O desfile do Grupo Especial começou às 22 horas com a Imperatriz do Forte e acabou com a Jucutuquara com o dia claro. Às 5h59 a última escola recebeu o sinal verde. Confira os destaques das sete escolas, as falhas e quem estourou o tempo de desfile.
IMPERATRIZ DO FORTE
Eram 22 horas quando a luz verde se acendeu e a Imperatriz do Forte foi autorizada a entrar no Sambão do Povo. De volta ao Grupo Especial, a escola foi a primeira a abrir o desfile na noite de sábado. “Planeta água”, de Guilherme Arantes, lembrava o público que o tema era “Navegando nas correntezas da história, a Imperatriz vem vestida de azul”. Somente depois de 5 minutos e 30 segundos o desfile começou. O desfile durou 1 hora e 21 segundos.
DEU SAMBA
A crítica socioambiental feita pela escola, quase no final do desfile, levantou o público. Com uma faixa escrita “Nenhuma vida vale mais que o dinheiro” a escola ganhou diversos aplausos. Logo atrás veio uma ala com pessoas sujas de lama – fazendo referência ao desastre de Brumadinho, em Minas Gerais, quando uma barragem se rompeu deixando 177 mortos e 133 pessoas desaparecidas. No destaque do carro estava o “Caronte”, o barqueiro que carrega as almas dos mortos, segundo a mitologia grega. O assunto merece destaque pois, com ele, a escola lembra que o Carnaval é festa, alegria e arte, mas também é uma crítica aos problemas sociais e ambientais.
ATRAVESSOU
Os carros alegóricos apresentaram problemas durante o desfile. Praticamente todos eles entraram meio tortos e deram dificuldade para que os membros da escola corrigissem o erro. Um tripé também apresentou problemas e acabou invadindo parte de um camarote. A última alegoria, “A profecia a luz das avós” também agarrou e deixou um imenso buraco na passarela. O problema foi tão notório que as pessoas que estavam no camarote próximo da entrada comemoraram quando os integrantes da escola conseguiram empurrá-lo novamente. Chegando próximo ao final do desfile, até mesmo o carnavalesco Alex Santiago ajudou a puxar o carro para tentar reduzir o buraco entre as alas.
UNIDOS DA PIEDADE
A escola do presidente Valdeir Lopes veio com o enredo “Felis Catus – sagrados e mal ditos”. Falando sobre os gatos e suas estórias ao longo da história. Os 1.800 componentes foram divididos em 20 alas, quatro alegorias e dois tripés. A escola demorou 1 hora e 3 minutos para percorrer a avenida – ultrapassando o limite especificado pelo regulamento, que é de 1 hora e 2 minutos.
DEU SAMBA
A comissão de frente da Unidos da Piedade foi um dos pontos fortes da escola. Logo no começo, gatos do musical “Cats” saíam de um templo egípcio. A parte surpreendente é que quando os gatos voltavam para o templo, feiticeiras egípcias saíam de dentro dele para dar continuidade à coreografia. As fantasias da escola também estavam muito bem feitas – sobretudo as baianas, que estavam de bruxas, e a ala das gatas persas. Também vale destacar a fantasia da rainha de bateria Rose Oliveira, que estava de gata selvagem. Tecnicamente o desfile foi muito bom – não havendo buracos entre uma ala e outra. O fato curioso é que cada ala foi “abençoada” pela velha guarda da escola, que fez um corredor no início da passarela pelo qual passaram todos os integrantes.
ATRAVESSOU
O samba da escola, apesar de ter um trecho que pegou muito fácil, era complexo – o que fez com que poucas pessoas que estavam nas arquibancadas, ou mesmo nas passarelas conseguissem cantar junto com os intérpretes. Em mais de uma ala foi possível ver apenas três ou quatro integrantes cantando o samba-enredo. Na frente do carro abre-alas estavam dois gatos de nove metros de altura. A alegoria dificultou um pouco o controle do carro por parte dos integrantes da escola.
MUG
A atual campeã veio com o enredo “Sorrir e sambar é só começar”, organizado pelo carnavalesco Osvaldo Garcia. A escola contou com 1.600 componentes que estavam divididos em 19 alas, quatro alegorias e dois tripés. . A comissão de frente abriu o desfile com um dos sorrisos mais comuns hoje em dia, o “xis” para a fotografia. Com 1 hora e um minuto a escola encerrou o desfile, mas a festa continuou na dispersão, com gritos de “é campeã”.
DEU SAMBA
A bateria “Pura Ousadia” fez jus ao nome e foi um espetáculo no Sambão do Povo. Vestidos de Chapeleiro Maluco – personagem de Alice no País das Maravilhas – os 190 componentes levantaram o público. O integrante que estava com o xequerê, uma espécie de chocalho, era uma atração à parte – jogava o instrumento pro alto, pegava de volta, sempre com samba no pé e sorriso no rosto. O papel picado lançado aos ares pelos membros da bateria arrancou suspiros de admiração da plateia. Também vale destacar as fantasias usadas pela escola – muito bem feitas e que aguentaram firme apesar do forte calor que fez durante o desfile. Os integrantes também merecem parabéns, pois cantaram o samba-enredo do início ao fim.
ATRAVESSOU
O pior momento para a MUG veio logo no início do desfile. O carro abre-alas estava com um grande telão de led na frente. Ele trazia o nome da escola, alternando com imagens de sorrisos. No entanto, com poucos metros do desfile todo o carro apagou – o telão e as luzes que estavam instaladas nas laterais do carro. A solução foi improvisar um banner com o nome da escola e colocar na frente do telão – que permaneceu escuro até o final do desfile. Já na parte final do desfile houve um pequeno susto. Um dos integrantes da escola passou mal e foi colocado no corredor que deveria ser destinado à imprensa. O integrante ficou lá até a chegada do Corpo de Bombeiros.
PEGA NO SAMBA
A mistura de samba e balé, aposta da Pega no Samba para o desfile deste ano encantou o público que estava no Sambão do Povo, em Vitória. A agremiação foi a quarta a desfilar. A grande homenageada da escola, a bailarina Lenira Borges, de 96 anos, estava no primeiro carro alegórico, acompanhada pela filha e a neta que também são bailarinas.
DEU SAMBA
A ideia de misturar dois ritmos tão diferentes como balé e samba deu certo. Era bonito ver bailarinas e passistas desfilando juntas no mesmo ritmo. Ainda sobre as bailarinas: elas sambaram na ponta das sapatilhas, mostrando muita força e graciosidade. E quando a letra do samba entoava “gira bailarina” os componentes obedeciam o puxador e rodopiavam, não importava em qual ala estavam. Mostrou sincronia e harmonia. A bateria da escola, conhecida como Bateria Locomotiva deu um show à parte! Não dava para ficar indiferente ao som dela. As fantasias eram simples, mas bem feitas. Ao contrário do que se via em outras agremiações, as roupas da Pega no Samba não despedaçavam pela avenida.
ATRAVESSOU
Por várias vezes ficou um espaço muito grande entre as alas. Isso fez a escola correr e perder em harmonia. A letra do samba não empolgou o público, que não participava nem quando o samba tocava “batam palmas, a estrela chegou”. Apesar de parecerem bem feitas, as fantasias tinham problemas como falta de adereços em roupas da mesma ala. Desta forma, duas pessoas que desfilavam no mesmo grupo, ficam diferentes uma da outra.
BOA VISTA
Ao cantar os 90 anos de história da Polícia Rodoviária Federal (PRF) a Independente de Boa Vista conseguiu levar para o Sambão do Povo um pouco da realidade das rodovias e educação de trânsito para o Sambão do Povo. Os mais de 1.600 componentes estavam com a letra do samba na ponta da língua e cantavam a plenos pulmões.
DEU SAMBA
As roupas dos casais de mestre-sala e porta- bandeira estavam lindas! Brilhantes, com muitas penas e plumas. Puro luxo! As roupas dos destaques também estavam lindas. Aliás, as fantasias em geral da Boa Vista ficaram muito legais. O carnavalesco usou muitos elementos como placas de trânsito para enfeitar as indumentárias. Destaque para os ritmistas da bateria que se divertiram o desfile inteiro. O fato de estarem sendo avaliados pelos jurados não os impediu de pular, rir, dançar e cantar a letra do samba. Os quatro carros alegóricos eram grandes de altura e comprimento. Além de muito coloridos e cheios de detalhes.
ATRAVESSOU
A fantasia da rainha de bateria deixou a desejar. Era discreta, com poucos adereços. Ela usou algumas poucas penas nos ombros. Os carros, apesar de bonitos, estavam com muitos espaços vazios, isso fazia parecer como se tivesse pouca gente. Enquanto a escola avançava pelo Sambão do Povo, o espaço entre as primeiras alas da escola ficava maior. Apesar de não ter sido a pior agremiação nesse quesito, os buracos se somavam à alegoria dos carros e uns ou outros desanimados, que pioravam o cenário.
NOVO IMPÉRIO
O céu pintou-se de azul e rosa em um belo amanhecer para acompanhar a passagem da Novo Império pelo Sambão do Povo. A escola começou o desfile por volta das 4h50, quando o relógio marcava pouco mais de três minutos de sinal verde. Com um samba exaltando a liberdade que a mulher tem de ser o que quiser, a Novo Império despediu-se do Sambão do Povo com cerca de 59 minutos de desfile sob gritos de “é campeã!”
DEU SAMBA
O carnavalesco Peterson Alves desempenhou um belo trabalho ao explorar a possibilidade de assuntos a serem abordados dentro do tema da mulher. Da violência sofrida às conquistas, tudo esteve bem trabalhado entre as 22 alas. Além disso, a bateria da escola, popularmente conhecida como Orquestra Capixaba de Percussão, foi responsável por incendiar o público do início ao fim do desfile, como é de costume. Não teve quem não ficasse emocionado quando os ritmistas fizeram coreografias e paradinhas ao longo da passagem. A comissão de frente remetia à “marcha dos bobes”, também com referência à canção “Maria, Maria”, de Milton Nascimento. A equipe trazia consigo o escolho que refletia cada uma das muito Marias.
ATRAVESSOU
Embora o tema tivesse sido bem explorado, a agremiação podia ter explorado uma melhor paleta de cores. Embora faça parte das cores do pavilhão da escola, o rosa surgiu marcante em quase todo o desfile, dando a sensação, em alguns momentos, de que as alas eram monocromáticas. Logo no início, ainda na concentração, alguns diretores de harmonia se mostraram tensos com o acúmulo de carros na dispersão. Alguns permaneciam lá desde os desfiles de quinta-feira. “Disseram que não vão caber nossos carros por lá”, confidenciou um deles à reportagem. Por sorte, o problema foi resolvido (de maneira paliativa) sem prejudicar o desenvolvimento da agremiação na avenida.
JUCUTUQUARA
O relógio marcava 5h59 quando a Unidos de Jucutuquara recebeu o esperado sinal verde para homenagear a vida e a obra de Arthur Bispo do Rosário, importante artista plástico brasileiro que transitou entre a realidade e o delírio. A escola concluiu o dia de desfiles do Grupo Especial quando o cronômetro marcava pouco mais de 1h02, e foi seguida pelos foliões mais animados, que entoavam gritos de “não vou embora”.
DEU SAMBA
É impossível deixar passar a relevância do retorno de Kléber Simpatia ao quadro da escola. O intérprete, uma das vozes mais marcantes do carnaval capixaba, foi um dos grandes responsáveis por animar a avenida. Além disso, a escola se superou em relação aos desfiles dos últimos anos. O tempo ao menos ajudou neste ano, já que no carnaval passado a agremiação teve que enfrentar uma forte chuva na avenida. Ao fim do desfile, os componentes pareciam aliviados, principalmente depois de considerar a chuva que caiu no desfile do ano passado. Muitos não escondiam a sensação de dever cumprido, já que havia uma expectativa de que a escola surgisse um pouco melhor na disputa deste ano.
ATRAVESSOU
O acabamento de dois dos carros alegóricos deixou a desejar. Em um trecho, diretores de harmonia catavam palitos de churrasco do chão para tentar espetar um pedaço de isopor quebrado do letreiro do abre-alas. No mesmo carro, alguns refletores ameaçaram cair com a movimentação do carro. Grande parte das fantasias tinha um boa disposição de cores, mas as alas pareciam difíceis de serem desvendadas por quem não conhece minimamente a história de Arthur Bispo do Rosário.