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Economia (BR)

Como a Inteligência Artificial está mudando o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas

A tecnologia pode tornar o crédito mais justo, acessível e adequado à realidade dos pequenos negócios no Brasil

Publicado em 28 de Abril de 2026 às 16:14

Portal Edicase

Publicado em 

28 abr 2026 às 16:14
Pequenos negócios ganham novas possibilidades com o uso da Inteligência Artificial (Imagem: Father - Studio | Shutterstock)
Pequenos negócios ganham novas possibilidades com o uso da Inteligência Artificial Crédito: Imagem: Father - Studio | Shutterstock
Embora 2026 tenha começado com um cenário mais favorável para a concessão de crédito a micro e pequenas empresas, segundo dados do Sebrae e da Fundação Getulio Vargas (FGV), com o indicador de acesso atingindo o melhor nível dos últimos 12 meses, a aquisição de capital ainda segue como um desafio estrutural no ecossistema brasileiro. De acordo com a Serasa Experian, quase metade (48%) das pequenas e médias empresas (PMEs) no país ainda enfrenta dificuldades para obter linhas de financiamento.
Esse descompasso entre avanço na oferta e dificuldade real de acesso ajuda a explicar por que o crédito para as PMEs segue no centro do debate econômico. Mais do que ampliar o volume disponível, o desafio passa por encontrar formas mais eficientes de entender e avaliar a realidade desses negócios .
Para Igor Senra, CEO e cofundador da Cora, instituição financeira feita para PMEs, o principal desafio do crédito para pequenos negócios sempre foi a dificuldade de traduzir a realidade dessas empresas para os critérios tradicionais de análise.
“O crédito é uma alavanca poderosa para o crescimento dos pequenos e médios negócios, mas precisa ser oferecido no momento certo e da forma correta. O que a Inteligência Artificial (IA) permite é justamente isso: enxergar o negócio com mais profundidade, entender seu momento real e oferecer crédito de forma mais adequada à sua capacidade de pagamento. Assim, é possível disponibilizar a linha de crédito certa, de forma alinhada à saúde financeira da empresa”, explica.

Modelos preditivos: quando a IA aprende a ler um negócio

Do lado tecnológico, o avanço dos modelos preditivos baseados em dados relacionais representa uma das mudanças mais relevantes para o setor de crédito. Em vez de depender apenas do histórico bancário ou do score tradicional, esses modelos conseguem identificar padrões de comportamento financeiro e operacional que ajudam a revelar a saúde real de um negócio, mesmo quando o histórico formal de crédito é limitado.
A dificuldade do crédito para as PMEs não está só nos dados, mas na falta de modelos para interpretá-los. “Quando você olha apenas histórico bancário ou score tradicional, deixa de fora empresas consistentes que operam bem, geram caixa e honram compromissos. Modelos de IA baseados em dados relacionais ajudam a enxergar exatamente esses sinais que o sistema antigo tende a perder”, afirma Bruno Alano, cofundador e CTO da Avra, empresa de tecnologia que desenvolve modelos proprietários de inteligência artificial para transformar dados fragmentados em inteligência preditiva aplicável a decisões sobre PMEs.

IA como ferramenta de inclusão financeira

A combinação entre dados transacionais, Open Finance e modelos preditivos começa a criar uma infraestrutura capaz de tornar o crédito não apenas mais acessível, mas também mais preciso. 
No Relatório de Estabilidade Financeira, o Banco Central observou que, em ciclos de aperto monetário, quanto menor o porte da empresa, mais rapidamente sua capacidade de pagamento é afetada. Na prática, isso reforça a importância de modelos capazes de calibrar melhor risco, valor, prazo e adequação da oferta.
Para as PMEs, essa evolução pode representar um salto real de competitividade. Ao serem avaliadas por critérios que refletem a realidade do negócio e não apenas seu passado formal, empresas sólidas, mas com histórico bancário limitado, passam a ter mais chances de acessar capital no momento certo.
O uso de dados melhora a precisão na concessão de crédito (Imagem: metamorworks | Shutterstock)
O uso de dados melhora a precisão na concessão de crédito Crédito: Imagem: metamorworks | Shutterstock

Análise mais inteligente amplia acesso e reduz erros

Mais do que ampliar o acesso, a IA também pode contribuir para tornar o crédito mais seguro para quem empresta e mais sustentável para quem toma. Ao personalizar a oferta com base na situação real do negócio, a tecnologia ajuda a reduzir distorções de análise, melhora a precificação de risco e diminui a chance de superendividamento.
Para Igor Senra, esse é um ponto central: “Em 2026, a tendência é que o crédito avance com mais inteligência, mas sempre com o desafio de equilibrar crescimento e sustentabilidade financeira dos empreendedores. Crescer com equilíbrio exige disciplina, e a tecnologia precisa estar a serviço disso, não contra.”
A IA não só aprova ou reprova crédito, mas ajuda a definir valor, prazo e condições. “Essa precisão é importante porque protege os dois lados, reduzindo o risco de inadimplência para quem empresta e diminui a chance de empurrar uma empresa para um crédito inadequado”, complementa Bruno Alano.

O que muda na prática para o empreendedor?

Na prática, o uso de IA no crédito para PMEs se traduz em processos mais ágeis, critérios mais transparentes e ofertas mais adequadas ao momento de cada negócio. Em vez de formulários extensos e análises que ignoram a realidade do dia a dia da empresa , o empreendedor passa a ser avaliado por aquilo que realmente importa: a saúde do seu negócio.
Para os pequenos e médios negócios brasileiros, isso pode significar mais do que eficiência. Pode representar a possibilidade de acessar capital com maior aderência à sua capacidade de pagamento e ao seu estágio de desenvolvimento, um passo importante para transformar crédito em ferramenta de crescimento e não em pressão adicional sobre a operação.
Por Gabriela Cardoso
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