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Bolsonaro espera ajuda de Trump e telefonema de Merkel sobre Amazônia

O presidente tenta aplacar a crise diplomática internacional em torno das queimadas

Publicado em 30/08/2019 às 05h30
Atualizado em 31/08/2019 às 09h39
Bolsonaro espera ajuda de Trump e telefonema de Merkel sobre Amazônia. Crédito: Carolina Antunes/PR
Bolsonaro espera ajuda de Trump e telefonema de Merkel sobre Amazônia. Crédito: Carolina Antunes/PR

O presidente Jair Bolsonaro pediu ajuda ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aguarda um telefonema da chanceler alemã, Angela Merkel, numa tentativa de ganhar apoios e pacificar a crise internacional sobre a Amazônia.

Em entrevista nesta sexta (30), ao sair do Palácio da Alvorada, ele disse que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e seu filho Eduardo Bolsonaro -que tenta emplacar como embaixador em Washington- devem fazer em breve algum anúncio sobre conversa com Trump.

A declaração se deu em contexto sobre ajuda financeira ao Brasil para conter a devastação de incêndios e desmatamentos na floresta.

"Talvez tenha novidade logo mais. O Ernesto, o Eduardo estão lá nos Estados Unidos. Talvez eles tenham algo para nos adiantar da conversa com o Trump. Eu pedi para o Trump para nos ajudar. O Trump tem dito também que não poderia tomar uma decisão sem ouvir o Brasil. O Brasil é um país amigo de todo mundo. Eu sou diplomata", disse Bolsonaro.

O presidente não deu detalhes sobre o que estaria sendo negociado com a Casa Branca.

Ele confirmou que falará com Merkel por telefone nesta sexta, mas não quis esmiuçar os termos da conversa. "Não sei [o que será tratado], ela que vai ligar para mim. Quando minha esposa liga para mim, ela que fala o assunto, e não eu", comparou.

Perguntado sobre seu recado à chanceler, semanas atrás, para reflorestar a Alemanha com dinheiro oferecido ao Brasil, ele reagiu: "Você quer complicar agora? Ela quer namorar comigo, você quer complicar. Não é só a Alemanha. A Europa toda, junta, não tem lições para nos dar no tocante à preservação do meio ambiente". 

Bolsonaro voltou a criticar duramente líderes europeus contrariados sua política ambiental, em especial o presidente francês, Emmanuel Macron, que aventou a criação de um status internacional para a floresta.

"Hoje está previsto receber um telefonema da Angela Merkel. Ela começou com um tom, depois foi para a normalidade. Estou pronto para conversar com qualquer um, exceto nosso querido Macron, a não ser que ele se retrate sobre a nossa soberania da Amazônia", afirmou.

O presidente brasileiro disse que o governo está disposto a receber "qualquer recurso individual, de um país ou outro". "Agora, o Macron, ele quer doar em nome do G7, isso não é verdade." 

Indagado várias vezes, Bolsonaro não respondeu sobre ter apago o post no qual ofendeu a primeira-dama francesa, Brigitte Macron.

Ele comentou manifestação de um internauta que comparou a aparência dela com a da primeira-dama brasileira, Michelle Bolsonaro.

Questionado sobre a decisão de algumas marcas internacionais, que interromperam a compra de couro brasileiro por dúvidas a respeito da sustentabilidade do processo de produção, Bolsonaro foi, primeiro, taxativo: "Fake news!"

Informado por jornalistas de que as próprias empresas haviam anunciado a decisão, ele disse: "Se confirmou, agora vou ligar para a Tereza Cristina [ministra da Agricultura] e ver o que a gente pode fazer. É precipitado também".

Bolsonaro voltou a dizer que sua política será a de não demarcar mais nenhuma terra indígena no Brasil, embora esta seja uma imposição constitucional.

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Ele afirmou que não pretende desfazer nenhuma demarcação, mas que, se houver irregularidade em alguma, isso é possível. 

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