A pescadora Aline Ribeiro Goulart da Rocha  foi um das atingidas pelos rejeitos da lama da Samarco
A pescadora Aline Ribeiro Goulart da Rocha foi um das atingidas pelos rejeitos da lama da Samarco . Crédito: Carlos Alberto

Três anos da lama: Após tragédia no Rio Doce, Regência fica dividida

Regência dividida entre cobrar respostas da Samarco e tentar retomar o turismo da vila, em Linhares, Moradores não se entendem

Publicado em 03/11/2018 às 21h20

A lama de rejeitos de minério chegou em Regência, Linhares, 17 dias após o rompimento da barragem no dia 5 de novembro de 2015. Três anos depois do ocorrido é perceptível que o desastre deixou muitas marcas na região da foz do Rio Doce e, inclusive, causou um racha entre os moradores.

As pessoas da vila vivem com os nervos à flor da pele, não se entendem sobre o problema e discussões são constantes. Há aquelas que acham que as marcas do desastre não devem ser expostas para fora da vila porque atrapalha a ida de turistas. Por outro lado, há as que fazem atos para cobrar soluções e chamar a atenção dos que chegam por lá.

Inclusive, uma briga entre moradores foi presenciada pela reportagem de A GAZETA. A discussão começou justamente por uma moradora achar que outros deveriam evitar falar sobre os problemas na entrevista. Alguns moradores relataram que isso é constante na região, inclusive há muitas discordâncias no grupo de WhatsApp de quem vive na vila.

“A Renova tem que ressarcir as pessoas pelo desastre, mas não acho justo que ONGs e moradores façam protestos quando há eventos em Regência. Precisamos seguir a vida e trabalhar, para quem quer tem trabalho na vila”, afirma a comerciante Eloína Ceolin, de 50 anos.

Em Regência há cartazes espalhados pedindo justiça endereçados à Vale, Samarco e BHP Billiton, responsáveis pelo desastre. Nem todas as pessoas conseguiram seguir a vida, como a proprietária da pousada Pontinha Surf House, Aline Ribeiro Goulart da Rocha, de 45 anos.

Depois do desastre, ela não abriu mais o local, que teve luz e água cortadas por causa do acúmulo de dívidas. A saída foi se mudar para a casa dos pais com o marido e o filho, em fevereiro de 2016. Ao retornar, 10 meses depois, percebeu que os pisos e paredes foram invadidos por cupim. “Espero que a justiça seja feita e que nós sejamos indenizados para ter chance de voltar ao trabalho e recomeçar a vida novamente. Eu quero voltar a minha vida e ter o direito de trabalhar”, desabafa.

A pesca continua proibida pela Justiça Federal na região marítima entre Barra do Riacho, em Aracruz, e Degredo, em Linhares, faixa de mar que inclui Regência. Para o primeiro suplente da Associação de Pescadores de Regência (Asper), Marcos Odilio Martins de Assis, de 39 anos, a vida de aproximadamente 20 pescadores da associação sofreu muitas mudanças.

“A pesca segue proibida, o dia a dia do pescador é sedentário, não tem atividade econômica e lazer. Eu tive que mudar de ramo e hoje trabalho como gerente de uma loja de pesca”, comenta.

O pescador Marcos Martins de Assis foi um dos atingidos pela lama de rejeitos da Samarco . Crédito: Carlos Alberto
O pescador Marcos Martins de Assis foi um dos atingidos pela lama de rejeitos da Samarco . Crédito: Carlos Alberto
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