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Dos gloriosos anos 90 ao 'temor' e 'champanhe' por parceria: torcedores falam de seu amor pelo Bragantino

Com clube na final da Copa Sul-Americana, LANCE! foi a Bragança Paulista conhecer histórias de apaixonados pela equipe do interior, campeã paulista em 1990...

Publicado em 12 de Outubro de 2021 às 07:45

LanceNet

Publicado em 

12 out 2021 às 07:45
Crédito: Luciano Claudino
Bragança Paulista, cidade com pouco mais de 170 mil habitantes no interior do estado, orgulha-se de abrigar um clube que desafiou as principais forças de São Paulo e do Brasil no início dos anos 90. O prestígio acumulado pelo título paulista de 90 e o vice-campeonato nacional de 91 voltou à tona com a classificação do Bragantino para a final da Copa Sul-Americana, a ser disputada no próximo dia 20 de novembro, contra o Athletico-PR, em Montevidéu.
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A parceria com a empresa austríaca de energéticos Red Bull devolveu o clube aos seus tempos áureos. Não sem certa desconfiança inicial, logo sucedida pela euforia com os bons resultados em campo. Na terceira matéria da série especial sobre o Bragantino, o LANCE! conversou com torcedores locais para ouvir suas histórias com a agremiação e o sentimento misto que envolveu o novo modelo de gestão. TORCEDORES DESDE CRIANÇA E A RELAÇÃO COM A CIDADEMarcos Alan Borges, de 42 anos, começou a acompanhar o Bragantino aos dez anos de idade. Morador da cidade desde que nasceu, ele conta que sua paixão pelo clube foi transmitida pelo pai, que o levava a diversos jogos, principalmente na "época de ouro" do time, entre 1989 e 1994.
- Acompanho o Bragantino desde os meus dez, 11 anos de idade. Meu pai sempre me trazia ao estádio, quando tinha jogo estávamos aqui. Peguei aquela época no final da década de 80, começo dos anos 90. Vi grandes jogos nesse estádio, Casagrande, Junior, Romário... - conta Marcos, criador do canal "RB Massa Bruta", no Youtube.
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- O meu pai é de Bragança Paulista, a família toda dele é de lá, tradicional de Bragança. Comecei a seguir o Bragantino em 1965, quando ele foi campeão da Série A-2 do Paulista. Eu descobri o que era o clube. Em 66, fui assistir jogos com ele contra times grandes, todos os jogos eu ia. E aí começou esse meu envolvimento - afirmou Olavo. Uma época festejada da equipe do Clube Atlético Bragantino e hoje, Red Bull Bragantino, compreende o final da década de 80 e o começo da década de 90, quando a equipe foi campeã da Série B, em 1989 e campeão paulista em 1990. Tanto Olavo quanto Marcos guardam memórias afetuosas do período, que fez a história de diversos ídolos do esporte, como Mauro Silva, campeão mundial de 94 com a Seleção Brasileira, e Vanderlei Luxemburgo, que se tornaria um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol nacional.
- Naquela época, sabíamos que o time era muito bom, mas posso dizer que foi até uma surpresa para nós, torcedores. Víamos a garra do time em campo, principalmente em 90, que foi o título que mais me marcou. Com certeza está marcado na minha memória, consegui assistir várias partidas no estádio. Aquele time vai ficar guardado para sempre na minha memória - disse Marcos.
- Eu comecei a torcer pelo Bragantino graças à influência de um vizinho. Ele falava do time e eu comecei a gostar. Teve o jogo entre Bragantino e Barretos (final da Série A-2 de 1965, Bragantino campeão) e eu não pude ir, minha mãe não deixou eu ir porque foi no Pacaembu (risos). A partir daí comecei a acompanhar o clube, desde os meus 12, 13 anos quando passei a ir no estádio sozinho - relembrou. Para Vicente, o jogo mais marcante do Bragantino em que ele esteve presente é, sem dúvidas, o mais importante da história do clube: a final do Campeonato Paulista de 1990, contra o Novorizontino, quando o Braga foi campeão estadual.
- Comprei champanhe, estourei, fiz uma festa (risos). Agora somos de primeiro mundo. Uma coisa que eu não sou é saudosista. Se o Bragantino tivesse na Série B, ele não seria Red Bull Bragantino, estaríamos brigando para não cair para a Série C. Eu fiz um vídeo no meu canal, onde falei que tínhamos que nos unir agora nesse momento. E algumas pessoas falaram: 'Você está torcendo para uma marca'? Eu falei: 'Gente, o mundo é uma marca'. O Bayern Leverkusen-ALE é da Bayern, o Wolfsburg-ALE é da Wolkswagen. O mundo é assim - disse o torcedor. A mesma opinião é compartilhada por Marcos Alan, do canal 'RB Massa Bruta' e morador da cidade de Bragança Paulista.
- O Bragantino, depois da década de 90, passou por bastante perrengue. Não tínhamos muito investimento e um time de futebol precisa disso. Com a chegada da Red Bull, deu um novo ânimo para a cidade, criou outra expectativa. Antes, lutávamos só para não cair, para mantermos as portas abertas e hoje temos outra visão. Fui super a favor da chegada - afirmou.
Vicente também elogiou a chegada da Red Bull ao time, mas revela uma certa 'apreensão' no começo da parceria, até por não conhecer muito o projeto apresentado para o clube. No entanto, hoje em dia, ele já não tem mais essa preocupação. - A primeira semana, eu 'tremi um pouco na base'. Falei: 'Meu Deus, será que é coisa séria? Não vai ser uma Parmalat que pegou o Palmeiras e afundou o Palmeiras, uma MSI que pegou o Corinthians e afundou o Corinthians?' Mas no decorrer fui vendo que era tudo seriedade e espero que a Red Bull fique aí por muito tempo. Sobre a mudança de mascote, para mim, pode colocar uma galinha, um macaco, um índio, o que for (risos). O nome do Bragantino ainda está. É tudo seriedade, não tem para ninguém - afirmou o torcedor símbolo do time.
Agora, o Red Bull Bragantino tem a missão de manter viva essa paixão dos torcedores, que nas alegrias e tristezas nunca abandonaram o clube. No entanto, uma coisa é certa: seja o que for, esses torcedores estarão lá para apoiar a equipe de Bragança Paulista, que vive em seus corações.
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