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G.Dados é o grupo de jornalismo de dados da Rede Gazeta, que tem como objetivo qualificar e ampliar a produção de reportagens baseadas em dados na Redação Multimídia
G.Dados é o grupo de jornalismo de dados da Rede Gazeta, que tem como objetivo qualificar e ampliar a produção de reportagens baseadas em dados na Redação Multimídia. Crédito:

Fora da curva: profissionais com os maiores salários do Estado

No Espírito Santo, existe trabalhador que chega a ganhar R$ 110 mil por mês. E ele não é um informal

Publicado em 10/06/2019 às 20h30

No mundo estatístico, a média é sempre uma ferramenta para mostrar uma realidade que representa a maioria. Numa população empregada, por exemplo, ela pode ser usada para mostrar a faixa salarial mais comum entre os trabalhadores pesquisados.

No Espírito Santo, o salário médio dos mais de 870 mil empregados do mercado formal é de R$ 2.472,95. O problema é que esse cálculo esconde alguns “outliers”, valores aberrantes e atípicos, porém, que existem no mercado. São remunerações extremamente altas ou exageradamente baixas.

O levantamento do G.Dados revela quem são esses trabalhadores que estão no topo e os que estão na base. As informações surpreendem. Em 2017, por exemplo, o maior salário pago no Espírito Santo foi de R$ 110 mil para um diretor do setor extrativo mineral.

A segunda maior remuneração saiu para um engenheiro eletricista que atua no setor de petróleo e gás (R$ 91.145). Esse segmento, aliás, tem o terceiro e o sexto profissionais com as melhores remunerações do Estado, um engenheiro civil com renda de R$ 89 mil e um engenheiro químico, cuja renda é de R$ 77 mil.

Reinaldo Teixeira, coletor. Crédito: Ricardo Medeiros
Reinaldo Teixeira, coletor. Crédito: Ricardo Medeiros

A análise da Rais ainda revela onde estão concentrados os picos salariais. As empresas públicas são as que têm as maiores remunerações. Apesar de não revelar o nome das corporações, é possível descobrir pelo ramo de atividade quem está por trás desses grandes pagamentos. Um deles, por exemplo, é a Petrobras, já que a companhia - que pagou os 12 maiores salários - é a única estatal do ramo de óleo e gás que atua no ES.

Além dos engenheiros eletricistas, civil e químico, estão os engenheiros de produção, naval, mecânico, operador de exploração de petróleo, geólogo, engenheiro de materiais, engenheiro eletrônico, químico industrial e técnico em instrumentação.

Fora do setor industrial, também aparece um escriturário de um banco público, que teve uma renda média de R$ 43 mil em 2017.

O setor público também tem alguns servidores no topo dos maiores salários. Um deles por exemplo é juiz do Trabalho, que recebeu em média R$ 42,6 mil. Não é possível saber, no entanto, o que compõe essa remuneração e porque ela ultrapassa o teto do Supremo Tribunal Federal (STF), que era na época R$ 33.763,00.

O segundo maior salário no serviço público, de R$ 40,7 mil, nesse período, foi para um auditor-fiscal da Receita Federal.

Menores salários

Assim como existem altos salários distorcendo a média, há também baixas remunerações que fogem um pouco do que é comum no mercado de trabalho. São trabalhadores que fazem poucas horas de serviço formal e por isso recebem remunerações abaixo do salário mínimo. Esse foi o caso de 106 faxineiros, contratados com uma remuneração média de R$ 830. O piso nacional na época era de R$ 937.

Apesar de acima do salário mínimo, mas com uma renda menor que a média capixaba, também estão os profissionais que atuam com coleta de lixo e limpeza urbana. Esses profissionais tem um salário médio de R$ 1,2 mil.

Reinaldo Teixeira de Salles, de 50 anos, que trabalha como coletor explica que, como atua em atividade insalubre, consegue aumentar um pouco da remuneração mensal. Alcança, por causa do benefício, uma renda de quase R$ 2 mil.

Ele está há 23 anos na mesma profissão e diz estar feliz com a atividade que exerce. “Estou na rua sempre, faça chuva, faça sol. É um trabalho pesado, mas eu gosto bastante.”

Ainda que esteja contente com o emprego, o trabalhador afirma que planeja aumentar sua renda. “Perto do que vivi no passado, agora é muito melhor. Eu morei na roça, ganhava um salário que mal pagava a comida. Tudo melhorou quando vim para a cidade. Mas a gente tem que tentar melhorar sempre. Penso até em voltar a estudar”, diz ele, que estudou até o quinto ano (antiga quarta série).

Morador de Consolação, em Vitória, Reinaldo conta que faz bicos na comunidade. Ele capina e realiza pequenos reparos para complementar a renda. “Não podemos nos conformar. A situação do Brasil preocupa. É muita desigualdade. É muito problema. Vamos ver no que vai dar. Mas tenho esperança que a situação um dia vai mudar para todos.”

O QUE É O G.DADOS?

G.Dados é o grupo de jornalismo de dados da Rede Gazeta, que tem como objetivo qualificar e ampliar a produção de reportagens baseadas em dados na Redação Multimídia. Jornalismo de dados é o processo de descobrimento, coleta, análise, filtragem e combinação de informações com o objetivo de construir histórias. É mais uma ferramenta para reforçar e embasar a produção de notícias. 

ENTENDA O NOSSO TRABALHO

Por que fizemos esta reportagem?

A intenção da reportagem foi conhecer a realidade salarial do Espírito Santo e identificar as desigualdades e o motivo das remunerações serem tão baixas no Estado.

Como apuramos as informações?

Todo o ano as empresas privadas, públicas, órgãos do Executivo, Judiciário, Legislativo de todas as esferas (federal, municipal e estadual) precisam enviar à Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, a Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Nós pegamos os microdados (menor fração de um dado coletado em uma pesquisa que retrata cada trabalhador). A reportagem foi construída a partir da análise dessas informações.

O que fizemos para garantir o equilíbrio?

Além de usar os dados para comprovar um cenário, a reportagem procurou especialistas em mercado de trabalho que apontou os motivos para a existência da desigualdade de renda. 

 

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