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Desenvolvimento e Competitividade

Economia do país saiu da UTI, mas ainda se recupera

Reforma da Previdência é crucial para alavancar investimentos

Publicado em 13 de Abril de 2019 às 01:57

Giordany Bozzato

Publicado em 

13 abr 2019 às 01:57
Evento reuniu dezenas de pessoas, entre autoridades políticas e empresariais Crédito: Vitor Jubini
Foi comparando a economia brasileira a um paciente enfermo que o economista e ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, definiu a atual situação do país. Para ele, a economia já saiu da UTI, foi para o quarto e já começou a andar. Ainda sem muita firmeza, mas já começou a andar.
“A economia brasileira ainda está numa fase de recuperação de um dos maiores tombos da história. Começamos a recuperar em 2017 e em 2018. Para este ano, esperamos certa aceleração, mas isso depende da aprovação da reforma da Previdência”, avaliou.
Apesar de defender a aprovação da reforma previdenciária, Loyola não acredita que a proposta que foi enviada pela equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (PSL) seja aprovada sem alterações.
“Essa reforma que pretende economizar R$ 1 trilhão não deve acontecer, mas precisamos que seja aprovado um texto que nos dê uma economia de, pelo menos, R$ 600 bilhões em dez anos”, calculou.
O ex-presidente do BC foi um dos palestrantes do “Diálogos sobre Desenvolvimento e Competitividade”, promovido pela Rede Gazeta, ontem, em parceria com o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades).
No evento, o economista avaliou ainda que, além da reforma da Previdência, o Brasil precisa de outros três pilares para se recuperar economicamente: a manutenção de Paulo Guedes na equipe econômica, a manutenção de condições mínimas de governabilidade e a ausência de turbulências políticas.
O encontro contou ainda com a participação da jornalista da Rede Globo, Andréia Sadi, especialista em política, do governador Renato Casagrande (PPS) e de diversas outras autoridades políticas e empresariais.
A abertura do evento foi feita pelo diretor-geral da Rede Gazeta, Café Lindenberg. “Neste momento da história em que o Brasil passa por uma rota de transformação e que tem que tomar decisões essenciais para manter-se competitivo e dinâmico diante do cenário internacional, olhar para frente é um compromisso inadiável”, declarou.
“Neste encontro, nossa proposta é de construir um diagnóstico sobre o país e o Espírito Santo. E de pôr um olhar analítico sobre o que se fez desde o dia 1º de janeiro. Mais que isso, enxergar onde queremos chegar e o que faremos para chegar lá”, completou Café.
Ao final do encontro, os participantes parabenizaram a organização e os palestrantes.
“O evento chegou num resultado fantástico. Tivemos dois palestrantes muito bons, com duas visões diferentes – uma econômica e outra política –, de duas gerações diferentes. Isso possibilitou que a gente pudesse fazer uma linha para analisar o que o país está vivendo e liderar nos próximos anos”, comentou Idalberto Luiz Moro, presidente do Sincades.
“Percebemos que temos na mão uma oportunidade para dar saltos e liberar essa sede que os empreendedores estão de investir para transformar nosso potencial em realistade”, disse Luiz Wagner Chieppe, diretor-presidente do Grupo Águia Branca.
ARTICULAÇÃO POLÍTICA É GARGALO DO GOVERNO
A deficiência na articulação política com o Congresso para azeitar a tramitação de agendas prioritárias tem sido o principal problema do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para emplacar, por exemplo, a reforma da Previdência.
A constatação é da jornalista Andréia Sadi, da Rede Globo, a partir das informações colhidas por ela diariamente nos bastidores de Brasília. Ela foi uma das palestrantes do “Diálogos sobre Desenvolvimento e Competitividade”, ontem.
Especializada na cobertura dos Poderes da República, a jornalista mencionou que a qualidade da articulação de Bolsonaro tem sido lembrada como a da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Bolsonaro tem dito que não negocia com a “velha política”. Ocorre que a democracia demanda política e partidos. E o “termômetro” de Andréia Sadi indica que não é correto dizer que todos os congressitas que pedem mais atenção do governo estejam interessados em acordos espúrios ou em negociação de cargos comissionados.
De acordo com as informações de Sadi, o diagnóstico do ruído de comuicação existe dentro do próprio governo e é possível saná-lo. “Ouvi de um ministro próximo ao presidente que ‘não tem boa ou má política. Tem política e corrupção. O que os parlamentares estão querendo é atendimento, é se sentirem parte do processo, fazer parte da foto, sentar com o presidente no Planalto”, contou.
Outra informação de bastidor importante compartilhada pela jornalista diz respeito à maneira como o Congresso enxerga o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Segundo ela, ele não é visto como articulador no governo.
Quem era melhor avaliado pelos congressitas ao posto era o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Ele foi demitido após pressão de Carlos Bolsonaro, filho do presidente.
FUNDO VAI RECEBER SÓ MAIS UMA PARCELA DE RECURSOS
Casagrande detalhou percentuais de recursos que irão para fundo soberano Crédito: Carlos Alberto Silva
 
O fundo soberano que o governo do Estado pretende criar com parte dos recursos extras do petróleo a serem recebidos pelos próximos 20 anos terá poupança definida por percentuais que serão reduzidos ao longo dos anos. Até 2022, 40% do montante depositado será poupado. Entre 2023 e 2026, 30%. A partir de 2027, 20%.
As informações foram dadas pelo governador Renato Casagrande (PSB), ontem, e em seguida detalhadas pelo secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann. O projeto de lei que autorizará a criação do fundo será enviado para análise da Assembleia Legislativa na próxima semana.
A arrecadação extra deve se aproximar dos R$ 600 milhões anuais e acontecerá graças a compensações resultantes de acordo assinado por governo, Petrobras e Agência Nacional de Petróleo para unificação dos campos do Parque das Baleias.
O fundo soberano recberá 75% do valor. De acordo com estimativas do governo, serão perto de R$ 430 milhões depositados. Dentro do fundo, haverá uma nova repartição da verba depositada: inicialmente 40%, cerca de R$ 172 milhões, vão para uma poupança a ser usada no futuro e os outros 60% estarão disponíveis para o governo investir em novos negócios tornando-se “sócio” de empreendimentos que julgar competitivos.
Logo, dos R$ 600 milhões a mais previstos com petróleo por ano, 28,7% é o que deve ser de fato poupado nestes primeiros anos. A partir de 2027, 14,3% do total.
Para o governador Renato Casagrande, os investimentos em empreendimentos privados também são forma de poupar para as gerações futuras.
“O fundo vai se associar a empreendimentos reais, concretos, que de fato deem segurança para que nós possamos incentivar o desenvolvimento do Estado e que não sejam na área de petróleo e gás”, declarou.
Os outros 25% dos extras serão incoporados ao caixa do Estado e poderão ser usados para cobrir despesas de custeio da máquina pública. Segundo Tyago Hoffmann, não poderão ser usados para pagar folha de pessoal.
“As gerações futuras terão acesso à riqueza que temos hoje, estamos pensando nelas. Esperamos que os próximos governantes tenham a mesma riqueza”, frisou Hoffmann.
Haverá, ainda, um segundo projeto encaminhado pelo governo aos deputados. Trata-se do texto que visa à criação de outro fundo, um que vai receber recursos do mesmo acordo sobre os campos de petróleo, mas relacionados a verbas retroativas. O montante deve variar entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Tudo será direcionado a investimentos. Uma parcela de cerca de R$ 700 milhões deve ser depositada ainda em abril.
SAQUE DO FUNDO
 
Ainda sobre o fundo soberano, o projeto proposto pelo governo prevê regras para uso da verba no futuro. Conforme antecipado pelo secretário Tyago Hoffmann, o Estado só poderá acessar o recurso após 15 anos e desde que a poupança tenha alcançado R$ 2 bilhões. Também será necessário manter ao menos R$ 1 bilhão de saldo.
As regras são inspiradas em importantes fundos soberanos internacionais, frisou o secretário.
EMPRESÁRIOS OTIMISTAS COM SITUAÇÃO ECONÔMICA DO ES
Os empresários que participaram do “Diálogos sobre Desenvolvimento e Competitividade” demonstraram empolgação com a situação econômica do Espírito Santo e, principalmente, com a possibilidade da chegada de novos investimentos.
O presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades), Idalberto Luiz Moro, avaliou que acredita que a Economia pode render boas notícias.
“A reforma [da Previdência] deverá acontecer. E quando acontecer vai trazer um clima muito melhor de investimento, de vinda de capitais externos para cá. Sou otimista”, comentou o presidente do Sincades.
Luiz Wagner Chieppe, diretor-presidente do Grupo Águia Branca, destaca que o Espírito Santo pode ser a solução logística para o Brasil – que precisa de uma conexão para o escoamento de produtos e também para receber produtos do exterior.
“O Espírito Santo é o Estado, por várias razões, com a maior possibilidade de dar uma grande arrancada, mas tem que ser solucionada a questão da infraestrutura. Precisamos que o governo federal nos enxergue. Não somos problema, somos a solução para o Brasil”, completou.
O diretor de Finanças, Riscos, Compliance e Tecnologia da Informação do Segmento de Aços Planos da ArcelorMittal Brasil, Paulo Wanick, disse que a perspectiva para o Estado é a melhor possível.
“O governador colocou os pilares da abordagem que o governo vai dar. Considerando que o Espírito Santo já é um Estado que tem uma política fiscal equilibrada, acho que o Estado está em posição de crescer. Nesse sentido, ninguém melhor do que o governador para abordar isso”, completou.
Wanick também falou, brevemente, à plateia, mostrando a visão empresarial sobre o desenvolvimento e competitividade no Brasil e no Espírito Santo. Ele também parabenizou os demais palestrantes do evento.
“O evento foi muito bom. Vimos bem a parte política e econômica, que são os dois alicerces para o desenvolvimento de qualquer região”, resumiu.

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