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Economia (BR)

7 sinais de que até o descanso já entrou na lógica da performance

Entenda como o excesso de estímulos e a busca por eficiência moldam comportamentos que vão além do trabalho e chegam à vida pessoal

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 19:14

Portal Edicase

Publicado em 

15 mai 2026 às 19:14
Entre aceleração constante e busca por validação, a vida passou a operar sob uma lógica em que até os intervalos são capturados pela urgência de produzir, registrar e otimizar (Imagem: anon_tae | Shutterstock)
Entre aceleração constante e busca por validação, a vida passou a operar sob uma lógica em que até os intervalos são capturados pela urgência de produzir, registrar e otimizar (Imagem: anon_tae | Shutterstock) Crédito:
Monitorar o sono. Transformar hobbies em renda. Ouvir podcasts em velocidade acelerada. Fazer pausas pensando em produtividade. Registrar experiências antes mesmo de vivê-las. Em algum momento, a lógica da performance deixou de ficar restrita ao trabalho e passou a atravessar praticamente todos os espaços da vida contemporânea.
O excesso já não aparece apenas no número de horas trabalhadas ou na quantidade de informação consumida diariamente. Ele também se manifesta na forma como as pessoas descansam, se relacionam, cuidam da saúde, constroem suas identidades e ocupam os espaços digitais.
Os números ajudam a traduzir essa sensação coletiva. Hoje, 32% dos brasileiros relatam sintomas de burnout, segundo levantamento da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR). Ao mesmo tempo, 63% dos trabalhadores associam o excesso de telas ao estresse e à ansiedade, segundo pesquisa da Fiter.

Dificuldade de desacelerar e sensação de exaustão

Para Humberto Cardoso, comunicador, organizador licenciado e curador do TEDxBlumenau, que terá “Excesso” como tema central na edição de 2026, existe uma mudança clara na forma como as pessoas passaram a se relacionar com o próprio tempo.
“A gente começou a perceber que até experiências que deveriam representar pausa passaram a ser atravessadas por uma lógica de performance. As pessoas monitoram sono, transformam hobbies em renda, sentem culpa ao descansar e vivem uma necessidade constante de otimizar a própria vida”, afirma.
Segundo o profissional, a sensação contemporânea de exaustão nasce da combinação entre hiperconectividade, excesso de estímulos e exposição permanente. A pressão para estar disponível, atualizado e relevante o tempo inteiro acabou ultrapassando o ambiente de trabalho e passou a ocupar também os espaços de descanso, lazer e autocuidado.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que temas ligados à saúde mental, desaceleração, limites e hiperestimulação passaram a ocupar mais espaço nas conversas sobre comportamento nos últimos anos.
Pequenos gestos do dia a dia revelam uma dinâmica em que até o descanso é atravessado pela necessidade de produtividade (Imagem: goffkein.pro | Shutterstock)
Pequenos gestos do dia a dia revelam uma dinâmica em que até o descanso é atravessado pela necessidade de produtividade Crédito: Imagem: goffkein.pro | Shutterstock

Sinais de que a lógica da performance já atravessa a rotina

Entre os comportamentos que ajudam a traduzir essa lógica contemporânea, Humberto Cardoso destaca alguns padrões cada vez mais comuns no cotidiano, como:
  • Sentir culpa ao descansar;
  • Transformar hobbies em produtividade ou renda;
  • Consumir conteúdo em velocidade acelerada;
  • Monitorar constantemente sono, rotina e desempenho;
  • Registrar experiências antes mesmo de vivê-las;
  • Dificuldade de ficar offline ou indisponível;
  • Sensação permanente de que nunca é suficiente.
Ao mesmo tempo, o excesso contemporâneo não aparece apenas de forma negativa. A valorização da brasilidade nas redes sociais e na cultura pop, por exemplo, também revela movimentos ligados à busca por pertencimento, intensidade e identidade coletiva.
Para Humberto Cardoso, o excesso muitas vezes fala menos sobre exagero e mais sobre carência, compensação e tentativa de preencher ausências contemporâneas. “Quando tudo precisa render, até o descanso deixa de ser descanso”, finaliza.
Por Paula Deodato

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