As ações de reparação relacionadas ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), somam R$ 82,6 bilhões executados até setembro de 2026. O valor é alcançado dois anos após a homologação do Novo Acordo do Rio Doce pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2024, e corresponde a quase metade dos R$ 170 bilhões previstos na reparação. O Novo Acordo estabeleceu novas responsabilidades, recursos e prazos para a continuidade das medidas de reparação e compensação.
O balanço, feito pela Samarco, reúne iniciativas realizadas desde 2015 e entregas dos últimos dois anos, em diferentes frentes, como indenizações, recuperação ambiental, saneamento e reconstrução de comunidades atingidas. Os resultados incluem pagamentos a centenas de milhares de pessoas, obras concluídas e repasses ao poder público, enquanto outras ações seguem em andamento.
Entre outubro de 2024 e setembro deste ano, 357 mil pessoas receberam R$ 18,5 bilhões em indenizações e auxílios financeiros. Desse total, 321,2 mil indenizações foram pagas por meio do Programa Indenizatório Definitivo (PID), criado para oferecer uma modalidade de indenização individual.
Considerando todo o período desde 2015 até setembro de 2026, 648 mil pessoas receberam indenizações e auxílios financeiros, com R$ 36,6 bilhões pagos. O número de pessoas indenizadas equivale a dez vezes a população de Mariana (MG). Os números mostram a dimensão dos pagamentos realizados ao longo dos anos e a continuidade das medidas de compensação após a assinatura do novo acordo.
“A conclusão das indenizações é uma prioridade. Já são 648 mil pessoas indenizadas, um resultado que demonstra o alcance desse trabalho. Seguimos avançando para concluir essa etapa ainda este ano”, afirma Gustavo Selayzim, diretor de Estratégia, Financeiro e Suprimentos da Samarco.
Uma das frentes do Novo Acordo do Rio Doce é formada pelas chamadas obrigações de fazer, que reúnem ações executadas diretamente pela Samarco, como indenizações individuais, programas ambientais e finalização dos distritos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu. Até setembro de 2026, a empresa havia executado R$ 26,4 bilhões nessa modalidade.
Já as obrigações de pagar correspondem aos recursos repassados ao poder público para a realização de medidas de reparação e compensação. Até o mesmo período, R$ 17,9 bilhões haviam sido transferidos, de um total previsto de R$ 100 bilhões.
A divisão entre essas modalidades estabelece diferentes responsabilidades na execução das medidas previstas no acordo. Enquanto parte das ações é realizada diretamente pela empresa, outra parcela dos recursos é destinada ao poder público, responsável por implementar iniciativas em áreas como infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento regional.
Na reconstrução das comunidades atingidas, todas as obras dos novos distritos foram concluídas. A entrega representa uma etapa das ações de reassentamento relacionadas ao rompimento de Fundão, que envolveu a reconstrução de localidades afetadas.
Além das obras nos distritos, o balanço inclui intervenções de saneamento em municípios da região. Até agosto de 2026, 11 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) haviam sido implantadas ou melhoradas, com capacidade aproximada de tratamento de 3,9 milhões de litros por dia.
As intervenções de saneamento foram concluídas em 22 municípios e beneficiaram, direta ou indiretamente, cerca de 1 milhão de pessoas, por meio da ampliação da capacidade de tratamento de esgoto e outras medidas de melhoria da infraestrutura nos territórios abrangidos pelo processo de reparação.
Na área ambiental, o acordo prevê a continuidade de medidas de recuperação da Bacia do Rio Doce, incluindo a restauração florestal de 50 mil hectares e a recuperação de 5 mil nascentes. Até setembro de 2026, mais de 47,9 mil hectares e 4,6 mil nascentes já haviam sido cercados para o processo de restauração.
As ações incluem ainda o monitoramento ambiental e a recuperação de áreas degradadas, com trabalhos que se estendem por diferentes municípios e propriedades rurais. Por envolver processos de restauração ecológica, parte dos resultados depende de acompanhamento e manutenção ao longo do tempo.
A participação dos municípios é outra dimensão do Novo Acordo do Rio Doce. Dos 49 municípios elegíveis, 45 aderiram ao acordo. Segundo estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2026, as localidades abrangidas reúnem cerca de 2,13 milhões de pessoas.
A adesão municipal permite que os recursos e as medidas previstas no acordo alcancem diferentes territórios, com iniciativas voltadas à reparação e à compensação dos impactos do rompimento. A execução das ações, no entanto, tem prazos distintos e envolve diferentes responsáveis, o que faz com que parte dos compromissos continue em andamento.
"O Novo Acordo define com precisão o que deve ser feito, por quem e em que prazo. Essa estrutura permite que as obrigações sejam monitoradas e cobradas com maior objetividade, o que contribui para a transparência e a responsabilização dos envolvidos", afirma diretora Jurídica e de Riscos da Samarco, Najla Lamounier.