RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O Independente Rivadavia venceu o Fluminense no Maracanã, de virada, por 2 a 1, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, e já deixa tumultuada a vida dos cariocas na competição. Se Guilherme Arana abriu o placar no primeiro tempo, o time argentino reagiu com Sartori e Arce. O segundo gol veio em uma falha defensiva grotesca do Fluminense.
O resultado já começa a complicar o cenário ainda mais para o Fluminense no Grupo C. O time empatou na estreia e agora está em terceiro, com um ponto. O Rivadavia, estreante na competição, já abriu gordura, chegando a seis.
Para efeitos de classificação ao mata-mata, menos mal para o time brasileiro que o La Guaira empatou com o Bolívar e ainda tem dois pontos.
Foi a primeira derrota do Fluminense no Maracanã pela Libertadores desde 2021, quando perdeu para o Junior Barranquilla. A marca de cinco anos caiu.
Além disso, o clima fica mais estranho entre torcida e diretoria, já que o contexto recente do adiamento do jogo contra o Flamengo se junta às duas derrotas dos últimos dias.
Na próxima rodada pela Libertadores, o Fluminense jogará contra o Bolívar, na altitude. Mas o jogo será só em 30 de abril. Antes, pelo Brasileirão, o time encara o Santos, domingo, na Vila Belmiro.
O COMEÇO ILUDIU
A sensação nos minutos finais é que seria um atropelo do Fluminense. Jogo dinâmico, consciente, com movimentação intensa e troca de passes com fluência.
Muito disso passou pelos pés de Savarino, que voltou a ser titular do time -ainda que Ganso tenha atuado na posição do machucado Lucho Acosta.
Zubeldía também trouxe mais novidades em relação à derrota para o Flamengo. Ignacio entrou na zaga, Castillo foi o centroavante e Arana ganhou espaço na lateral-esquerda.
O bom começo do Fluminense resultou no 1 a 0 logo aos nove minutos do primeiro tempo, em uma jogada que reuniu a visão de Savarino e a aparição de Arana para o chute certeiro na área.
O EMPATE VISITANTE
Mas, aos poucos, o Fluminense baixou o ritmo e passou a cometer erros que comprometeram a dinâmica ofensiva. Ganso sumiu da articulação, Canobbio não tomou as melhores decisões nas arrancadas pela direita. E Casillo ficou escondido entre os zagueiros -para não dizer que foi o tempo todo, o camisa 19 teve uma bola de bate-pronto na área, mas mandou por cima.
Em contrapartida, o Rivadavia melhorou e passou longe de ser um time covarde, esperando o time da casa decidir o que faria do jogo. Até o gol de empate, não houve uma chance tão clara dos visitantes. Mas assim que a bola pingou na área, depois de ser mal afastada por Freytes, Villa foi esperto ao escorar para Sartori, que empatou aos 36 minutos do primeiro tempo.
A arquibancada do Maracanã sentiu o gol e aumentou o nível de impaciência. A fluidez do início do jogo já tinha desaparecido.
BERNAL DE VOLTA
Zubeldía queria recuperar o controle do meio-campo. Por isso, a primeira substituição, logo no intervalo, foi a entrada de Facundo Bernal no lugar de Hércules -Martinelli passou a jogar mais adiantado. O uruguaio não jogava desde o fim de fevereiro, quando sofreu uma lesão no joelho.
Bernal até apareceu bem na área, dando um cabeceio com perigo. Mas a ironia é que a jogada foi a origem da virada adversária.
FALHAS E VIRADA
O goleiro do Rivadavia viu bem a arrancada de Villa no mano a mano com Samuel Xavier. A bola longa pegou a defesa fluminense desguarnecida, mas uma série de erros resultou na virada dos visitantes.
Primeiro, Fabio afastou muito mal de cabeça. Canobbio tentou corrigir, mas recuou errado dentro da área. Samuel Xavier não conseguiu travar. Ainda que Fabio tenha feito uma defesa num primeiro momento, estava até cometendo pênalti em seguida. Seria marcado. Mas no milésimo de segundo seguinte, Arce acertou o chute do 2 a 1. Tudo ainda aos seis minutos do segundo tempo.
Aí o clima azedou de vez, com a torcida vaiando Samuel Xavier, Ganso e Canobbio em alguns momentos.
Samuel Xavier e Ganso foram substituídos posteriormente, em uma mistura de vaias e aplausos. Àquela altura, o Fluminense tinha mais posse de bola, mas não conseguia criar espaços.
O Rivadavia cumpria bem o papel de visitante pelo contexto: marcação firme, linhas recuadas e à espera de mais um contra-ataque letal. O clube carioca não conseguia nem cruzamentos na área para usar o principal fundamento de Castillo.
Zubeldía, então, fez uma troca que Fernando Diniz faria. Sacou o zagueiro Ignacio para colocar John Kennedy. O volante Bernal virou zagueiro, na tentativa do time de ter mais presença de área.
Na reta final do jogo, Zubeldía ainda apostou no garoto Wesley Natã no lugar de Canobbio. Mas as chances reais de empatar -muito menos virar- não apareceram de forma contundente. No chute mais perigoso, dado por Savarino, o goleiro defendeu.
Fica a frustração tricolor pela derrota e o cenário sem vitórias após dois jogos na Libertadores 2026. Parte da torcida gritou "time sem vergonha" e ainda xingou o presidente Matheus Montenegro.
FLUMINENSE
Fábio, Samuel Xavier (Guga), Ignacio (John Kennedy), Freytes e Guilherme Arana; Martinelli, Hércules (Facundo Bernal) e Ganso (Serna); Savarino, Canobbio (Wesley Natã) e Castillo. Técnico: Luís Zubeldía.
INDEPENDIENTE RIVADAVIA
Bolcato, Bonifacio (Elordi), Leonard Costa, Studer e Luciano Gómez (Osella); Bottari, José Florentín e Matías Fernández (Ríos); Sartori (Villalba), Villa e Arce (Bucca). Técnico: Alfredo Berti
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Jhon Ospina (COL)
Assistentes: Miguel Roldán e Mary Blanco (COL)
Cartões amarelos: Wesley Natã (FLU); Matías Fernández, Bonifacio, Sartori (RIV)
Gols: Guilherme Arana, 10'/1ºT (1-0); Sartori, 36'/1ºT (1-1); Arce, 5'/2ºT (1-2)