Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Reportagem especial

Armas de fabricação caseira a R$ 1 mil no ES

Mercado de armas artesanais cresce e preocupa os especialistas

Publicado em

09 fev 2019 às 00:31
Para adquirir uma arma de fábrica potente, seja de forma legal ou ilegal, é preciso ter dinheiro. Porém, há opções que os valores não passam de R$ 1 mil e vem ganhando adeptos: são as armas caseiras. Informações de guardas municipais de Vitória e Vila Velha apontam que esse tipo de armamento tem ganhado espaço entre criminosos devido o baixo custo e por ter capacidade de matar.
Somente em 2018, foram apreendidas 324 armas caseiras no Estado. São equipamentos com poder de fogo e feitos de forma quase que artesanal. “São produzidas por indivíduos que chamamos de armeiros, pessoas que têm conhecimento de forma empírica ou repassado de pai para filho, e que fazem essas armas mão a mão, em fundos de quintais e oficinas de pequeno porte. No entanto, são equipamentos com o mesmo poder ofensivo que as armas de fábrica”, explicou o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
O delegado apontou que a dificuldade de evitar a circulação desse tipo de armamento está exatamente no fato de serem armas sem qualquer identificação. Isso impossibilita que os fabricantes sejam qualificados e detidos. “A arma industrial você consegue rastrear por meio do cano, numeração e marca. Tem o histórico dela. Já as armas caseiras totalmente ilegais. Não possuem identificação ou numeração, nada que indique a origem delas. Chegar a prisão de um armeiro demanda investigação precisa”, observou.
No último ano, três pessoas foram presas - uma na Serra, outra em Vila Velha e uma terceira no Norte do Estado - por agirem como fabricantes de modo artesanal de armas. As prisões, segundo a Polícia Civil, é um quesito que colabora com a redução desse número de armamento nas mãos de criminosos. Em Janeiro, apenas duas armas caseiras foram apreendidas, segundo José Arruda.
Por se tratarem de artefatos sem qualquer precisão técnica de produção ou de material empregado, uma arma caseira é um risco para quem fica na mira e também para quem atira. “Ela pode causar não apenas danos para quem é o alvo, mas para quem manuseia, devido ao material que pode não resistir ao disparo”, observa.
Para o gerente de sistemas de Justiça e Segurança Pública do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, não há o que se comemorar. O registro capixaba de 324 apreensões de armas artesanais em 2018 ano é quatro vezes maior do que foi apreendido em 2014, quando 70 foram tiradas de circulação. “Isso demanda uma atenção especial do Estado, significa que está havendo um fortalecimento de armeiros e fabriquetas para o crime”, esclareceu.
Já o delegado-chefe da Polícia Civil afirmou que a nova delegacia especializada em armas de fogo, que tem previsão de ser criada até julho, também terá a responsabilidade purar a origem de qualquer arma de fabricação artesanal, assim como realizar apreensões e posterior destruição desses artefatos.
Mais baratas, armas ficam no tráfico 
O tráfico de drogas é o que mais utiliza armas de produção artesanal, segundo o próprio delegado-chefe da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
A situação é reforçada por guardas municipais que estão na rua e apreendem suspeitos com esse tipo de equipamento. “Esse tipo de arma caseira é uma alternativa para quem trafica e não tem dinheiro suficiente para comprar armas de fábrica. As ofertas são variadas, assim como os preços, depende de quanto o comprador tem no bolso”, explica um guarda municipal, que preferiu não ser identificado.
As armas produzidas manualmente demoram para ficar prontas e não são feitas em grande escala. Elas possuem diversos calibres, algumas mais potentes e outras menos, ou podem ser construídas a pedido do cliente. Elas podem ser adaptadas para receber munições de armas industrializadas.
“São mais comuns no calibre 12 e, recentemente, realizamos apreensões de calibre 9 milímetros”, explica Arruda. O calibre 12 é de escopeta e pode atingir um alvo em até 25 metros de distância. Já a calibre 9 milímetros é equivalente a uma pistola.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados