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Oração da vitória

Perfil Magno Malta: de vice dos sonhos a elefante na sala

De olho em um cargo no governo Bolsonaro, já declarou ter preferência pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores
Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 nov 2018 às 09:22

Publicado em 05 de Novembro de 2018 às 09:22

O senador Magno Malta (PR-ES) em pronunciamento no plenário do Senado Crédito: Jefferson Rudy | Agência Senado
O Brasil aguardava a primeira declaração oficial do presidente eleito, Jair Bolsonaro, no último dia 28, quando este pediu que Magno Malta (PR) fizesse uma oração. "Os tentáculos da esquerda jamais seriam arrancados sem a mão de Deus", disse Malta. Segurou a mão do futuro chefe de Estado e rezou um Pai-Nosso.
O pastor e senador seria "o vice dos sonhos", segundo Bolsonaro. Mas, enquanto o capitão da reserva esperava uma definição, Malta já fazia campanha por sua reeleição ao Senado nas igrejas capixabas.
Quando o jornal "O Globo" revelou que o pastor não seria vice, em 11 de julho, Bolsonaro foi ao gabinete dele tirar satisfação. Malta contemporizou para não tornar a recusa pública enquanto Bolsonaro buscava outro nome. Depois, lançou sua candidatura ao Senado em evento com 250 pastores.
A campanha de Malta, com gastos declarados de R$ 2,7 milhões, porém, naufragou. Sem mandato, foi chamado de "elefante na sala" pelo general Hamilton Mourão, vice-presidente eleito.
De olho em um cargo, já declarou ter preferência pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. A previsão é que seja anunciado titular do Ministério da Família, o que pode ser a fusão das pastas de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.
"Ele foi um guerreiro pesado na campanha de Bolsonaro. Um dos motivos que o levaram a perder a eleição foi ter viajado para cima e para baixo atrás do Bolsonaro. Foi um cara fundamental, aguerrido", diz Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
EXTROVERTIDO
Malta nasceu em Macarani (BA) e se formou pastor em um seminário batista em Recife (PE), em 1981. Era cantor da banda de pagode gospel Tempero do Mundo, com composições como "Aquele que cheirava já não corre atrás/Jesus Cristo venceu Satanás". Seu primeiro cargo foi de vereador de Cachoeiro do Itapemirim (ES), em 1993.
Pulou para deputado estadual do Espírito Santo, deputado federal e, por fim, senador. Ganhou notoriedade polemizando. Em 2008, levou um homem mascarado ao Senado. A jornalistas, disse que ele seria testemunha de que o traficante Fernandinho Beira-Mar planejava sequestrar sua filha. Afirmou estar ameaçado por ter ido "muito fundo" nas investigações da CPI do Narcotráfico, que presidia.
ACUSAÇÃO 
Na CPI da Pedofilia, em 2009, acusou o cobrador de ônibus capixaba Luiz Alves de Lima de estuprar a própria filha, de 2 anos. Após nove meses preso, o réu foi inocentado e processa o senador.
Malta apoiou Lula e Dilma Rousseff. E se aproximou de Aécio Neves, mas se afastou quando a imagem do tucano foi associada à corrupção.
"Será que leva tanto tempo para uma pessoa como Magno Malta saber que o PT é o demônio? Claro que não. Era oportunista", critica o deputado e pastor evangélico Marco Feliciano (Pode-SP).
Procurado, Malta disse que acreditou no sonho de acabar com a miséria vendido pelo PT e "se encantou" com Lula, para logo se desiludir.
"Quando colocaram milhões de pessoas no Bolsa Família, o diabo soprou no ouvido e falou: 'Agora ninguém tira mais vocês, não'. Eles começaram um striptease moral. Começaram a atacar os valores da família e da fé. Quiseram legalizar o aborto, a droga, e aí veio a onda da ideologia de gênero, o ataque às famílias", disse, ao jornal "O Globo".
O deputado Carlos Manato (PSL-ES) disse, semana passada, que Malta será ministro.
"Ele é merecedor, por tudo o que fez pelo Bolsonaro. Segunda ou terça, deve ser confirmado. O presidente deixou claro: Magno estava cotado para ser ministro mesmo antes de senador."
Aliados dizem que Malta julgava estar eleito, e foi rodar o país com Bolsonaro. Visitou o aliado várias vezes no Hospital Albert Einstein e gravava vídeos conduzindo orações. Na reta final, ao perceber o risco de perder, despejou dinheiro na campanha, mas era tarde.

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