmente vocês têm razão nisso aí". Porque o torcedor é uma massa e a massa hoje quer a verdade. Ninguém mais quer ser enganado. Diz que errou, mostra o borderô, mostra o prejuízo no jogo, mostra quanto entrou. O sócio-torcedor ele caminhou muito por isso.
Os organizadores da palestra de Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, foram os vereadores Sandro Parrini (PDT) e Mazinho dos Anjos (PSD) Crédito: Cássio Neves/Divulgação
Marca própria e licenciamento
- Leão 1918. Criamos uma nova marca para gerar receita pro clube. É camisa, o chinelo, o vinho, a cantina, futebol de botão, até o relógio é do Fortaleza. Hoje tem mais de 100 produtos licenciados, 42 empresas e mais de 100 mil produtos diferentes, porque cada empresa produz 300, 400 camisas, calção. Tudo isso gerando receita pro clube, royalties pro clube e gerando fidelização com o torcedor, e apoiado pelo departamento de marketing muito competente que dá luz a tudo isso. Equacionar dívidas para investir em patrimônio, tanto que estamos construindo um centro de excelência, e contratar jogadores com responsabilidade estratégica. Vamos gerindo com responsabilidade, com cuidado e usando a massa ao seu favor. E a bola entrando, porque se a bola não entrar tudo isso gira mais devagar, não tem jeito.
"O pouco de muitos"
- O Fortaleza é um clube da capital, que tem torcida no interior todo mas nunca ia pro interior. E você tem que ter a coragem de fazer diferente, de ousar, chegar perto das pessoas. Como eu não tinha dinheiro, e sabia que a turma que tinha dinheiro, que já tinha ajudado em outros momentos não ia "chegar junto" naquele momento, eu fui me agarrar com minha torcida, com o torcedor mais simples que tiver. Cada um vai ajudar um pouquinho e a gente fica forte. Aí começamo a falar "é o pouco de muitos", e o torcedor mais humilde disse "agora eu faço parte". Fomos no ano passado a 14 cidades, nesse ano fomos em cinco ou seis. Fomos numa caravana, com mascote, equipe de cadastro de sócio, equipe de vendas, fazíamos um evento e conquistava 40 sócios, 50. Toda cidade tinha uma história, gente apaixonada pelo clube. Antes tínhamos uns 30 ou 40 sócios no interior e hoje temos 3 mil sócios no interior, dinheiro novo, que não existia e que gente passou a captar.

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