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Crise na Saúde

Caos nas unidades de emergência da Grande Vitória

Demanda por atendimento é alta e faltam médicos nas unidades

Publicado em 24 de Abril de 2019 às 09:39

Aline Nunes

Publicado em 

24 abr 2019 às 09:39
Ficar doente não é algo que aconteça com hora marcada, e não é preciso ser especialista para chegar a essa constatação. Na hora da emergência, é para as unidades de Pronto-Atendimento (PAs) que a população corre em busca de socorro, mas se depara com superlotação, falta de médicos – pouco profissional para alta demanda ou descumprimento da escala – e estrutura inadequada para a longa espera.
Esse é o quadro da saúde pública em UPAs e PAs da Grande Vitória, que somam mais de 110 mil atendimentos por mês, e que se agravou nas últimas semanas.
Os problemas, com mais ou menos intensidade a depender da unidade, são reconhecidos pelas prefeituras, que tentam encontrar soluções em meio ao sofrimento de quem precisa do serviço público. Contratação de mais médicos é uma alternativa, quando se encontra o profissional para trabalhar.
No município de Cariacica, onde o PA do Trevo, em Alto Lage, chegou a fechar o atendimento em pediatria no último sábado (20), sucessivos editais têm sido publicados, porém a administração não consegue completar o quadro para fechar as escalas. Resultado: plantões lotados ou mesmo suspensão temporária do serviço.
Além de alguns médicos deixarem de comparecer a plantões nos finais de semana, segundo a prefeitura, outros estão pedindo desligamento, o que poderá comprometer ainda mais a situação no município. De sábado até ontem, três pediatras que atendiam no PA saíram e pelo menos mais um demonstrou a mesma intenção verbalmente.
EDITAL
“Estávamos com dificuldade de fechar escala por falta de profissionais. Mas esperamos que, com o novo edital, possamos preencher a escala, não deixar nenhum furo. E ampliar o número de profissionais”, ressalta a subsecretária de Saúde, Fabrícia Forza.
Presidente do Sindicato dos Médicos do Estado (Simes), Otto Baptista aponta falhas na estrutura de PAs e unidades de saúde, que ofereceriam condições de trabalho ruins a médicos.
FINAIS DE SEMANA
Ele admite que alguns deixam de comparecer nos finais de semana ao saber que vão fazer o plantão sozinhos. “A sobrecarga é muito grande porque a demanda é alta”, justifica.
O problema não se restringe a Cariacica. Na UPA de Serra-Sede, a segunda-feira foi bastante tumultuada com a ausência de duas pediatras – uma pediu demissão, outra passou mal. Sem médicos em número suficiente, o atendimento foi lento e pelo menos uma mãe perdeu a paciência e arremessou um computador contra uma recepcionista.
A superlotação também é motivo de angústia no PA da Glória, em Vila Velha, além da falta de estrutura para quem aguarda por assistência. Ontem a situação se repetiu. “Cheguei no PA às 11h30 buscando atendimento para minha filha e ela só foi consultada às 17h30. Outro problema é que não podemos entrar com comida na recepção. Então, a pessoa doente fica horas a fio sem comer nada”, reclama Zilma Nunes, 46.
Vitória não está livre do problema e, no PA da Praia do Suá, a reclamação se repete: pacientes demais para poucos médicos.

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