Fotos e texto por Fernando Madeira
No Sítio Histórico de Muqui, no Sul do Espírito Santo, a tradição dos grupos de Folia de Reis encanta no período do Natal, época em que visitam as casas de porta em porta para lembrar os moradores da viagem dos Três Reis Magos para levar ao Menino Jesus seus presentes: ouro, incenso e mirra.
O destaque dos foliões está nos chapéus decorados e na utilização de diversos instrumentos, como o violão, a viola, a sanfona, a zabumba, o pandeiro, o triângulo, o surdo, o chocalho, a caixa e até a flauta. Para completar o grupo – e animar a celebração –, um integrante se veste de palhaço mascarado e canta versos divertidos enquanto passa e pula em meio às pessoas nas ruas.
Fotos e texto por Ricardo Medeiros
Como forma de preservar a cultura e a tradição indígenas, o Grupo de Jovens Guerreiros realizou a 1ª edição dos Jogos Tradicionais Indígenas do Espírito Santo na aldeia de Caieiras Velha, em Aracruz.
O evento, que foi realizado entre os dias 23 e 25 de novembro de 2018, contou com apresentações de canto e danças tradicionais Tupiniquim, Guarani e Pataxó antes de serem iniciadas as competições esportivas.
Foram disputadas modalidades como arremesso de lança, bodoque ao alvo, zarabatana, luta corporal, arco e flecha, cabo de guerra, corrida com tora e natação.
O encontro proporcionou ainda ao público participante venda de artesanatos, pintura corporal e rodas de conversas na cabana redonda.
Os Jogos Tradicionais vão continuar anualmente no calendário da população indígena de Aracruz e prometem perpetuar a rica cultura dessas populações.
Fotos e texto por Vitor Jubini
É dopo la messa (depois da missa), comendo polenta, bebendo vinho e cantando que os descendentes italianos de Venda Nova do Imigrante mantêm sua cultura viva. Todos os domingos, após a missa das 9h, eles se reúnem na Casa da Cultura da cidade para discutir sobre os mais variados assuntos. E é dali que surgem as ideias para os eventos mais marcantes do município, como a Festa da Polenta, idealizada pelo padre Cleto Caliman há mais de 40 anos e até hoje realizada anualmente com visitantes de todo o Brasil.
Frequentador assíduo dos encontros, o jornalista Francisco Ivan Zandonadi explica: “É um momento de confraternização que já perdura por mais de 100 anos. O embrião disso tudo foi a Igreja, pois era ali que se decidia sobre os assuntos da comunidade”. As reuniões aconteciam ao lado do templo católico, no entanto, uma recomendação da diocese pedia que os fiéis não consumissem bebidas alcoólicas no espaço. Apreciadores de um bom vinho, os italianos transferiram as reuniões para a Casa da Cultura. O movimento não perdeu força e, a cada encontro, nos quais os mais velhos ensinam as cancionetas vindas da Itália, sempre entoadas pelos acordes do acordeom, a nova geração já demonstra que ficará vivo o legado iniciado por seus ancestrais.
Fotos e texto por Carlos Alberto Silva
Quando tomam as ruas de cidades capixabas, os grupos de congos costumam puxar centenas de pessoas. Na Barra do Jucu, em Vila Velha, a saída das tradicionais bandas Tambor de Jacarenema, Mestre Honório e Mestre Alcides não é diferente. São centenas de pessoas cantando e dançando ao som de tambores e da cantoria.
O encontro mistura religiosidade e festividade, idosos e jovens. Essa mescla talvez seja uns dos pilares que sustentam e fortalecem a tradição centenária do Espírito Santo.
Quem segue o cortejo entra numa roda de cantoria que traz letras curtas e um som vibrante e forte vindo dos tambores. A reunião produz uma alegria que mistura fé e dança, na qual os corpos parecem entrar em transe num passo que gira o corpo para um lado e para outro.
As bandas de congo costumam sair às ruas no Dia de São Benedito, no ciclo natalino, e no Dia de São Sebastião, em janeiro, quando se faz a retirada do mastro. Algumas ainda fazem a fincada do mastro, em dezembro.
Toda essa tradição traz não só celebração, festa e ritmo, mas também preservação cultural. Para o historiador Eliomar Mazzoco, as bandas de congo são importantes para manter o patrimônio cultural do Estado. “Nossos grupos estão cada vez mais organizados em associações e conscientes de que são portadores de um patrimônio cultural que é o cimento da nossa identidade”, diz o historiador Eliomar Mazzoco.
Fotos e texto por Marcelo Prest
No dia 20 de janeiro, a Comunidade Umbandista Fraternidade Tabajara e também a do Candomblé do Pai de Santo Jorge estiveram em festa comemorando o Dia de Oxóssi, sincretizado pela Igreja Católica como São Sebastião. Oxóssi na umbanda é considerado patrono da linha dos caboclos, atuando para o bem-estar físico e espiritual dos seres humanos. Oxóssi é o orixá da caça e da fartura.
O cheiro forte de defumador perfuma o terreiro. Em frente ao altar, santos, imagens humanas, velas e taças com água e cristais se misturam ao meio das oferendas e outros objetos com simbologias diversas. Ao som dos atabaques que ecoa no ambiente, homens e mulheres vestidos de branco e outros adereços multicoloridos entoam cantos e exaltam guias e orixás. Evocam espíritos para que se manifestem e tragam orientações para curas físicas e espirituais. Assim funciona um ritual num terreiro de umbanda e candomblé.
Neste ensaio fotográfico, foi proposto alcançar visualmente, além da materialidade imagética que se apresenta, também a relação com o invisível, com o divino, algo próprio da identidade religiosa de um grupo. Uma relação em que o homem torna-se ator no espaço e no tempo com o universo abstrato, intrínseco à sua realidade. Essas pessoas buscam nesses rituais religiosos o que é essencial espiritualmente, mas que para o olhar de muitos é invisível.