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A cara de quem procura trabalho no Estado, mas não acha

Publicado em 10/06/2019 às 19h59

As marcas da recessão são visíveis no mercado de trabalho e profundas entre os trabalhadores com baixa escolaridade. A insistente crise econômica tem sido cruel principalmente com os profissionais que não conseguiram completar os estudos. No período pré-crise, o Estado tinha 950 mil postos de trabalho. O número total de pessoas empregadas, no entanto, caiu para 873 em 2017: uma redução de 77 mil vagas.

O grupo mais afetado pelas demissões em massa que ocorreram nos últimos anos, reflexos da retração da atividade econômica, foi o de profissionais que não chegaram a fazer o ensino médio. Mais de 77 mil vagas ocupadas por esses trabalhadores foram erradicadas, 66% do total das colocações extintas no Estado.

O pedreiro Antônio Araújo de Jesus, 45 anos, é uma prova disso. Ele estudou até o primeiro ano (antiga segunda série) do ensino fundamental. Foi demitido durante a crise e até agora só consegue alguns bicos na área de construção civil. A renda é inferior a um salário mínimo por mês. “É um emprego sem vale-transporte, sem comida. Tiro do meu bolso para vir trabalhar“, conta o profissional que é pai de duas crianças ainda em idade escolar.

 

Baiano, ele veio para o Espírito Santo em busca de emprego na construção civil. “Fui atraído para cá. Tinha muita obra. A gente escolhia o trabalho. Não era o trabalho que escolhia a gente. Agora está tudo o contrário”, conta.

Ele acredita que a baixa escolaridade tem o atrapalhado na busca de vagas. “Meu sonho é concluir os estudos e voltar a trabalhar de carteira assinada. Ter direito a 13º salário, férias... Hoje não tenho nada disso.”

Sérgio Augusto, Flanelinha. Crédito: Ricardo Medeiros
Sérgio Augusto, Flanelinha. Crédito: Ricardo Medeiros

História semelhante é a do flanelinha Sérgio Augusto Correa da Conceição, 48 anos. Ele já trabalhou com carga e descarga, com limpeza e como repositor. Há cinco anos não consegue nada fixo e ele acredita que o fato de ter apenas completado o sétimo ano (antiga sexta série) atrapalha a conseguir um emprego formal. “Eu queria voltar a trabalhar em supermercados. Gosto de mexer com as pessoas, além de ser algo certo e garantir alguns direitos.”

Ter o ensino médio completo não livrou também outros trabalhadores do desemprego, que perderam 30.838 postos de serviço no mesmo período. Mesmo aqueles que cursavam a faculdade (1.956) foram atingidos pelo fechamento de empregos.

Num movimento contrário, contudo, o número de trabalhadores com curso superior mestrado e doutorado cresceu mesmo na crise. Para eles, 16.775 portas se abriram no período, ocupando o lugar, em alguns casos, dos menos escolarizados.

O QUE É O G.DADOS?

G.Dados é o grupo de jornalismo de dados da Rede Gazeta, que tem como objetivo qualificar e ampliar a produção de reportagens baseadas em dados na Redação Multimídia. Jornalismo de dados é o processo de descobrimento, coleta, análise, filtragem e combinação de informações com o objetivo de construir histórias. É mais uma ferramenta para reforçar e embasar a produção de notícias. 

ENTENDA O NOSSO TRABALHO

Por que fizemos esta reportagem?

A intenção da reportagem foi conhecer a realidade salarial do Espírito Santo e identificar as desigualdades e o motivo das remunerações serem tão baixas no Estado.

Como apuramos as informações?

Todo o ano as empresas privadas, públicas, órgãos do Executivo, Judiciário, Legislativo de todas as esferas (federal, municipal e estadual) precisam enviar à Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, a Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Nós pegamos os microdados (menor fração de um dado coletado em uma pesquisa que retrata cada trabalhador). A reportagem foi construída a partir da análise dessas informações.

O que fizemos para garantir o equilíbrio?

Além de usar os dados para comprovar um cenário, a reportagem procurou especialistas em mercado de trabalho que apontou os motivos para a existência da desigualdade de renda. 

 

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